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País que tirou o Brasil da Copa o humilha em bem-estar

Com a pobreza praticamente erradicada, a Noruega usou o petróleo para se tornar uma das maiores investidoras do planeta

Atacante da seleção de futebol da Noruega, Erling Braut Haaland foi o autor dos gols que eliminaram a seleção brasileira da Copa da Mundo | Foto: Reprodução/Redes sociais
Atacante da seleção de futebol da Noruega, Erling Braut Haaland foi o autor dos gols que eliminaram a seleção brasileira da Copa da Mundo | Foto: Reprodução/Redes sociais

A derrota do Brasil para a Noruega não se restringe ao futebol. O placar fica muito pior com a análise além do esporte. Na copa da geração de riqueza e qualidade de vida, o país nórdico vence de goleada. A começar pelo zelo do Estado com as contas públicas. Enquanto os brasileiros nascem com uma grande dívida pública para dragar dinheiro da educação, saúde e segurança pública, o norueguês chega ao mundo tecnicamente rico, embora o país tenha menos recursos naturais.

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A Noruega fica no extremo Norte do Planeta, lugar entre os mais gelados da Terra. Fica depois da Alemanha, próximo ao Polo Norte. O grande trunfo em termos de riqueza natural é o petróleo e o gás natural. Assim como no Brasil, a exploração acontece principalmente em águas profundas. A diferença fundamental é o destino do lucro.

Enquanto os recursos brasileiros viraram manchete nas páginas policiais como o combustível do Petrolão, o maior esquema de corrupção da história da humanidade, os dos noruegueses geraram investimentos com a missão de garantir o futuro de toda a população. Trata-se do Fundo Governamental de Pensões, atualmente dono de 1,5% de todas as ações listadas ao redor do mundo. O primeiro aporte aconteceu em 1996. Desde então, a carteira cresceu exponencialmente, e mais da metade do valor de hoje vem de outros ramos.

“Embora a receita da produção de petróleo e gás seja transferida para o fundo, esses depósitos representam menos da metade do seu valor”, informa o site do fundo. “A maior parte foi obtida por meio de investimentos em ações, renda fixa, imóveis e infraestrutura de energia renovável.”

Entre ações e empréstimos feitos a outras nações, são mais de 10 mil ativos. O portfólio abrange negócios em 68 países e vale mais de R$ 11 trilhões. O rendimento anual é estimado em 3% ao ano. A cifra equivale a R$ 330 bilhões. Significaria cerca de R$ 55 mil por habitante, R$ 110 mil por casal, R$ 220 mil por família com pai, mãe e dois filhos. Mas quando há lucro a maior parte do dinheiro é reinvestida.

Leia mais: “O sumiço da indignação”, artigo de Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha publicado na Edição 330 da Revista Oeste

De acordo com a legislação, o rendimento do fundo pode custear as contas públicas. Entretanto, isso é evitado. A ideia é usar o dinheiro em momentos de crise para mitigar os efeitos sobre a economia no país e guardar o máximo possível para as gerações futuras. A fórmula tem dado resultados positivos.

De fato, a riqueza média dos noruegueses já superava a brasileira em 1966, o produto interno bruto (PIB) per capita era seis vezes maior. Mas ao longo dos anos, a diferença cresceu 20% — e isso sem contar, pelo menos, 80% dos recursos do fundo. Atualmente apenas 20% do orçamento governamental provém desses recursos. Hoje, são US$ 77 mil por norueguês contra US$ 11 mil por brasileiro.

Os dados do Banco Mundial mostram que a pobreza está praticamente erradicada na Noruega. Ela se restringe a 0,3% da população, menos de 25 mil pessoas. Ao mesmo tempo, 25% da população brasileira depende do Bolsa Família, são cerca de 50 milhões de pessoas, entre beneficiários e seus dependentes — e daqui a algumas décadas, eles terão que lidar com uma previdência falida, enquanto os noruegueses poupam para o futuro. Alguém ainda lembra do placar do jogo?

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