Nesta terça-feira, 9, a defesa de Filipe Martins afirmou que pôs em xeque a suposta minuta golpista citada pelo tenente-coronel Mauro Cid na delação premiada.
Receba nossas atualizações
Conforme os advogados Ricardo Sheiffer e Jeffrey Chiquini, a “minuta do golpe” é incompatível com registros oficiais, versões anteriores do próprio militar e dados técnicos recuperados do celular do próprio Cid.
As informações constam em um dossiê técnico usado pela defesa — incluindo o material apresentado em slides, com análises documentais, registros do GSI, dados de deslocamento, declarações de autoridades e a cronologia dos autos.
O conteúdo sugere que Cid criou o documento, tentou validá-lo com comandantes militares e, posteriormente, montou uma estratégia para atribuir a autoria a Martins.
Defesa de Filipe Martins fala em versões contraditórias

Um dos trechos do material revela quatro versões distintas fornecidas por Cid sobre o momento no qual a minuta teria sido apresentada ao então comandante do Exército, general Freire Gomes.
Segundo o dossiê da defesa, são elas:
- Versão 1 — Martins teria apresentado o documento ao delator para correções;
- Versão 2 — Filipe não apresentou documento algum, porque “estava tudo no computador”;
- Versão 3 — O documento teria sido entregue impresso, com Filipe sentado ao lado do delator;
- Versão 4 — Filipe não entregou a minuta, mas Cid a teria visto impressa quando Filipe se aproximou de sua mesa.
A defesa sustenta que as versões reforçam a tese de que Cid construiu uma “narrativa” posterior para tentar se blindar e transferir responsabilidade criminal a terceiros.
Advogados afirmam que registros oficiais do GSI apresentam falhas e adulterações
O dossiê também aponta inconsistências em registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) referentes aos dias-chave da investigação.
Entre os achados:
- diferença de caligrafia na letra “G” de “SGT”;
- alteração perceptível na partícula “mes” de “Gomes”;
- divergência gráfica evidente no “to” de “Neto”;
- incompatibilidades com a assinatura original do sargento responsável.
“Os registros do GSI são imprestáveis”, disse a defesa, ao mencionar que não podem ser usados como base confiável para validar deslocamentos nem encontros atribuídos a Martins.
Dados da Uber
Outro ponto abordado pela defesa são os dados de deslocamento da Uber referentes ao dia 7 de dezembro de 2022, no qual teria ocorrido uma reunião golpista.
Pelos registros, não há compatibilidade entre a rota percorrida por Filipe e a versão dos fatos narrada por Cid.
Ou seja, os encontros descritos pelo ex-ajudante não ocorreram nos horários alegados.
A defesa sustenta que a cronologia correta esvazia completamente a possibilidade de Martins ter participado do suposto núcleo operacional da minuta.
Depoimentos de autoridades militares
Na peça, os advogados observaram que interrogatórios oficiais reforçam que a suposta minuta foi levada aos comandantes militares por Cid, e não por Martins.
Depoimentos mencionados:
- Jair Bolsonaro (10/6/2022): “O assessor que estava na reunião era o próprio Mauro Cid.”
- Almirante Almir Garnier (10/6/2022): “O assessor que apresentou os considerandos foi o próprio coronel delator.”
PGR
O dossiê destaca que a denúncia e as alegações finais da PGR adotam como premissas datas e sequências incompatíveis entre si, listando eventos de 18/11, 6/12, 7/12 e 9/12 de 2022 que não se sustentam documentalmente — seja por registros oficiais, seja pelas inconsistências citadas.
A defesa também questiona o suposto “núcleo jurídico” descrito pela Procuradoria-Geral da República, afirmando que não há prova material que vincule Filipe à elaboração da minuta, enquanto há elementos que:
- ligam Cid diretamente ao documento;
- mostram sua tentativa de convencer comandantes;
- revelam adulterações documentais posteriores.
A defesa afirma que a motivação de Cid é clara: blindar-se judicialmente e construir um “culpado útil”.
Leia também: “Constituição em frangalhos”, artigo publicado na Edição 299 da Revista Oeste
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].







































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.