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'Xá' promete retorno ao Irã

Herdeiro do trono, Reza Pahlavi planeja transição para democracia

Reza Pahlavi, herdeiro presumido do trono do Irã | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Reza Pahlavi, herdeiro presumido do trono do Irã | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Nos protestos para a derrubada da ditadura do Irã, tremulam bandeiras do regime anterior ao da República Islâmica: a monarquia laica, pró-Ocidente. Em meio às manifestações, o príncipe Reza Pahlavi, de 65 anos, herdeiro presumido do trono, declarou-se disposto a retornar ao país para liderar a transição para a democracia. O anúncio aconteceu durante uma coletiva de imprensa, na sexta-feira 16, nos Estados Unidos, onde vive no exílio.

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“Retornarei ao Irã”, disse Pahlavi. “Estou em uma posição única para garantir uma transição estável. Essa não é a minha opinião, é o veredito entregue alto e claro pelo povo diante das balas. Grandes setores do Exército e das forças de segurança já se recusaram a participar da matança de civis.”

Filho de Mohammad Reza Shah Pahlavi, xá deposto em 1979 e último monarca do Irã, o príncipe é iraniano de nascimento. Ele deixou o país ao lado da família no mesmo ano em que a monarquia foi abolida. O pai morreu em decorrência de um câncer, em 1980, e o filho reivindica o trono desde então.

Plano para o Irã

O príncipe disse planejar a transição do país para uma democracia. Ele afirmou que milhões de iranianos estão unidos em torno de quatro pilares centrais para reconstruir o país: “A integridade territorial do Irã, a separação entre religião e Estado, as liberdades individuais e a igualdade de todos os cidadãos e o direito do povo iraniano de decidir, de forma democrática, o governo.”

Durante a coletiva, Pahlavi também declarou que o povo iraniano odeia o regime dos aiatolás e ama os EUA. “O Irã livre e democrático que emergir viverá em paz com nossos vizinhos. Será um motor de crescimento e oportunidade na região e no mundo”, declarou.

Protestos contra a ditadura

No fim de 2025, iranianos passaram a sair às ruas do país em uma onda de protestos. Inicialmente, as manifestações eram contra o aumento no custo de vida. Conforme o movimento ganhou força, a reivindicação se tornou a queda do regime: a ditadura de cunho muçulmano, no poder desde 1979, quando o aiatolá Ruhollah Khomeini se tornou o Líder Supremo do Irã, e o país passou de monarquia laica para República Islâmica.

Khomeini ficou no poder até 1989, quando morreu. Em seu lugar, assumiu como Líder Supremo Ali Khamenei, outro aiatolá — a palavra aiatolá é o termo árabe para “sinal de Deus”, um título aplicado a clérigos do alto escalão dentro da vertente xiita do islã.

“Assim como Saddam Hussein afogou os pântanos em sangue e Bashar al-Assad lançou bombas de barril contra seus próprios filhos, Ali Khamenei e seus capangas cometeram crimes em massa contra o povo iraniano e contra toda a humanidade”, declarou Pahlavi na coletiva de sexta-feira. “E, assim como essas outras tiranias, a República Islâmica cairá. Não se, mas quando.”

Leia também: “Líder supremo do Irã admite que houve mortes durante os protestos no país

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