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Início Ciência

As rochas vivas que crescem na costa da Austrália e revelam como o oxigênio transformou a história da Terra há bilhões de anos

Laila Por Laila
04 junho 2026 07:55
Em Ciência
Estromatólitos vivos aparecem em águas claras da Baía Shark

Estromatólitos vivos aparecem em águas claras da Baía Shark

Quando uma praia parece guardar apenas água rasa e sal, as rochas vivas da Baía Shark revelam uma memória muito mais antiga. Na costa oeste da Austrália, os estromatólitos ajudam a explicar como microrganismos mudaram a atmosfera da Terra.

Por que as rochas vivas importam para a geologia?

Os estromatólitos são formações calcárias construídas lentamente por comunidades microbianas, sobretudo cianobactérias. Essas colônias prendem sedimentos, favorecem a precipitação de carbonato de cálcio e criam camadas que podem crescer durante séculos.

Na Baía Shark, esse processo ainda pode ser observado em águas rasas e hipersalinas. Para a geologia, isso transforma a região em uma janela rara para mecanismos parecidos com os que deixaram registros no planeta há bilhões de anos.

Água rasa da Baía Shark revela colônias de rochas vivas

Leia também: O registro nas rochas que revela como humanos viveram em um Saara totalmente verde

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Como as rochas vivas ajudaram a mudar a atmosfera?

Durante grande parte da história primitiva da Terra, a atmosfera não tinha oxigênio livre em abundância. As cianobactérias começaram a alterar esse cenário por meio da fotossíntese oxigênica, processo que libera oxigênio molecular como subproduto.

Esse acúmulo chegou a um ponto decisivo há cerca de 2,4 bilhões de anos, durante o Grande Evento de Oxigenação. A mudança afetou formas de vida anaeróbias e abriu caminho para novas etapas da evolução biológica.

Ilustração mostra como a água salgada protege estromatólitos

O que existe dentro das rochas vivas da Baía Shark?

Essas estruturas não são blocos minerais comuns. Elas funcionam como ecossistemas em camadas, com diferentes grupos de microrganismos ocupando zonas conforme a luz, o oxigênio e os nutrientes disponíveis.

A organização interna ajuda a entender por que essas formações preservam sinais biológicos e químicos tão antigos:

  • Camada superior, dominada por cianobactérias que fazem fotossíntese e liberam oxigênio.
  • Camada intermediária, formada por bactérias que reciclam matéria orgânica e nutrientes.
  • Camada profunda, onde microrganismos anaeróbios vivem com pouco ou nenhum oxigênio.

Pesquisas disponíveis no National Institutes of Health descrevem microrganismos adaptados a condições luminosas incomuns nesses ambientes, incluindo bactérias capazes de usar faixas de luz menos acessíveis para outras formas de vida.

Para visualizar a escala dessa revolução atmosférica, selecionamos o conteúdo do canal Ciência Todo Dia, que reúne mais de 7,65 milhões de inscritos. No conteúdo a seguir, o canal explica como a presença de oxigênio alterou profundamente a vida primitiva na Terra:

Por que essas formações sobreviveram em águas tão salgadas?

A Baía Shark tem áreas com salinidade muito acima da média do oceano aberto. Essa condição dificulta a presença de muitos animais pastadores, que em outros ambientes marinhos poderiam destruir tapetes microbianos semelhantes.

Essa proteção natural ajuda a explicar por que os estromatólitos modernos continuam existindo ali. Depois da explosão cambriana, há cerca de 600 milhões de anos, animais capazes de raspar e consumir micróbios reduziram a abundância dessas formações em mares comuns.

Quais ameaças colocam as rochas vivas em risco?

Mesmo resistentes, os estromatólitos dependem de equilíbrio químico e ambiental. Alterações no pH, mudanças na salinidade, aquecimento da água e pressão humana sobre áreas costeiras podem prejudicar o crescimento dessas estruturas lentas.

Os principais riscos envolvem mudanças capazes de afetar a química da água, a luz disponível e a estabilidade mineral das formações:

  • Acidificação dos oceanos, que interfere na estabilidade do carbonato de cálcio.
  • Alteração da salinidade, capaz de reduzir a proteção natural contra predadores.
  • Urbanização costeira, com impacto sobre a pureza e a circulação da água.
  • Turismo desordenado, que pode danificar formações frágeis em áreas rasas.

Estudos internacionais sobre microbialitos indicam que mudanças ambientais podem afetar organismos dependentes de equilíbrio mineral, luminoso e microbiano para continuar se desenvolvendo.

O que essas formações revelam sobre a história da Terra?

As formações da Baía Shark mostram que a história da vida não está preservada apenas em fósseis imóveis. Em certos ambientes, processos muito antigos continuam ativos, revelando como microrganismos foram capazes de alterar a química do planeta.

Para a geologia, a mensagem é direta: pequenas comunidades microbianas deixaram marcas capazes de mudar a atmosfera, a crosta sedimentar e o rumo da evolução. Na costa da Austrália, essa memória lembra que a Terra começou a respirar muito antes de qualquer animal caminhar sobre ela.

Tags: Austráliageologiarochas

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