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No Ponto

Decisão sobre vice de Haddad foi de Lula e contrariou Márcio França

Ex-governador de São Paulo queria disputar o Senado ou concorrer novamente ao Palácio dos Bandeirantes

Haddad anuncia Márcio França como vice na disputa pelo governo de SP
Márcio França (à dir.) foi escolhido candidato a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

A escolha de Márcio França (PSB) como candidato a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo foi decidida por Luiz Inácio Lula da Silva, devido à dificuldade de Haddad em formar sua chapa para as eleições de outubro. França, que desejava concorrer ao Senado ou ao governo, acabou aceitando a vice após uma reunião em Brasília.

A escolha do ex-governador de São Paulo e ex-ministro Márcio França (PSB) para ser candidato a vice na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes, anunciada na semana passada sob a roupagem de “união das esquerdas” contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A reportagem de Oeste apurou que o chefão petista assumiu a liderança das negociações com o PSB, aliado histórico do PT, diante das dificuldades e da demora do próprio Haddad em construir sua chapa ao governo do Estado para as eleições de outubro deste ano. França queria ser candidato ao Senado ou ao governo do Estado na cabeça da chapa, mas foi voto vencido.

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Lula ‘bateu o martelo’

Na última quarta-feira, 24, Lula recebeu Haddad e França para uma reunião decisiva sobre o tema no Palácio do Planalto, em Brasília. O encontro ainda contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), aliado e amigo de França – que foi seu vice-governador em São Paulo, entre 2015 e 2018.

Àquela altura, França ainda resistia a aceitar a indicação para a vice de Haddad. Desde o início do ano, o ex-ministro do Empreendedorismo se apresentou como pré-candidato ao Senado Federal e começou a rodar o Estado em busca de apoio, dialogando com deputados, prefeitos e pré-candidatos de diversos municípios.

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As discussões sobre a composição da chapa do PT em São Paulo se transformaram em impasse depois que o próprio Lula convenceu Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento, a concorrer ao Senado pelo Estado – ela deixou o MDB e migrou para o PSB. A vaga restante passou, então, a ser disputada entre França e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), que contava com o apoio do Psol, outra legenda que orbita o petismo.

Depois de perder espaço para concorrer ao Senado, Márcio França passou a defender, nos bastidores, a necessidade de mais uma candidatura ao governo de São Paulo, principalmente depois das desistências de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) da corrida eleitoral.

Segundo França, com apenas dois nomes na disputa do Palácio dos Bandeirantes – Tarcísio, candidato à reeleição, e Haddad –, há chances reais de o pleito ser decidido ainda no primeiro turno com a vitória do atual governador. Nesse caso, o próprio França se colocou à disposição para concorrer ao governo estadual. Ao fim e ao cabo, foi novamente preterido.

Esta não foi a primeira vez que França teve de aceitar uma determinação do PT para a disputa eleitoral. Em 2022, ele pretendia ser candidato ao governo do Estado, mas abriu mão em prol de Fernando Haddad, a quem apoiou. Na ocasião, França disputou o Senado e perdeu a eleição para o Astronauta Marcos Pontes (PL), que teve 49,68% dos votos. O candidato do PSB ficou em segundo lugar, com 36,27%. Como havia apenas uma cadeira em disputa, ele não foi eleito.

simone tebet lula
A ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet deixou o MDB e migrou para o PSB, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para disputar o Senado por São Paulo | Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Haddad e França pensavam em mulher como vice

Outro ponto divergente entre Márcio França e Lula na definição sobre a candidatura a vice de Haddad envolveu justamente os nomes de Tebet e Marina. O ex-governador de São Paulo alegou que a vice ideal do candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes seria uma mulher, em nome da diversidade da chapa, em um eventual aceno ao eleitorado feminino.

Nesse caso, Tebet ou Marina ocupariam a vice e abririam uma vaga para França ao Senado. Até alguns meses atrás, o próprio Fernando Haddad também esperava compor a chapa ao governo do Estado com uma mulher. Ambos foram votos vencidos, e a decisão de Lula prevaleceu.

Em entrevista coletiva durante o anúncio de França como candidato a vice, Haddad foi questionado sobre a chapa 100% masculina e negou incômodo. “Nossa chapa já é paritária, tem dois homens e duas mulheres”, afirmou.

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“Para mim, é muito importante a presença feminina. Nas minhas disputas majoritárias, eu quase sempre contei com uma mulher como vice. Estou bastante confortável com o fato de termos Simone e Marina conosco.”

Em entrevista ao Metrópoles, na quinta-feira 25, França admitiu que a decisão de Lula foi em sentido contrário ao que ele desejava. “Eles têm uma visão diferente da gente em muitas coisas. Essa coisa da composição homem-mulher, por exemplo”, disse França. “Eu achava que sim [que uma vice mulher fortaleceria a chapa]. O Haddad também achava que sim.”

França foi além: “Quando todo mundo quer ser candidato ao Senado e ninguém se coloca à disposição [para outro cargo], dá impressão de que cada um está com problema individual. O certo é que cada um faça o projeto principal, que era do Lula e do Alckmin”.

“Eu fui o primeiro a dizer: olha, a gente vem para cá para colocar o nome para o que o presidente indicar”, contemporizou o ex-governador de São Paulo.

Costura política envolve PT e PSB em Pernambuco

Por fim, segundo apuração de Oeste, a indicação de Márcio França como candidato a vice de Haddad seguiu uma lógica eleitoral mais ampla, com foco no cenário nacional. Sem a candidatura de França ao Senado por São Paulo, o PSB receberá, em troca, o apoio irrestrito e exclusivo de Lula à candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco. Ele é filho do ex-governador Eduardo Campos (1965-2014) e hoje ocupa a presidência nacional do PSB.

Nas últimas semanas, o PSB se irritou com a aproximação entre Lula e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, que vem crescendo nas pesquisas e já aparece à frente de Campos em alguns levantamentos. Dirigentes socialistas temiam um possível palanque duplo de Lula no Estado, com apoio velado à governadora.

Pernambuco é o grande reduto nacional do PSB, que governou o Estado entre 2011 e 2023. Em 2022, Raquel Lyra, então no PSDB, interrompeu a hegemonia socialista e venceu a eleição. Com João Campos, o partido espera retomar o comando do Palácio do Campo das Princesas.

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A trajetória de Márcio França

Márcio França já ocupou o cargo de vice-governador de São Paulo, entre 2015 e 2018, durante a gestão de Geraldo Alckmin (que, na época, estava no PSDB).

Em 2018, depois que Alckmin se desincompatibilizou do posto para se candidatar à Presidência da República, França assumiu a cadeira de titular do Palácios dos Bandeirantes.

Naquele mesmo ano, no cargo, França foi candidato à reeleição, mas acabou derrotado pelo então prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), no segundo turno.

Em sua trajetória política, Márcio França também foi prefeito de São Vicente (SP) por dois mandatos, entre 1997 e 2004; deputado federal (2007-2015); secretário estadual de Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo (2011-2015); secretário estadual do Desenvolvimento (2015); e ministro de Portos Aeroportos (2023) e do Empreendedorismo (2023-2026).

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A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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