O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) garante que será candidato ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. Apesar de ser o principal nome conservador para a Casa Alta, setores do Progressistas (PP) avaliam tirá-lo da disputa.
“Não existe nenhuma discussão nesse sentido”, disse o deputado a Oeste. “Tenho total respaldo do partido e sigo construindo minha pré-candidatura de forma muito sólida. Estou mais firme do que nunca.”
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Nos bastidores, dirigentes do PP passaram a discutir a conveniência de manter Derrite na disputa pelo Senado. Um dos fatores que pesam contra o deputado é a entrada do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), na corrida eleitoral. Embora seja pouco conhecido nacionalmente, André terá como principal fiador o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que será suplente na chapa do PL à Casa Alta. A avaliação do PP é que esse movimento aumentará a pulverização do eleitorado conservador no Estado, pois há ainda um terceiro nome na disputa: o do deputado federal Ricardo Salles (Novo).
Derrite cita apoio de Flávio e Tarcísio
Além disso, outro episódio desgastou a relação de Derrite com o PP. Antes do fim da janela partidária, o deputado negociou um retorno ao PL para disputar o Senado pela legenda de Jair Bolsonaro. Oeste revelou a articulação no mês passado. Apesar das ressalvas de setores do PP, Derrite se resguarda no acordo que firmou com lideranças conservadoras ao decidir se filiar à atual legenda. “Migrei de partido dentro de um acordo político construído entre as principais lideranças do nosso campo e tenho confiança na palavra firmada durante esse processo, além do apoio do governador Tarcísio de Freitas e do senador Flávio Bolsonaro”, declarou.
Como mostrou Oeste, aliados de Flávio tratam o deputado como nome provável para comandar a Segurança Pública em eventual governo bolsonarista. Em março, por exemplo, Flávio anunciou, ao lado de Derrite, a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública caso seja eleito presidente da República. No PP, parte da direção avalia que o partido correria risco de perder espaço no Senado caso Derrite fosse eleito e deixasse o mandato para assumir um ministério. Nesse cenário, a vaga ficaria com o suplente. A primeira suplência deve ser ocupada por José Vicente Santini, assessor especial de Tarcísio e chefe do escritório do governo paulista em Brasília.
Câmara descartada
Há também um cálculo eleitoral e financeiro dentro do PP. Integrantes do partido acreditam que Derrite seria mais útil disputando uma vaga na Câmara. Como puxador de votos, o deputado poderia ampliar a bancada do Progressistas em São Paulo. Esse cálculo leva em conta o impacto do desempenho eleitoral na distribuição da verba do Fundão. Pelas regras do TSE, parte dos recursos públicos de campanha é distribuída conforme o desempenho dos partidos na eleição para deputado federal.
Apesar das articulações internas, Derrite afirma que seguirá na disputa e minimiza os rumores sobre eventual recuo. “As especulações fazem parte do ambiente político, especialmente quando se trata de uma eleição majoritária importante como a do Senado”, afirmou.
Em alta nas pesquisas
O deputado citou levantamentos eleitorais para sustentar a viabilidade da candidatura. “As próprias pesquisas divulgadas até aqui mostram um cenário positivo no campo da direita, com meu nome entre os mais bem posicionados e liderando em diferentes cenários”, salientou. “Isso demonstra reconhecimento ao trabalho realizado e consistência da nossa construção política.”
Segundo Derrite, a prioridade agora é manter a articulação política e fortalecer o projeto eleitoral. “Tenho uma relação respeitosa com o partido e com as principais lideranças do nosso campo político”, relatou. “Meu foco continua sendo trabalhar, entregar resultados e construir um projeto forte para São Paulo e para o Brasil.”
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