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No Ponto

Gusttavo Lima, charutos e vinhos: como foi o jantar pós-posse de Nunes Marques

Autoridades dos Três Poderes prestigiaram o novo presidente do TSE em festança promovida por associação de magistrados

nunes marques
O presidente do TSE, Nunes Marques, cumprimenta seu vice, André Mendonça, depois de ambos tomarem posse no comando do TSE - 12/5/2026 | Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

A posse de Nunes Marques e André Mendonça no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira 12, teve protocolo, discursos e 1,5 mil convidados no plenário da Corte. A verdadeira celebração, no entanto, ocorreu horas depois.

Longe dos holofotes institucionais, a elite política e judicial de Brasília se reuniu às margens do Lago Paranoá para um jantar exclusivo marcado por música ao vivo, charutos e espumantes.

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O convite para a celebração no espaço de eventos Villa Rizza, no Setor de Clubes Esportivos Sul, custou R$ 800 por pessoa (quase mil compraram o ingresso vendido pela Associação dos Juízes Federais do Brasil, a organizadora do evento). Sob iluminação âmbar, arranjos florais monumentais e vista privilegiada para o lago, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do TSE, advogados, empresários e familiares de autoridades circularam entre mesas reservadas nominalmente para integrantes da cúpula do Judiciário.

Garçons serviam uísque Macallan (a garrafa mais barata custa por volta de R$ 700), espumante Chandon, vinho Miolo Sesmarias e drinques como Negroni, Aperol, Moscow Mule e gim tônica enquanto convidados transitavam pelo salão e pelas áreas externas do espaço. Ao fundo, uma banda ocupava o palco montado para a confraternização. Cantaram Sombrinha, Jorge Aragão, Dudu Nobre e Ivo Meirelles. Além deles, foi possível ver outras figuras que destoam do mundo da política, como o cantor sertanejo Gusttavo Lima e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo.

O cardápio teve peixe, filé mignon ao molho madeira, risoto de queijo grana padano, massa e salada. De sobremesa, foram servidas tortas, mousse de chocolate e churros de banana.

No ambiente externo do evento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumava charuto (havia das marcas Cohiba Lanceros, de R$ 4 mil, e MonteCristo, de R$ 200) ao lado do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, diante da vista iluminada do Paranoá. Em outro ponto do salão, o ministro André Mendonça comia acompanhado da família e recebia cumprimentos de convidados.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece sentado no sofá, entre dois homens, fumando charuto - 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
O ministro Floriano de Azevedo Marques (à esq,) fuma charuto ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante festa pós-posse de Nunes Marques na presidência do TSE – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
A ministra Isabel Gallotti, do STJ, prestigia o novo presidente do TSE, Nunes Marques – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
A advogada Guiomar Feitosa, na festa de Nunes Marques – 12/5/2026 | Foto: Divulgação
O vice-presidente do TSE, André Mendonça, durante jantar em sua homenagem – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Organização das mesas no jantar pós-posse do presidente Nunes Marques – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Jantar pós-posse do ministro Nunes Marques – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Lista de bebidas da festa do presidente Nunes Marques, do TSE – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Lista de bebidas da festa do presidente Nunes Marques, do TSE – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
Banda toca no jantar pós-posse do ministro Nunes Marques – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste
O presidente do TSE, Nunes Marques, no jantar pós-posse em Brasília – 12/5/2026 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

Também compareceu ao jantar o decano do STF, Gilmar Mendes, acompanhado da namorada, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho Morgana Richa. O casal interagiu com vários convidados, entre eles, Maria Cláudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE, e Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e do STF. A advogada Guiomar Feitosa, ex-mulher do magistrado, marcou presença e conversou com diversas personalidades que vinham ao seu encontro. Participaram ainda Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Raul Araújo, todos do STJ. Da classe política, vieram o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e até o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Ao longo da noite, autoridades conversavam em pequenos grupos espalhados por varandas e mesas do espaço. Seguranças acompanhavam discretamente a movimentação.

A cena ajudava a traduzir uma característica frequentemente associada a Brasília: a convivência íntima entre os personagens centrais do poder brasileiro. Na capital federal, magistrados, políticos, empresários, artistas e integrantes do alto funcionalismo frequentemente compartilham não apenas agendas institucionais, mas também festas, jantares e círculos sociais.

Do lado de fora, Brasília seguia silenciosa, marcada pelas avenidas largas e pela arquitetura monumental. Dentro do salão, porém, a atmosfera lembrava menos uma capital republicana e mais uma espécie de corte tropical erguida no cerrado, onde o poder circula entre charutos, espumantes e relações cultivadas longe dos plenários.

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Cerimônia de posse de Nunes Marques no TSE

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Ministro Kassio Nunes Marques | Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Mais cedo, na solenidade de posse no TSE, Nunes Marques defendeu uma Justiça Eleitoral “neutra”.

“Cabe a nós assegurar que o cidadão possa exercer sua escolha sem receio, sem constrangimento”, disse Nunes Marques. “Sem fraude e, ademais, bem informado. A neutralidade institucional da Justiça Eleitoral é precisamente o que lhe permite servir à liberdade política de todos.”

O presidente do TSE disse que a Justiça Eleitoral não tem a missão de substituir a soberania popular, mas protegê-la. “Não nos cabe escolher vencedores, nem orientar preferências políticas”, observou. “Devemos atuar com independência, equilíbrio e prudência, sem omissão diante de ameaças concretas ao processo democrático. Mas também sem incorrer em excessos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.”

O ministro fez uma referência especial à população brasileira, os eleitores responsáveis por elegerem seus representantes. “Todo poder emana do povo”, relembrou.

Leia também: “O aparato de vigilância do TSE”, reportagem publicada na Edição 215 da Revista Oeste

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7 comentários
  1. Antônio de Padua de Oliveira
    Antônio de Padua de Oliveira

    SERIA ESSA FESTANÇA SEMELHANTE AO ÚLTIMO BAILE DA ILHA FISCAL ?

  2. Ana Cláudia Chaves da Silva
    Ana Cláudia Chaves da Silva

    Eles vivem num mundo a parte, como na época da realeza. A ralé trabalha, paga impostos altíssimos, eles desfrutam das delícias da vida, fazem acordos, conchavos, fumam charutos caríssimos, comem do melhor.
    E o mais impressionante: colocam a cabeça no travesseiro e dormem feito bebês.

  3. Cláudio
    Cláudio

    Enquanto isso ,idiotas ficam se digladiando nas redes sociais por causa desses marajás do alto escalão…

  4. Eduardo Fortkamp
    Eduardo Fortkamp

    É uma cambada de deslumbrados com os títulos. Pobreza de espírito total. É difícil o país ir pra frente com essa cambada de novos ricos despreparados, incompetentes e por que não dizer, maus caráter.

  5. Denis R.
    Denis R.

    Segundo a mídia os ingressos foram custeados pelos próprios participantes. Apesar disso sabemos que, indiretamente, ao menos no caso dos magistrados, quem realmente paga é o povo visto a quantidade de penduricalhos que eles recebem nos salários. Bancar um jantar de três horas, que custa meio salário mínimo, é realmente “fichinha” nestes círculos nos quais os milhões circulam tão facilmente!

  6. Antonio Fernandes Kopf
    Antonio Fernandes Kopf

    Não me convidaram pra essa festa pobre, que os homens armaram, pra me convencer, a pagar sem ver…

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