A decisão de Jaques Wagner (PT-BA) de deixar a liderança do governo no Senado abriu as articulações para a escolha de seu sucessor. Entre os nomes mais citados nos bastidores do Palácio do Planalto e do PT, o senador Camilo Santana (PT-CE) aparece como o principal cotado para assumir o posto, embora a palavra final caiba ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo apurou Oeste, Camilo é visto como um nome de confiança do presidente e reúne apoio por sua capacidade de articulação política. Ex-ministro da Educação, ele estreitou a relação com Lula durante o atual mandato e também mantém bom trânsito com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
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Mesmo nos momentos de maior distanciamento entre Lula e Alcolumbre, provocado pela disputa em torno de indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), Camilo preservou a interlocução com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de obras na área da educação no Amapá.
Teresa Leitão aparece como opção
Apesar do favoritismo, aliados do governo reconhecem um obstáculo para a escolha de Camilo. A avaliação é que o senador precisará dedicar boa parte dos próximos meses às articulações políticas no Ceará para preservar o controle do PT sobre o governo estadual nas eleições de 2026.
O avanço do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no cenário político local preocupa lideranças petistas. Nos bastidores, há quem considere, inclusive, a possibilidade de Camilo disputar novamente o governo cearense caso Ciro consolide uma candidatura competitiva.
Esse cenário fortalece a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder da bancada do partido no Senado. Como seu mandato se estende até 2030, ela teria maior disponibilidade para permanecer em Brasília e conduzir a articulação política do governo durante o restante da legislatura.

PT mantém apoio a Jaques Wagner
Mesmo com dois nomes despontando na disputa, governistas afirmam que não há expectativa de divisão interna. A percepção dentro do partido é de que, com a proximidade do calendário eleitoral, a liderança do governo perdeu parte de seu peso político e poderia ser exercida por qualquer senador da bancada petista.
Entre as prioridades do Planalto para o segundo semestre está a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1. Integrantes do governo, contudo, avaliam que a negociação da matéria dependerá principalmente do diálogo direto entre Lula e Alcolumbre, independentemente de quem ocupe a liderança.
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A saída de Jaques Wagner ocorre depois que o senador foi alvo de mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master em troca de vantagens indevidas.
Apesar do desgaste político, a cúpula do PT mantém apoio a Jaques Wagner. Dirigentes do partido afirmam confiar que o senador conseguirá demonstrar sua inocência e pretendem dar respaldo à sua defesa política, além de apoiar sua campanha à reeleição para o Senado pela Bahia, Estado do qual foi governador de 2007 a 2014.
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].
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