O empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, articula nos bastidores uma aproximação com políticos de direita e de esquerda para tentar conter os desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que o pôs no centro de uma das maiores investigações sobre sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. De acordo com relatos obtidos por Oeste, novas fases da investigação estão em andamento e já provocam tensão entre os possíveis alvos. Magro sabe disso.
Nos últimos meses, o dono da Refit passou a ser citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conversas diplomáticas. Em dezembro, por exemplo, o petista relatou ter mencionado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, o maior devedor deste país, mora em Miami”. Foi uma referência ao empresário.
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Como resposta, Magro passou a buscar caminhos para se aproximar de Lula. Ele quer diálogo com o entorno petista, embora atribua aos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) parte dos problemas que enfrenta na Justiça do Brasil. Magro sabe que, no começo de março, Lula viajará aos EUA para se reunir com Trump. A conversa terá como pauta as tarifas comerciais e o combate ao crime organizado, o que incluiria nova menção à Refit.
Em coletiva de imprensa neste domingo, 22, na Índia, Lula voltou a citar indiretamente o nome de Magro. “Queremos prendê-lo”, disse o presidente. “Essa pessoa mora em Miami. Mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele. Queremos essa pessoa no Brasil. Se é para combater o crime organizado, então, nos entregue.”
Dono da Refit quer apoio da direita
O empresário também busca interlocução com líderes da oposição ao governo Lula. Como revelou Oeste, Magro almoçou em Lisboa com o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ). O almoço ocorreu na última sexta-feira, 20, no restaurante JNcQUOI Avenida. O encontro se deu fora da agenda oficial. Altineu é um dos principais articuladores do PL no Rio de Janeiro e participa ativamente das discussões sobre o futuro do partido no Estado, ao lado do governador Cláudio Castro e do senador Flávio Bolsonaro.
No meio jurídico, o dono da Refit mantém proximidade com o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU). O nome de Tiago já apareceu em denúncias formais da Procuradoria-Geral da República, que o acusou, juntamente do pai, de tráfico de influência ao receber recursos de empreiteiras para intervir em julgamentos no TCU. Esse episódio envolveu contratos bilionários e pagamentos registrados em Brasília e São Paulo, embora o STF tenha rejeitado a denúncia posteriormente.
Entenda a Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema bilionário de sonegação e lavagem no setor de combustível, ainda não encerrou seus desdobramentos.
O Grupo Refit, responsável pela antiga refinaria de Manguinhos e apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores do país, com passivo que supera R$ 25 bilhões, permanece sob escrutínio.
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VERMES NADANDO NO ESGOTO….