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No Ponto

Defesa de Martins revela documentos e contesta suposta minuta golpista

Advogados apontaram contradições na delação do tenente-coronel

filipe martins
O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais Filipe Martins instantes depois de receber a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador — 6/7/2019 | Foto: Filipe Martins/X

Nesta terça-feira, 9, a defesa de Filipe Martins afirmou que pôs em xeque a suposta minuta golpista citada pelo tenente-coronel Mauro Cid na delação premiada.

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar hoje a ação na qual o ex-assessor da Presidência para Assuntos Internacionais é réu.

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Conforme os advogados Ricardo Sheiffer e Jeffrey Chiquini, a “minuta do golpe” é incompatível com registros oficiais, versões anteriores do próprio militar e dados técnicos recuperados do celular do próprio Cid.

As informações constam em um dossiê técnico usado pela defesa — incluindo o material apresentado em slides, com análises documentais, registros do GSI, dados de deslocamento, declarações de autoridades e a cronologia dos autos.

O conteúdo sugere que Cid criou o documento, tentou validá-lo com comandantes militares e, posteriormente, montou uma estratégia para atribuir a autoria a Martins.

Defesa de Filipe Martins fala em versões contraditórias

chiquini
O ministro Alexandre de Moraes (à esq.) e o advogado Jeffrey Chiquini (à dir.), durante sustentação oral na 1ª Turma do STF, que julga o núcleo 3 da suposta trama golpista – 12/11/2025 | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Um dos trechos do material revela quatro versões distintas fornecidas por Cid sobre o momento no qual a minuta teria sido apresentada ao então comandante do Exército, general Freire Gomes.

Segundo o dossiê da defesa, são elas:

  1. Versão 1 — Martins teria apresentado o documento ao delator para correções;
  2. Versão 2 — Filipe não apresentou documento algum, porque “estava tudo no computador”;
  3. Versão 3 — O documento teria sido entregue impresso, com Filipe sentado ao lado do delator;
  4. Versão 4 — Filipe não entregou a minuta, mas Cid a teria visto impressa quando Filipe se aproximou de sua mesa.

A defesa sustenta que as versões reforçam a tese de que Cid construiu uma “narrativa” posterior para tentar se blindar e transferir responsabilidade criminal a terceiros.

Advogados afirmam que registros oficiais do GSI apresentam falhas e adulterações

O dossiê também aponta inconsistências em registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) referentes aos dias-chave da investigação.

Entre os achados:

  • diferença de caligrafia na letra “G” de “SGT”;
  • alteração perceptível na partícula “mes” de “Gomes”;
  • divergência gráfica evidente no “to” de “Neto”;
  • incompatibilidades com a assinatura original do sargento responsável.

“Os registros do GSI são imprestáveis”, disse a defesa, ao mencionar que não podem ser usados como base confiável para validar deslocamentos nem encontros atribuídos a Martins.

Dados da Uber

Outro ponto abordado pela defesa são os dados de deslocamento da Uber referentes ao dia 7 de dezembro de 2022, no qual teria ocorrido uma reunião golpista.

Pelos registros, não há compatibilidade entre a rota percorrida por Filipe e a versão dos fatos narrada por Cid.

Ou seja, os encontros descritos pelo ex-ajudante não ocorreram nos horários alegados.

A defesa sustenta que a cronologia correta esvazia completamente a possibilidade de Martins ter participado do suposto núcleo operacional da minuta.

Depoimentos de autoridades militares

Na peça, os advogados observaram que interrogatórios oficiais reforçam que a suposta minuta foi levada aos comandantes militares por Cid, e não por Martins.

Depoimentos mencionados:

  • Jair Bolsonaro (10/6/2022): “O assessor que estava na reunião era o próprio Mauro Cid.”
  • Almirante Almir Garnier (10/6/2022): “O assessor que apresentou os considerandos foi o próprio coronel delator.”
PGR

O dossiê destaca que a denúncia e as alegações finais da PGR adotam como premissas datas e sequências incompatíveis entre si, listando eventos de 18/11, 6/12, 7/12 e 9/12 de 2022 que não se sustentam documentalmente — seja por registros oficiais, seja pelas inconsistências citadas.

A defesa também questiona o suposto “núcleo jurídico” descrito pela Procuradoria-Geral da República, afirmando que não há prova material que vincule Filipe à elaboração da minuta, enquanto há elementos que:

  • ligam Cid diretamente ao documento;
  • mostram sua tentativa de convencer comandantes;
  • revelam adulterações documentais posteriores.

A defesa afirma que a motivação de Cid é clara: blindar-se judicialmente e construir um “culpado útil”.

Leia também: “Constituição em frangalhos”, artigo publicado na Edição 299 da Revista Oeste

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