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O Hamas tira o véu antissemita da esquerda

Partidos e intelectuais ‘progressistas’ tentam justificar o terrorismo islâmico contra Israel e põem a diplomacia brasileira ao lado de regimes ditatoriais

antissemitismo
Bandeira de Israel sendo queimada por grupos antissemitas | Foto: Gedalya AKA David Gott/Wikimedia Commons/Flickr

Existe algo como o “direito” a não ter judeus por perto? Algo como o “direito” a não ter de cruzar com judeus na rua, ou o direito de tratar judeus como ratos? Esse é o pensamento de boa parte da esquerda brasileira ao falar da causa palestina.

Analisando-se o discurso típico de quem acredita que o Hamas tenha uma “causa” a ser ouvida, há alguns termos que sempre se repetem. Um dos principais diz respeito aos assentamentos. O que são assentamentos? Comunidades de judeus que se reúnem para morarem unidos, por mútua proteção. Pode-se dizer que não querer judeus por perto é antissemitismo. Ou pode-se dizer que é uma “luta anticolonialista”, ou criticar “assentamentos ilegais”. No fim, estamos falando da mesma coisa — com termos edulcorados ou realistas.

Leia também: “A esquerda escolheu o lado do terror”, reportagem de capa da Edição 186 da Revista Oeste

Claro que há complicações com a forma como os assentamentos judeus foram utilizados, principalmente após a Guerra dos Seis Dias. Mas não conseguiremos escapar da “questão judaica”, como foi chamada pelo antissemita Bruno Bauer — um colega de Karl Marx.

Boa parte da polêmica sobre a geopolítica da região envolve o fato de Israel aumentar assentamentos com a população civil — ou seja, judeus, em sua maioria — em áreas fronteiriças, que foram alvos de guerras e ataques desde a fundação do país. Foi o que aconteceu depois de Israel ser atacada por uma coalização militar, em 1949, que estabeleceu a Linha Verde. O mesmo ocorreu após a Insurgência Palestina dos anos 50 e 60, criticada pela alta taxa de baixas civis na resposta israelense. E se repetiu depois da crise de Suez, em 1956, com a tensão do Estreito de Tiran, posteriormente devolvido ao Egito.

Continuou na Guerra dos Seis Dias, quando Israel mais aumentou seu território, tomando a Cisjordânia (West Bank) da Jordânia, as Colinas de Golan da Síria, o Sinai e Gaza do Egito — o que geraria a Guerra de Desgaste, de 1967 a 1970. De novo na Guerra de Yom Kippur, em 1973, sem que o Egito e a Síria conseguissem recuperar territórios. Seguiu na Guerra do Líbano de 1982, que gerou a Zona Segura de Israel na fronteira sul libanês. Também nas duas intifadas, na Faixa de Gaza. E na Guerra do Líbano de 2006, com Israel interrompendo o bloqueio naval daquele país. Prosseguiu na Guerra de Gaza de 2008, quando Israel atacou alvos militares e civis, principalmente pelo uso de escolas, creches e hospitais, além de civis e reféns, como “escudo humano” pelo Hamas (sua principal base de lançamento de mísseis era uma biblioteca, que foi destruída). Isso para ficar nos conflitos principais.

Israel poderia fazer uma ocupação militar dos territórios controlados pelo Hamas (e pela Jihad Islâmica, pelo Hezbollah e por outros grupos terroristas que atuam em suas fronteiras). É consenso que as ocupações militares são custosas e discutíveis. A criação de assentamentos civis, por outro lado, é criticada por muitas pessoas — mas está longe de ter os efeitos negativos de uma ocupação militar. Perfeito? Longe disso. Lícito? Parece uma questão secundária para um povo acostumado a ter todo tipo de vizinho, como o brasileiro — mas fundamental para a região.

Apesar de a região ser antiga, os governos — e os próprios países — ainda discutem sua consolidação desde os fins da Primeira Guerra Mundial. Quando a Inglaterra e a França venceram o Império Alemão e o Otomano, repartiram o território em suas zonas de influência, no infame Pacto de Sykes-Picot, que definiu as respectivas esferas de influência no Oriente Médio. O próprio termo “Oriente Médio” foi criado ali, apontando justamente essa divisão colonial entre os britânicos e os franceses (a região antes chama-se “Ásia Menor”). O objetivo declarado do Estado Islâmico, por exemplo, é “colocar o último prego no caixão da Conspiração Sykes-Picot”. O que diabos isso significa? Destruir as zonas de influência europeia na região; retomar um governo unificado, como era na época do califado otomano; e destruir o Estado “colonialista e imperialista” de Israel. O que fazer com os israelitas nesse processo é uma pergunta bastante incômoda de ser feita a qualquer esquerdista.

Com a retórica esquerdista criticando o “colonialismo”, ou seja, tratando qualquer população rica e desenvolvida como culpada pelo atraso de populações “nativas”, Israel acaba sendo sempre o terrível vilão maniqueísta

Colonialismo, termo tão satanizado em nossa educação “progressista”, é um gigantesco problema. Mas também foram países e povos ricos que criaram algumas coisas curiosas — como dessalinizar águas em um deserto, desenvolver tecnologia cibernética e, bem, instaurar democracia e governos representativos. Quando vemos esquerdistas criticando o “colonialismo” israelense e falando em democracia 2 minutos depois, a contradição fica clara — e o que resta é apenas um profundo ódio de ver judeus por perto, preferindo o governo de Israel. Um Estado secular, que permite inúmeras religiões, possui um árabe muçulmano na Suprema Corte, paradas gays e muito do que esquerdistas mais desejam para o Ocidente. O que o Hamas tem a oferecer, além de uma teocracia islâmica? Mais uma vez, perguntar o que farão com os judeus, cristãos, ateus e gays daquelas terras não parece ser algo fácil de ser respondido por uma Gleisi Hoffmann ou um Guilherme Boulos. O nome técnico é “limpeza étnica”.

O grande criador do nacionalismo palestino e que pregava a luta anticolonial foi Mohammed al-Husayni, o “Grande Mufti de Jerusalém”. Ficou conhecido por seu encontro na Alemanha, em 1941, com um certo Adolf Hitler, que prometeu ajudar a expulsar os judeus da Palestina e a criar a Liga Pan-Árabe. Será que os deputados de esquerda que são cheios de desculpas para a “luta anticolonial” do Hamas, como Orlando Silva, Fernando Haddad, Talíria Petrone, Sâmia Bomfim, Érika Kokay, Zeca Dirceu, Glauber Braga, Jandira Feghali, Ivan Valente e, claro, Paulo Pimenta gostam de ter esse tipo de aliado?

Com a retórica esquerdista criticando o “colonialismo”, ou seja, tratando qualquer população rica e desenvolvida como culpada pelo atraso de populações “nativas” (e haja aspas para “nativos” no problema palestino), Israel acaba sendo sempre o terrível vilão maniqueísta, pelo grande crime de, bem, existir. Esse palavrório acaba se aproximando perigosamente da tagarelice nazista.

Não custa lembrar que, além de testemunharmos o encontro de Paulo Pimenta com Sayid Tenório, que riu de mulheres estupradas pelo Hamas, verificamos que o grupo terrorista foi defendido em um livro com prefácio de Celso Amorim, que enalteceu o caráter “diplomático” do Hamas. Resta perguntar ao ex-chanceler qual é a diplomacia de estupros em massa, de bebês degolados, de idosos sequestrados, de famílias incendiadas dentro de suas casas. E, claro, o que o diplomata acha que deve ser feito com os judeus da Palestina.

Esta mesma classe intelectual adora chamar de “nazista” quem ouse deles discordar.

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14 comentários
  1. ricardo leyraud
    ricardo leyraud

    Obrigado pelo texto. E parabéns por ter dado nomes aos bois. Gostaria que esses políticos demonstrassem mais seus conhecimentos históricos. Temo por uma frustração !!!

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Eles da esquerda insistem em falar de colonialismo não existe mais colonialismo, antes existisse melhor do que ficar na mão de tiranos genocidas

  3. ELIAS
    ELIAS

    Esse excelente artigo, bem como diversos outros, trazem luz sobre a questão palestina e a existência do Estado de Israel. Mas qualquer argumentação lógica e documentos históricos são rechaçados pela esquerda que se restringe a repetir chavões e frases de efeito. As contradições da esquerda são tão claras que se torna tão enfadonho quanto inútil tentar discuti-las com os jovens de cérebro lavado e escovado nas universidades brasileiras.

  4. Patrícia Borges Dias Alexandre
    Patrícia Borges Dias Alexandre

    O mais difícil de tudo isso é ver tanta crueldade.

  5. Ed Camargo
    Ed Camargo

    O que o inspirador do Comunismo Karl Marx autor do Manifesto Comunista e o juiz elitista do STF Luiz Fux tem em comum?
    Ora, são ambos filhos de pais Judeus.
    O povo Judaico trouxe muito progresso e beneficios para humanidade com a descobrimento de vacinas que erradicaram varias doenças e tecnicas agricolas que transformaram um deserto em terras férteis. Mas sempre há o outro lado da moeda, como uma praga que afeta varios paises, Israel não esta isento da doença mental mais conhecida como esquerdopatia a qual é capaz de destruir toda civilização no planeta terra.
    Podemos atribuir o fato de terem sido pegos de surpresa neste ataque do grupo terrorista Hamas, aos esquerdopatas de Israel.
    Os esquerdopatas principalmente aqueles do Brasil, são incapazes de mudar as suas posições sobre as questões, mesmo que os “afoguemos” em provas do contrário.

  6. Maria Lucia Benevides de Schueler
    Maria Lucia Benevides de Schueler

    Uma verdadeira aula! Sempre aprendendo com o Flávio Morgenstern. É muito triste constatar que vivemos num mundo onde o ódio impera. Nosso país, com esta esquerda doente, não fica atrás Procuremos adquirir cultura, ler bons livros, conhecer a Verdade. Assim poderemos fazer frente a esta elite que se diz progressista e que é alienada.

  7. Christian
    Christian

    Temos que lembrar que a podição do desgoverno não é igual ao resto do Brasil.
    Eles não tem como justificar o injustificavel, impor as idéias sem nenhum humanismo e continuarem a depender dos pobres incultos para que eles sejam eleitos.
    Quem apoia terroristas e não os condenam são tão terroristas quanto.

  8. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Estamos num momento perigoso para quem deseja falar algumas verdades. Uma deplas é que muitas pessoas estiveram durante as eleições com medo de um sistema ou regime cruel poderia tomar o poder e estabelecer bases profundas no País. O coquetel que a esquerda produziu nos últimos anos comunismo+fascimo+nazismo ainda não foi bem entendido pela maioria, inclusive jornalistas. O destroçamento de princípios seculares da população brasileira está sendo realizado pouco a pouco. É possível acreditar que vem por aí um governo que necesita de um triunal revolucionário que ajude a aniquilar os adversário. Primeiro perseguindo com decisões antidemocráticas e contra a Constituição Federal. Depois a revelia do congresso prescrever a prisão perpétua (já está acontecendo) e depois a pena de morte. Também existe uma preocupação com a cegueira de ministros judeus que não perceberam que esetão dentro de uma panela de água fervente e que serão os próximos a serem penalizados pelos seus próprios pares. O Fux, traidor do povo judeu e da religião judaica, é o símbolo da surdez e da cegueira. O STF favoreceu e protegeu partidos que autorizam o Hamas a matar civis inocentes, independentemente da nacionalidade, degola de crianças, incentivar o genocídio e um novo holocausto. Com tudo que está acontecendo alguém poderá acreditar que se conseguirem acabar com Israel prosseguirão pna perseguição e matança de judeus que estão em outros países. O partido do poder no Brasil tem a mesma estrutura. Querem acabar com Bolsonaro (com todos os seus defeitos), seus seguidores mais próximos. Depois, poderão perseguir e aniquilar quem votou nele, ou seja, os bolsonaristasl. Depois, colocarão no pardeón os que entenderam ser de direita. E, por fim, todos aqueles que seguem alguma religião, católica, evangélica, espírita, candoblê e até a amaçonaria. Tudo isto é possível, pois como eles apoiam ditaduras cruéis estão autorizando massacres e deixando transparecer que eles não têm nenhum pudor em matar. Tem pais que estão com medo dos filhos! Um dia, os filhos poderão delatar os pais e irmãos em nome da resistência ou da revolução. Finalmente: tudo isto foi me contado por telefone por alguém que está chorando por seus parentes judeus que votaram no Lula…

  9. Otavio Lazario de Queiroz
    Otavio Lazario de Queiroz

    EXISTE UMA DIFICULDADE IMENSA PARA A ESQUERDA E LULOPETISMO NOMEAR O HAMAS DE TERRORISTAS. MAS NAO QUANDO SE TRATA DE SIMPLES MANIFESTACAO EM 08/01.

    1. Wilsom Bezerra
      Wilsom Bezerra

      E um desgoverno do retrocesso, ailhando-se a Paises do “Eixo do Mal” , ditaduras comunistas, ditaduras terroristas, que não respeitam as liberdade de expressão, defensores de Atos terroristas, e cúmplices do HOLOCAUSTO. Inimigos da Paz mundial. Enquanto isso, despreza o heroísmo de nossos HISTÓRICOS ALIADOS ocidentais, da Segunda guerra mundial que juntos conosco, lutaram duramente contra o NAZISMO, contra o HOLOCAUSTO e colaboradoram para um Mundo melhor e mais pacífico

  10. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Veladamente o Brasil se posiciona ao lado do terrorismo….lamentavel esse desgoverno

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