As Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF, na sigla em inglês) afirmaram que abateram um avião de transporte Il-76 da Força Aérea Sudanesa próximo à cidade de Babanusa, no oeste do país. O ataque ocorreu nesta terça-feira, 4. A informação é do blog Defence, com repercussão no site United24, meio digital de notícias da Ucrânia que cobre conflitos. As publicações indicam que cinco russos que estariam a bordo morreram.
Um vídeo divulgado pela RSF no Twitter/X mostra a queda de um objeto branco que seria a aeronave. Em seguida, destaca do mesmo modo destroços com características compatíveis com o modelo Il-76. O avião tinha como finalidade transportar principalmente tropas, equipamentos e suprimentos em rotas internas. A queda ocorreu em meio aos combates entre a RSF e o Exército regular.
Sudão: origem da aeronave
Canais russos no Telegram afirmam que a aeronave estava sendo operada por uma tripulação civil russa contratada. Segundo essas fontes, o avião havia sido comprado no Quirguistão cerca de seis semanas antes, por US$ 12 milhões. As mensagens afirmam ainda que “a tripulação era formada por cidadãos russos”, mas não há confirmação sobre o destino deles.
O perfil Clash Report sugeriu que a RSF utilizou um sistema de defesa aérea FK-2000, de fabricação chinesa, supostamente fornecido pelos Emirados Árabes Unidos. Nem a RSF nem o Exército sudanês confirmaram oficialmente o armamento empregado.
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Babanusa fica em Kordofan Ocidental, em uma rota que liga Cartum ao sul do país. O controle dessas linhas de abastecimento é central na disputa territorial. O conflito já dura mais de um ano e levou milhões de pessoas ao deslocamento forçado.
A RSF e os interesses internos e externos
A RSF é um grupo paramilitar formado a partir das milícias Janjaweed, acusadas de violações de direitos humanos em Darfur. Por anos, atuou integrada ao Estado. A ruptura com o Exército em 2023 desencadeou a guerra atual. Hoje, a RSF controla sobretudo áreas urbanas e rurais e disputa assim poder direto com as Forças Armadas do Sudão. Ela recebe apoio logístico e financeiro dos Emirados Árabes Unidos. Além disso, conta com rotas e facilitação do grupo ligado ao general Khalifa Haftar, no leste da Líbia.
Esse respaldo se consolidou principalmente pela exploração de minas de ouro controladas pelo RSF, fonte estratégica de financiamento. Do outro lado, o Exército sudanês conta com o apoio do Egito, que vê na manutenção das Forças Armadas nacionais uma garantia de estabilidade regional e proteção de suas fronteiras.
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