publicidade
No Ponto

Governo reage à nova tarifa dos EUA e volta a falar em Lei da Reciprocidade

Planalto classifica medida ligada a trabalho forçado como 'arbitrária e injustificada' e afirma que levará disputa contra Washington à OMC

Trump e Lula
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O governo brasileiro reagiu à nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, anunciando que iniciará procedimentos para recorrer à Lei da Reciprocidade e questionará a medida na Organização Mundial do Comércio (OMC). A tarifa resulta de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre políticas de diversos países em relação ao trabalho forçado, afetando cerca de 60 nações. A alíquota brasileira inclui exceções previstas nos anexos da medida.

Nesta quinta-feira, 23, o governo Lula reagiu à decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil e anunciou que iniciará os procedimentos para recorrer à Lei da Reciprocidade.

“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil”, diz a nota. “Iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade.”

Receba nossas atualizações

O Planalto também disse que pretende questionar a medida no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A nova alíquota decorre de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação norte-americana.

O processo analisou políticas adotadas por dezenas de países para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Confira ainda

Cerca de 60 países foram atingidos pela decisão. No caso brasileiro, o USTR estabeleceu uma tarifa de 12,5%, com exceções previstas nos anexos da medida.

Segundo o USTR, a alíquota, o alcance da cobrança e as respectivas exceções foram definidos como medidas “apropriadas para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas” identificados na investigação.

A decisão foi tomada pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sob orientação do presidente Donald Trump, e integra uma iniciativa de Washington para pressionar parceiros comerciais a adotar instrumentos considerados mais eficazes contra o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

A tarifa de 12,5% substitui a taxa global temporária de 10%, em vigor desde fevereiro. A cobrança anterior foi adotada na esteira de uma decisão da Suprema Corte norte-americana que invalidou parte das tarifas anunciadas por Trump no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025.

Governo contesta justificativa dos EUA

Em nota, o governo Lula rechaçou os argumentos apresentados por Washington e acusou o USTR de usar o combate ao trabalho forçado para sustentar uma política comercial protecionista.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista”, diz a nota. “O USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

Durante a investigação, segundo o governo, o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou documentos e esclarecimentos sobre a legislação brasileira e as medidas adotadas pelas autoridades aduaneiras para barrar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O Executivo também destacou os compromissos assumidos pelo Brasil na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo a nota, o Brasil ratificou 66 convenções em vigor da entidade, ante dez ratificadas pelos norte-americanos.

O governo citou ainda medidas adotadas internamente contra o trabalho escravo contemporâneo, entre elas a responsabilização de empresas e indivíduos, a aplicação de multas e a manutenção da chamada “Lista Suja” de empregadores.

+ Veja mais notícias exclusivas na coluna No Ponto

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    Lulu tenta negociar o “mais médicos”. Afinal foram vocês que pegaram os escravos cubanos.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade