publicidade
No Ponto

O tamanho da insatisfação da Câmara com o Supremo

Por 20 votos, Casa quase soltou o deputado acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco

Apesar de o caso Marielle Franco alcançar comoção nacional, isso não pesou aos ouvidos de boa parte dos deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Horas antes da votação sobre a manutenção da prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), uma ação de líderes do centrão e de deputados da oposição em favor da soltura dele chamou atenção. Esses parlamentares defendiam o fato de que o caso não se referia a julgar se o deputado é culpado ou inocente, mas se a prisão preventiva dele enquanto parlamentar cumpria todos os requisitos constitucionais. Desse modo, mostrariam que o Supremo não poderia prender preventivamente um deputado sem flagrante de delito.

Chiquinho Brazão é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018.

Receba nossas atualizações

Os parlamentares também viram nessa votação uma oportunidade de dizer ao STF que estariam incomodados com eventuais interferências na Casa. No início do ano, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões nos gabinetes dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). No caso de Jordy, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), teria sido avisado somente pela Polícia Legislativa.

Segundo Lira, o placar da votação “deixou claro” que a Câmara “está incomodada com algumas interferências do Judiciário em seu funcionamento”. A ala governista já esperava que a votação no plenário fosse mais apertada.

O mínimo de votos necessários para manter o parlamentar detido era 250, ou seja, por 20 votos de diferença a Casa quase soltou o deputado, preso desde 24 de março por determinação do STF.

Durante a votação, a federação do PT, a federação do Psol e o PSB orientaram voto a favor da detenção. Contudo, os chamados “blocões” liderados pelo União Brasil e pelo Republicanos liberaram as bancadas, justamente por não haver um consenso. O PL orientou voto “não”.

Apesar de o caso Marielle Franco alcançar comoção nacional, em virtude de o crime ser de natureza política e ter demorado seis anos para ser resolvido, tudo isso não pesou aos ouvidos de boa parte dos deputados. Tal ação mostra que a votação foi mais direcionada ao Supremo. O fato de o ônus de ser associado a Chiquinho Brazão não ter feito esses deputados recuarem mostra o tamanho da insatisfação da Casa com o STF.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade