Para trabalhadores da Índia, o isolamento no país é decreto de fome

 Milhões vivem e comem onde trabalham; com o fechamento dos negócios, os indianos sofrem com a fome [caption id="attachment_245900" align="alignnone" width="1920"] Monge Indiano | Foto: PixBay[/caption] O primeiro-ministro da Índia,…
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 Milhões vivem e comem onde trabalham; com o fechamento dos negócios, os indianos sofrem com a fome

Monge Indiano | Foto: PixBay
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O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ordenou em 25 de março último o confinamento de 1,3 bilhão de cidadãos do país para combater a propagação do coronavírus, pedindo às pessoas que se distanciem socialmente e trabalhem em casa.

O distanciamento social, no entanto, significa fome para muitos na Índia, onde a força de trabalho dependente fortemente da atividade manual.

Cerca de 80% dos 470 milhões de trabalhadores do país estão no setor informal, sem contrato e desprotegidos pelas leis trabalhistas. Trabalhadores manuais nos campos, fábricas e ruas do país constituem grande parte da população.

Como foi noticiado por Oeste, milhões de trabalhadores nas cidades indianas vivem e comem onde trabalham. Diante disso, o fechamento dos negócios produziu um problema social, não apenas econômico.

O jornal americano The New York Times entrevistou alguns trabalhadores indianos que relatam não temer o coronavírus, mas sim a fome.

Ramchandran Ravidas mora em uma garagem onde aluga bicicletas; em um bom dia, pode ganhar até 450 rúpias, ou 6 dólares, disse ele.

Ravidas teme que seja despejado em breve, pois não teve clientes desde o o início do isolamento.

“Não estou preocupado com a coronavírus; se ele me pegar, pelo menos essa vida de miséria vai acabar”, disse o trabalhador.

Baudghiri é um sadhu — monge andarilho — e ganha cerca de 1,5 dólar por dia, oferecendo orações às pessoas nas ruas. O religioso contou a jornalistas que não comia havia dois dias.

Segundo ele, nunca passara fome em sua vida, pois sempre encontrava uma refeição em templos hindus ou gurdwaras, locais de culto dos sikhs. Mas eles fecharam desde o início do bloqueio na semana passada.

“Em todas as crises, os templos permaneciam abertos”, disse ele. “Ainda conseguimos nos alimentar e encontrar abrigo. Nunca vi esse pânico em toda a vida”, acrescentou.

 

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