publicidade
Política

80% dos magistrados do tribunal do DF ganham mais de R$ 100 mil, diz jornal

Pagamentos incluem gratificações e auxílios que elevam vencimentos acima do teto do serviço público

família idoso namorada
Fachada do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) | Foto: Reprodução/Redes sociais

Um levantamento realizado pelo portal G1 mostrou que 80% dos magistrados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) receberam salários líquidos superiores a R$ 100 mil em fevereiro de 2026. Os valores ultrapassam o teto do funcionalismo público e são impulsionados por gratificações, auxílios e outras verbas adicionais — os chamados “penduricalhos”.

O estudo mostra que dos 373 magistrados do tribunal (sendo 47 desembargadores e 326 juízes), ao menos 304 receberam valores acima de seis dígitos no período. Desse total, foram 265 juízes e 39 desembargadores. 

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Três aposentados também aparecem na lista, incluindo um juiz inativo que recebeu R$ 214.262,38. O levantamento do G1 ainda apontou que uma analista judiciária recebeu R$ 136.169,23 e um técnico judiciário, R$ 173.260,04.

Maiores salários pagos pelo tribunal em fevereiro de 2026

Segundo o levantamento, os salários mais altos pagos pela Corte da capital da República são:

  • R$ 214.262,38 — juiz aposentado (maior valor registrado)
  • R$ 173.260,04 — técnico judiciário
  • R$ 136.169,23 — analista judiciário

Distribuição dos salários entre magistrados:

  • 304 magistrados receberam acima de R$ 100 mil
  • 58 magistrados: entre R$ 90 mil e R$ 99.999
  • 5 magistrados: entre R$ 80 mil e R$ 89.999
  • 1 magistrado: entre R$ 70 mil e R$ 79.999
  • 2 magistrados: entre R$ 60 mil e R$ 69.999
  • 3 magistrados: entre R$ 46.366,20 e R$ 59.999

Comparação com o teto do serviço público

  • Teto constitucional atual: R$ 46.366,19
  • Valor máximo permitido com adicionais (STF): até R$ 78.822,32
  • Maior salário registrado: R$ 214 mil (quase 3x o teto ampliado)

Segundo o TJDFT informou ao portal G1, todos os pagamentos seguiriam as normas vigentes: 

“Os pagamentos de parcelas remuneratórias observam a legislação, são sempre realizados com prévio reconhecimento e autorização e tornados públicos na forma estabelecida nas normas aplicáveis.”

Teto constitucional

Apesar disso, os valores seguem acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19. Isso ocorre porque verbas indenizatórias, como auxílios e gratificações, não entram no limite. 

Mesmo com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que buscam restringir esses pagamentos, os valores continuam elevados.

+ Tribunal de Contas do DF aponta irregularidades em serviço do PicPay

Na prática, essas verbas incluem vantagens pessoais, indenizações (como auxílio-alimentação, transporte, saúde e moradia), além de gratificações e pagamentos retroativos. A soma desses benefícios permite que os vencimentos ultrapassem com folga o teto oficial.

Em fevereiro, nenhum magistrado em atividade recebeu salário líquido dentro do limite constitucional.

STF atua para restringir os chamados penduricalhos

Sessão Plenária do STF (25/3/2026) | Foto: Antonio Augusto/STF

Diante desse cenário, o STF passou a atuar para restringir os chamados penduricalhos. Em 5 de fevereiro, o ministro Flávio Dino determinou que os Três Poderes revisem verbas indenizatórias consideradas ilegais, com prazo de 60 dias. 

Já em 23 de fevereiro, o ministro Gilmar Mendes decidiu que esses pagamentos só podem ocorrer quando previstos em lei aprovada pelo Congresso, também com prazo para adequação.

Mais recentemente, na sessão do dia 25, o Supremo fixou novos limites: as verbas indenizatórias podem chegar a até 35% do teto constitucional, ou seja, R$ 16.228,16; os benefícios por tempo de carreira podem somar até R$ 32.456,32 extras. Com isso, o total pode atingir R$ 78.822,32 mensais a partir de abril.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.