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Tempestades deixam mais 150 mortos na Espanha

Sul e leste do país foram as regiões mais afetadas; ainda há desaparecidos

Espanha presenciou mais chuva em 8 horas do que nos 20 meses anteriores | Foto: Reprodução/RTVE
Espanha presenciou mais chuva em 8 horas do que nos 20 meses anteriores | Foto: Reprodução/RTVE

Tempestades que atingiram a Espanha nos últimos dias mataram pelo menos 158 pessoas. É o pior desastre natural no país em décadas, informaram as autoridades locais. Chuvas intensas que começaram na terça-feira 29 causaram inundações no sul e leste da Espanha, desde Málaga até Valência.

Os serviços de emergência na região leste de Valência confirmaram 155 mortes. Outras duas vítimas foram relatadas na região de Castilla-La Mancha, enquanto a última vivia na Andaluzia.

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Enxurradas de lama arrastaram veículos pelas ruas junto de eletrodomésticos que foram arrancados das casas da região. A polícia e os serviços de resgate usaram helicópteros para recolher pessoas de seus imóveis, e barcos infláveis salvaram motoristas ilhados em cima de seus carros.

“Ontem foi o pior dia da minha vida”, disse Ricardo Gabaldón, prefeito de Utiel, uma cidade em Valência, à emissora nacional RTVE. Ele afirmou que seis moradores morreram e outros estão desaparecidos. “Ficamos presos como ratos. Carros e lixeiras desciam pelas ruas. A água subiu até 3 metros.”

O governo da Espanha decretou três dias de luto. O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, lamentou: “Para aqueles que buscam seus entes queridos, toda a Espanha sente a sua dor”.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez | Foto: Reprodução

O governo federal espanhol criou um comitê de crise para coordenar os esforços de resgate. Equipes com mais de mil socorristas das unidades de emergência da Espanha foram mobilizadas para as áreas afetadas.

O padeiro Javier Berenguer, de 63 anos, escapou de seu empreendimento em Utiel quando a água ameaçava submergir o local. Ele relatou que a água subiu até 2,5 metros dentro de sua padaria e teme que seu sustento tenha sido destruído.

“Precisei sair por uma janela como pude, porque a água já estava na altura dos meus ombros”, disse à agência de notícias Associated Press. “Perdi tudo. Vou ter que jogar tudo fora na padaria: os freezers, os fornos, tudo.”

Carros se acumulam aos rios de lama na Espanha | Foto: Reprodução/RTVE
Carros se acumulam aos rios de lama na Espanha | Foto: Reprodução/RTVE

Outra moradora de Utiel, María Carmen Martínez, testemunhou um resgate angustiante. “Havia um homem agarrado a uma cerca que estava caindo e chamava por ajuda,” contou. “Não conseguiram ajudá-lo até que os helicópteros chegaram e o retiraram.”

Na cidade de Paiporta, em Valência, as perdas foram ainda maiores. A prefeita, Maribel Albalat, disse à RTVE que mais de 30 pessoas morreram na cidade, que possui cerca de 25 mil habitantes. Entre elas, seis eram residentes de um asilo.

Idosos em cadeiras de rodas chamavam por ajuda enquanto a água subia até seus joelhos. “Não sabemos o que aconteceu, mas em dez minutos a vila estava transbordando de água,” disse Albalat.

Espanha presenciou mais chuva em 8 horas do que nos 20 meses anteriores

O serviço meteorológico nacional da Espanha afirmou que choveu mais em oito horas em Valência do que nos últimos 20 meses. Valência, localizada ao sul de Barcelona, na costa mediterrânea, é um destino turístico conhecido por suas praias.

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A região tem desfiladeiros e leitos de rios que passam a maior parte do ano completamente secos, mas que se enchem quando chove. Muitos desses rios atravessam áreas povoadas.

À medida que as enchentes diminuíam, camadas de lama tomavam as ruas. “O bairro está destruído, todos os carros estão empilhados uns sobre os outros, literalmente esmagados,” disse Christian Viena, dono de um bar na vila valenciana de Barrio de la Torre. “Está tudo um caos total, tudo pronto para ser jogado fora. A lama está a quase 30 centímetros de profundidade.”

Casas foram ao chão durante tempestades | Foto: Reprodução/RTVE
Casas foram ao chão durante tempestades | Foto: Reprodução/RTVE

A Espanha enfrentou tempestades semelhantes de outono em anos recentes, porém, com devastação menor. Na Alemanha e na Bélgica, 230 pessoas morreram em 2021.

Na tragédia deste ano, a estimativa é que o número de mortos aumente, pois ainda há pessoas desaparecidas, e as autoridades ainda não chegaram a todos os locais afetados.

“Estamos enfrentando uma situação muito difícil,” disse o ministro das políticas territoriais, Ángel Víctor Torres. “O fato de não podermos fornecer um número de pessoas desaparecidas indica a magnitude da tragédia.”

A Espanha ainda se recupera de uma severa seca, com temperaturas recordes, nos últimos anos. A estiagem prolongada dificulta a absorção de grandes volumes de água pelo solo. As tempestades também desencadearam um raro tornado e uma tempestade de granizo que perfurou janelas de carros e estufas.

O transporte também foi afetado. Um trem de alta velocidade com quase 300 pessoas descarrilou perto de Málaga, embora as autoridades ferroviárias afirmem que ninguém se feriu. O serviço de trem de alta velocidade entre Valência e Madrid foi interrompido, e o Ministério dos Transportes informou que pode levar até quatro dias para restaurar o serviço por causa dos danos na linha.

Equipes de resgate socorrem atingidos pelas tempestades na Espanha | Foto: Reprodução/RTVE
Equipes de resgate socorrem atingidos pelas tempestades na Espanha | Foto: Reprodução/RTVE

Linhas de ônibus e de trem suburbano também foram interrompidas. Muitos voos foram cancelados na noite de terça-feira 29, o que afetou cerca de 1,5 mil pessoas durante a noite no Aeroporto de Valência. Os voos foram retomados na quarta-feira 30.

Jogos de futebol das equipes Valencia e Levante foram cancelados, e jogadores do Barcelona e Real Madrid fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas da enchente antes do treino de quarta-feira.

O presidente regional de Valência, Carlos Mazón, pediu às pessoas que ficassem em casa, sob a alegação de que viajar por estrada era difícil devido a árvores caídas e veículos destruídos.

Os esforços de resgate foram dificultados por linhas de energia derrubadas e falta de eletricidade, e o serviço de emergência regional respondeu a cerca de 30 mil chamadas, segundo Mazón.

Leia também: “A chegada da tempestade”, reportagem publicada na Edição 135 da Revista Oeste

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