À primeira vista, os vulcões das Aleutas parecem ilhas isoladas no mapa do Alasca. Mas sinais de magma, gases, anomalias gravitacionais e relevo submarino levantaram uma hipótese maior: essas montanhas podem fazer parte de um possível supervulcão oculto sob o Pacífico Norte.
Por que os vulcões das Aleutas levantaram essa suspeita?
As Ilhas das Quatro Montanhas ficam no centro da Cadeia das Aleutas, uma faixa vulcânica com cerca de 3.000 quilômetros entre o Alasca e a Rússia. A região já era conhecida por sua atividade, mas passou a intrigar ainda mais pela possibilidade de conexão subterrânea entre estruturas que pareciam independentes.
Segundo a Live Science, cientistas apresentaram em dezembro de 2020 indícios de que Cleveland, Carlisle, Herbert, Kagamil, Tana e Uliaga poderiam estar ligados a uma mesma estrutura magmática profunda.

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O que indicaria um supervulcão sob o Pacífico?
A primeira pista está no desenho das ilhas. Os seis vulcões aparecem em uma disposição parecida com um semicírculo, padrão que pode marcar a borda de uma caldeira antiga, formada após o colapso de uma grande câmara de magma.
Mapas do fundo do mar reforçaram a suspeita ao mostrar cristas submarinas que parecem completar parte desse anel. No centro, há ainda uma depressão com cerca de 130 metros de profundidade, detalhe que alimenta a hipótese de uma estrutura maior escondida sob a água.
Quais sinais sustentam a hipótese da caldeira?
A proposta não se baseia apenas no formato das ilhas. Pesquisadores reuniram evidências geológicas, químicas e geofísicas que, quando vistas em conjunto, sugerem um sistema mais amplo abaixo do arquipélago.
- Tomografia sísmica passiva, com indicação de uma zona aquecida sob a crosta.
- Anomalia gravitacional, compatível com uma estrutura em anel conectando os vulcões.
- Ignimbritos nas ilhas, rochas ligadas a erupções explosivas e colapsos de caldeira.
- Fontes termais e fumarolas, sinais de calor e atividade geotérmica espalhados pela área.

Por que o Cleveland é central nesse possível supervulcão?
O Cleveland chama atenção porque está entre os vulcões mais ativos da América do Norte. Além das erupções frequentes, ele libera volumes expressivos de dióxido de enxofre, um comportamento que pode ser difícil de explicar apenas por um cone isolado.
De acordo com a Sci.News, a emissão de gases levou cientistas a investigar se haveria uma câmara magmática mais ampla sob as Ilhas das Quatro Montanhas. Se essa conexão for confirmada, o Cleveland pode ser a parte mais visível de um sistema muito maior.
O que ainda falta para confirmar a descoberta?
A hipótese ainda exige cautela. John A. Power, do Observatório de Vulcões do Alasca, ressaltou que a existência da caldeira não está comprovada. O conjunto de evidências é forte o suficiente para justificar investigação, mas ainda não fecha a questão.
Para avançar, os pesquisadores precisam reunir dados sísmicos de maior resolução, refinar medições gravitacionais, analisar rochas em detalhe e monitorar emissões de gases. Só assim será possível dizer se os seis vulcões são realmente partes de uma mesma estrutura gigante.
Qual seria o risco de um supervulcão nas Aleutas?
Supervulcões são associados a erupções de escala VEI-8, capazes de lançar mais de 1.000 quilômetros cúbicos de material vulcânico. Eventos desse tipo são raros, mas podem afetar clima, tráfego aéreo e grandes áreas cobertas por cinzas.
Nas Aleutas, o isolamento reduziria o impacto direto sobre grandes centros urbanos. Ainda assim, uma erupção extrema poderia espalhar cinzas sobre partes do Alasca e do Canadá, além de interferir em rotas aéreas do Pacífico Norte.

O que esses vulcões mudam na leitura do Pacífico?
A possível caldeira das Ilhas das Quatro Montanhas mostra como estruturas submersas ainda podem esconder conexões invisíveis entre montanhas que parecem separadas. Mesmo em uma cadeia vulcânica conhecida, o fundo do mar pode guardar sistemas maiores do que a superfície sugere.
O ponto principal não é tratar o risco como iminente, mas reconhecer a importância da investigação. Se a hipótese for confirmada, o possível supervulcão das Aleutas mudará a forma como cientistas interpretam os grandes sistemas magmáticos do Pacífico Norte.









