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UE anuncia aplicação provisória do acordo com o Mercosul

O tratado aguarda análise judicial na Europa e conclusão das ratificações no Brasil e no Paraguai

Top officials from the EU and the South American bloc Mercosur signed a free trade agreement on Saturday in Paraguay, paving the way for the European Union's largest-ever trade accord after 25 years of negotiations. The agreement, designed to lower tariffs and boost trade between the two regions, must now gain the consent of the European Parliament and be ratified by the legislatures of Mercosur members Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay.
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro | Foto: Reprodução/X

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta sexta-feira, 27, que a União Europeia (UE) dará início à aplicação provisória do acordo comercial firmado com o Mercosul, que estabelece a maior zona de livre-comércio do mundo.

O tratado ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Em janeiro, o colegiado decidiu encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar se o texto está em conformidade com os tratados do bloco.

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“Nas últimas semanas, tive conversas aprofundadas sobre este tema com os Estados membros e com os parlamentares”, declarou Von der Leyen em breve pronunciamento à imprensa. “Com base nisso, a Comissão avançará agora para a aplicação provisória.”

Lula Milei
Os representantes dos países do Mercosul em 20 de dezembro de 2025 | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Nesta quinta-feira, 26, o Uruguai tornou-se o primeiro país do Mercosul a ratificar o acordo, diante da aprovação integral no Legislativo. A Argentina foi o segundo, com aval do Senado em Buenos Aires.

Em Montevidéu, a Câmara uruguaia aprovou o texto por 91 votos a 2. Na véspera, o Senado do país já havia dado sinal verde de forma unânime. O governo de Yamandú Orsi deve promulgar o acordo nos próximos dias. O chanceler Mario Lubetkin acompanhou a votação da galeria.

Na Argentina, os deputados aprovaram o acordo provisório no último dia 12, por 203 votos favoráveis, 42 contrários e 4 abstenções. No Senado, a proposta passou com apoio da base do presidente Javier Milei: 69 votos a favor e 3 contra. A liderança governista defendia aprovação unânime como sinal político à Europa.

Restam agora as votações no Brasil — onde o texto ainda precisa passar pelo Senado — e no Paraguai para que o acordo esteja apto a vigorar plenamente entre os países sul-americanos signatários.

Antes de submeter o texto ao Senado, o governo brasileiro decidiu editar um decreto presidencial para atender setores do agronegócio que reagiram às salvaguardas criadas na Europa. Esses mecanismos podem suspender tarifas preferenciais para produtos considerados sensíveis. O conteúdo do decreto deve ser divulgado nos próximos dias.

Também na quinta-feira, o assessor especial da Presidência Celso Amorim afirmou que, caso os europeus exagerem na aplicação das salvaguardas, o Brasil deverá agir com “reciprocidade”.

Plenário do Parlamento Europeu, órgão legislativo da União Europeia
Plenário do Parlamento Europeu, órgão legislativo da União Europeia | Foto: Divulgação/UE

O tratado poderá entrar em vigor de forma bilateral, entre um país do Mercosul e o bloco europeu, caso a Comissão Europeia opte pela vigência provisória — prerrogativa ainda não exercida.

A estratégia de acelerar a tramitação nos Legislativos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai buscou pressionar a UE, onde o processo enfrenta entraves. Diplomatas brasileiros e europeus ouvidos sob anonimato avaliam que a ratificação célere na América do Sul pode estimular avanço semelhante na Europa. Como o acordo foi judicializado, a consequência política pode ser sua aplicação provisória imediata.

A Comissão Europeia tem respaldo legal para implementar provisoriamente a parte comercial do acordo, embora haja resistências internas. Ursula Von der Leyen ainda não formalizou decisão definitiva.

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: Justin Tallis/Reuters
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: Justin Tallis/Reuters

Dias atrás, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu a ideia de que o acordo passe a valer provisoriamente assim que o primeiro país sul-americano concluir a ratificação.

No fim de janeiro, o Parlamento Europeu decidiu, por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, submeter o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Os parlamentares pedem análise sobre a legalidade de procedimentos como a separação das partes comercial e política do acordo para acelerar sua tramitação, além da compatibilidade com normas do bloco.

Segundo diplomatas europeus, o exame jurídico pode se estender por até dois anos. Um representante da UE, porém, afirmou reservadamente que os questionamentos apresentados seriam apenas protelatórios e já teriam sido discutidos e superados durante as negociações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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