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Resistência sob fogo cerrado

Enquanto a crise com o Hezbollah se estende, hospitais subterrâneos garantem atendimento ininterrupto a israelenses

Bandeiras dominavam os carros alegóricos durante o Desfile do Dia de Israel, nos Estados Unidos | Foto: Susan Stava/Reuters
Bandeiras dominavam os carros alegóricos durante o Desfile do Dia de Israel, nos Estados Unidos | Foto: Susan Stava/Reuters

Um dos mísseis lançados pelo Hezbollah contra Israel durante a Segunda Guerra do Líbano em 2006 atingiu diretamente o Hospital Galilee Medical Center, localizado a menos de 10 quilômetros da fronteira com o Líbano. Em poucas horas, e pela primeira vez na história, centenas de pacientes foram evacuados para o subsolo do prédio. Não houve vítimas fatais, mas gerou-se um ponto de inflexão na realidade hospitalar de Israel.

O episódio levou o Ministério da Saúde israelense a exigir, por força de lei, que todos os hospitais do país construíssem uma versão subterrânea protegida de seus setores cruciais — como trauma, internação, cirurgias emergenciais, exames urgentes etc. Foi assim que eles passaram a ter, sob a terra, uma versão espelhada do que existe acima dela.

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Desde março de 2025, quando foi retomada a guerra entre Israel e o Hezbollah, todas as atividades do Galilee passaram a se concentrar apenas nos andares do subsolo. A instituição é, entre os hospitais israelenses, a mais próxima de uma zona de guerra.

“Nossa história nos levou a ser o hospital mais preparado do mundo para operar sob todo tipo de emergência, sejam eles ataques cibernéticos, de mísseis, terremotos etc”, explica Tsvi Sheleg, vice-diretor e líder do setor de prontidão emergencial e programas de inovação. Ironicamente, o Galilee é bastante conhecido pelos sírios: durante a Guerra Civil Síria, ele atendeu a milhares de civis feridos resgatados do lado de lá da fronteira.

Vidas salvas no subterrâneo

Apesar de localizado em uma área distante do centro do país, ele não é um pequeno hospital de periferia. “Somos um centro de medicina avançada de nível mundial dentro de uma estrutura fortificada”, explica Sheleg. Segundo ele, os pacientes não têm a sensação de estarem dentro de um bunker.

Pela proximidade com o fronte de guerra, o hospital é o que recebe a maioria dos soldados e civis israelenses atingidos pelo Hezbollah. “O atendimento a essas vítimas mexe profundamente com nossa equipe, gerando trauma e afetando sua resiliência”, explica o vice-diretor. “Temos um programa constante para ajudar a equipe a melhorar sua sensação de segurança de forma a diminuir suas incertezas e fortalecê-la. Os israelenses são fortes — mas os que vivem no norte precisam ser ainda mais.”

Netanyahu e assessores conversam sobre a guerra contra o Hezbollah | Foto: Divulgação/General Press Office
Netanyahu e assessores conversam sobre a guerra contra o Hezbollah | Foto: Divulgação/General Press Office

A evolução dos ferimentos

Os profissionais do hospital acompanham a evolução do padrão de ferimentos resultante dos diferentes armamentos utilizados pelo Hezbollah ao longo do conflito iniciado com a invasão do Hamas em 7 de outubro de 2023 — lembrando que, longe de ser a primeira, já houve duas grandes guerras e outros embates de menor escala nesta fronteira.

“Primeiramente, a ocorrência mais comum era causada por mísseis antitanque”, conta Sheleg. “Mais tarde, passamos a tratar ferimentos causados também por aeronaves não tripuladas. Hoje enfrentamos o resultado, muitas vezes fatal, de ataques de drones de fibra ótica. São pequenos dispositivos de uso civil adaptados que, no entanto, são direcionados diretamente para o alvo — e é muito difícil salvar a vítima de uma explosão direta.” O Hezbollah anexa ao drone uma carga explosiva cujos estilhaços atingem também as pessoas que estão ao redor.

Não apenas o corpo médico, como também a população, aguarda ansiosamente uma solução para essa situação. O panorama aponta, ainda, para a persistência da crise. Enquanto o primeiro-ministro do Líbano pede um cessar-fogo, o Hezbollah recusa-o e Israel adentra ainda mais o território libanês: no dia 31, a IDF novamente conquistou o Castelo Beaufort — posição estratégica no sul do Líbano que domina o vale do Rio Litani e foi palco de batalhas decisivas na Segunda Guerra do Líbano.

Netanyahu e militares do Exército da Israel | Foto: Divulgação/General Press Office
Netanyahu e militares do Exército da Israel | Foto: Divulgação/General Press Office

O sofrimento dos civis

Enquanto isso, o norte de Israel paga um preço alto. O Hezbollah retomou os ataques a áreas civis, o que forçou o fechamento das escolas. Em razão da pequena distância entre o lançamento dos mísseis do Líbano e o impacto em Israel — um dos motivos pelos quais o Exército israelense busca “empurrar” o Hezbollah para longe de sua fronteira —, não há tempo de soar o alarme antiaéreo: a única forma de a população manter-se protegida é permanecendo dentro de bunkers.

O ritmo das cidades e vilarejos, que começava a ser retomado no início do ano passado, retrocedeu. O governo israelense anunciou uma verba de US$ 4,5 bilhões para fortalecer a região nos próximos anos. Resta saber quem terá ânimo para permanecer por lá, em uma das áreas mais férteis e bonitas de Israel e, neste momento, a mais instável do país.

Israel ainda não conseguiu liquidar o Hezbollah | Foto: Divulgação/General Press Office
Israel ainda não conseguiu liquidar o Hezbollah | Foto: Divulgação/General Press Office

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