Armas de ponta chegaram ao Sudão e podem mudar o rumo da guerra civil. Forças paramilitares do país identificaram, em depósitos abandonados, um arsenal sofisticado, com mísseis antiaéreos chineses, drones explosivos e cartuchos de fósforo de 40 mm. A informação consta em um relatório entregue à inteligência sudanesa.
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Ao jornal The Washington Post, fontes militares afirmaram que os equipamentos estavam com as Forças de Apoio Rápido (RSF, em inglês) — uma organização paramilitar que opera no país.
Entre os itens apreendidos estão mísseis portáteis SA-7s, drones semelhantes aos usados pelos houthis no Iêmen, morteiros de 120 mm e projéteis de 40 mm ainda lacrados.
Sudão se torna campo de testes para armas estrangeiras
A guerra, que começou como uma disputa entre líderes militares, já arrastou combatentes de pelo menos seis países africanos e até da Colômbia. Também envolveu armamentos de origem turca, iraniana e dos Emirados Árabes Unidos.
Especialistas argumentam que a nova escalada tecnológica deve prolongar o conflito e ampliar os riscos para a aviação civil. Armas antiaéreas já foram encontradas em zonas de combate e podem cair nas mãos de milícias islâmicas ativas na região do Sahel, entre o Deserto do Saara e a savana do Sudão.
O Conflict Armament Research, empresa britânica que monitora o tráfico internacional de armas, afirma que forças militares regulares de outros países podem ter recebido originalmente parte do material encontrado no Sudão.
Em um dos estoques, os rótulos dos morteiros indicavam origem nos Emirados Árabes Unidos. Em outro, os mesmos tipos de armamento estavam com a identificação coberta por tinta preta.
RSF opera drones e sistema antiaéreo chinês
O RSF, acusado de crimes de guerra pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas (ONU), passou a usar drones explosivos e sistemas de mísseis sofisticados. Autoridades sudanesas capturaram em Cartum um dos sistemas de origem chinesa montado em caminhões.
As imagens dos estoques abandonados mostram equipamentos militares em estado de conservação impecável. A análise do Washington Post sugere que muitos chegaram ao local recentemente.
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As sanções impostas à RSF e ao Exército sudanês e o embargo da ONU em Darfur não conseguiram impedir a proliferação armamentista. A senadora Jeanne Shaheen, que lidera o comitê de Relações Exteriores no Senado dos EUA, cobrou novas medidas.
“O fluxo de armas para o Sudão está alimentando esta guerra devastadora”, disse Shaheen. “A comunidade internacional deve fazer mais para detê-la.”
Guerra no Sudão já matou 150 mil, mas número real é incerto
O conflito no Sudão começou em abril de 2023. Desde então, já provocou a maior crise humanitária do planeta. Metade da população precisa de comida. Doenças como cólera se espalham. E mais de 12 milhões de pessoas deixaram suas casas, segundo a ONU.
Não há dados atualizados sobre o número de mortos. Em maio de 2024, um enviado dos EUA ao país estimou 150 mil vítimas. Mas analistas consideram o número subestimado, já que o acesso ao território é limitado, e os combates continuam intensos.
Hospitais sofreram bombardeios. Crianças foram estupradas e recrutadas como soldados. Voluntários civis foram torturados e assassinados. A cidade de El Fashir, no oeste do país, sofre ataques constantes da RSF. Cerca de 250 mil pessoas vivem sob fome e bombardeio.
Batalha aérea intensifica massacre civil
Nos primeiros meses, o Exército sudanês manteve vantagem aérea. Bombardeou mercados e bairros civis em áreas sob controle da RSF. Com o tempo, os paramilitares responderam com drones suicidas e morteiros, sofisticando seus ataques.
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A corrida por controle do espaço aéreo transformou a guerra. Hoje, ambos os lados têm acesso a tecnologias que ameaçam diretamente civis, aeronaves e fronteiras vizinhas.
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