A guerra na Ucrânia já produziu cerca de 1,2 milhão de baixas nas Forças Armadas da Rússia. O número inclui mortos e desaparecidos. Considerado excepcional para uma potência militar, o dado não encontra paralelo desde a Segunda Guerra Mundial. A estimativa consta de um relatório recente do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, com sede nos Estados Unidos.
Apesar do custo humano elevado, os ganhos territoriais obtidos por Moscou foram limitados. Desde o início da invasão, em 2022, a Rússia ampliou em aproximadamente 12% a área da Ucrânia sob seu controle. O resultado contrasta com a percepção de que o desfecho do conflito seria inevitavelmente favorável ao Kremlin.
Receba nossas atualizações
Ucrânia: retrato da resistência
O relatório aponta que o volume de baixas russas não se traduziu em avanços decisivos no campo de batalha. Pelo contrário, os autores sustentam que a correlação entre perdas humanas e conquistas territoriais revela um desequilíbrio estratégico relevante.
Ainda assim, líderes políticos ocidentais já afirmaram publicamente que o tamanho e os recursos da Rússia poderiam, com o tempo, se impor. Essa leitura, no entanto, é relativizada pelos analistas, que destacam principalmente a resiliência ucraniana em posição defensiva.
Leia também: “Terror à deriva”, reportagem de Eugênio Goussinsky publicada na Edição 307 da Revista Oeste
Segundo o estudo, a Ucrânia conseguiu explorar vantagens típicas de quem defende o território. Sua estratégia combina trincheiras, campos minados e obstáculos antitanque. Além disso, há o uso intensivo de drones e artilharia. Esse modelo de defesa em profundidade dificultou ofensivas russas de maior escala.
Embora nenhum dos lados divulgue dados oficiais detalhados, o relatório calcula que a Ucrânia acumulou entre 500 mil e 600 mil baixas totais. O número é significativamente inferior ao estimado para a Rússia no mesmo período. No recorte de mortes em combate, a disparidade também aparece. As estimativas indicam entre 275 mil e 325 mil militares russos mortos, contra algo entre 100 mil e 140 mil do lado ucraniano.

Para os autores, os dados enfraquecem a narrativa de que Moscou esteja próxima de uma vitória. O estudo sustenta que, apesar de sua superioridade numérica, a Rússia enfrenta dificuldades estruturais para converter recursos em resultados militares consistentes.
+ Leia mais notícias de Mundo na Oeste
quanto vale um russo por m2?