O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 18.
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Em coletiva de imprensa, Alcolumbre afirmou que o líder do governo no Senado tem direito à presunção de inocência e criticou o que classificou como condenações antecipadas de agentes públicos antes da conclusão dos processos judiciais.
“Nós precisamos entender que ninguém neste país pode ser condenado antes do trânsito em julgado”, declarou Alcolumbre. “Todos podem ser investigados. Todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento. Isso é normal no Estado Democrático de Direito. Mas todos também têm que ter a presunção da inocência.”
Segundo o presidente do Senado, o princípio da presunção de inocência deve valer independentemente de se tratar de “um senador ou um deputado federal do PT, (…) um senador ou um deputado federal do PL”.
Crítica à polarização
Durante o pronunciamento, Alcolumbre criticou as reações políticas a operações policiais e disse que a polarização tem transformado investigações em instrumentos de disputa partidária.
“Talvez esteja muito cômodo hoje quando uma operação da Justiça se dá em cima de um senador ou deputado do PL, e parlamentares do PT comemoram”, disse. “E talvez esteja muito cômodo também quando tem uma operação contra senadores ou deputados do PT, e parlamentares do PL que comemoram.”
Nesse sentido, o presidente do Congresso disse que não “comemora nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo neste país”.
“Quando acontece uma operação, antes de saber o que tem no processo, porque nenhum de nós sabe o que tem no processo, e talvez nem o alvo da operação saiba, esse homem público já está condenado perante a sociedade brasileira”, afirmou. “Todo mundo tem que ser inocente até que se prove o contrário. Só temos um problema: está todo mundo culpado até que se prove o contrário. E isso, na condição de presidente do Congresso Nacional, é muito triste.”

Solidariedade a Jaques Wagner
Ao encerrar o pronunciamento, Alcolumbre manifestou “apoio e solidariedade integral” ao líder do governo no Senado e disse acreditar que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.
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“Tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner irão à tona, serão comprovadas e, um dia, serão julgadas”, declarou. “É nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada.”
A operação

Segundo a PF, Jaques Wagner teria atuado no Congresso Nacional em favor de interesses do Banco Master e, em contrapartida, recebido benefícios indevidos. Entre eles, estariam um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de repasses financeiros destinados a empresas ligadas a familiares do parlamentar.
A Operação Compliance Zero apura um suposto esquema bilionário que envolve fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça que teria sido estruturado a partir do Banco Master, instituição controlada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Além de Jaques Wagner, a nova fase da investigação tem como alvo o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
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