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Política

A cunhada de Toffoli dá pena: o marido leva vida dupla ou é laranja?

O vídeo da conversa entre a cunhada do ministro Toffoli e um repórter é de uma trivialidade que dá a medida da nossa tragédia nacional

Casa da cunhada de Dias Toffoli e 'sede' da Maridt Participações, na cidade de Marí­lia (SP) - 21/01/2026 | Taba Benedicto/Estadão Conteúdo
Casa da cunhada de Dias Toffoli e 'sede' da Maridt Participações, na cidade de Marí­lia (SP) - 21/01/2026 | Taba Benedicto/Estadão Conteúdo

À medida que tudo fica mais claro a respeito do Resort Tayayá, no interior do Paraná, tudo deveria ficar mais complicado para o ministro Dias Toffoli.

Os repórteres Valentina Moreira e Samuel Pancher, do Metrópoles, estiveram na casa de um dos irmãos do ministro que teria sido sócio do resort, José Eugênio Dias Toffoli.

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A casa está registrada como sede da Maridt Participações, que até março do ano passado detinha 17% das cotas do resort, vendidas por R$ 3,5 milhões a um advogado da J&F. Antes, a Maridt tinha como sócio no Tayayá um cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Localizada em um bairro de classe média baixa de Marília, no interior de São Paulo, é o endereço típico de uma empresa de fachada brasileira: uma casa simples e maltratada, que não poderia ser nem mesmo sede de oficina de conserto de bicicletas.

O grau de degradação chama a atenção: a casa tem rachaduras nas paredes e no piso externos e não vê pintura há bom tempo.

Parece que dentro está muito pior, como disse a mulher de José Eugênio, a senhora Cássia Pires Toffoli, a outro repórter que lá esteve, Pedro Augusto Figueiredo. Ele teve a felicidade de encontrá-la antes que os moradores da casa evaporassem.

O vídeo da conversa entre a cunhada do ministro Dias Toffoli e o repórter, ao portão da casa, é de uma trivialidade humana que dá a medida da nossa tragédia nacional.

Perguntada sobre se a casa era a sede da Maridt Participações, tal como registrado na Junta Comercial, e se o marido havia sido sócio do Resort Tayayá, Cássia demonstrou espanto e indignação genuínos.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro por 25 anos. Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse a cunhada do ministro Dias Toffoli.

Mas o marido era sócio ou não do Tayayá?, insistiu o repórter.

“Como sócio, moço? Moço, dá uma olhada na minha casa… Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro.”

O irmão de Dias Toffoli já havia ao menos comentado algo sobre o Resort Tayayá?

“Eu não sei e não quero saber”, impacientou-se a cunhada do ministro.

Durante o diálogo, ficamos sabendo que Cássia cuidou do pai com Alzheimer até ele morrer e que agora ela abriga em casa o irmão que tem Down.

De tudo o que veio à tona até agora, impõem-se duas questões intrigantes com respostas não necessariamente excludentes.

A primeira delas é se o irmão de Dias Toffoli levaria uma vida dupla: como sujeito de sorte que se tornou sócio de um grande empreendimento turístico (tem uma casa em seu nome no resort, de acordo com a Folha) e, ao mesmo tempo, como engenheiro eletricista que dá um duro desgraçado e é humilde a ponto de não conseguir fazer uma reforma na casa comprada a muito custo.

A segunda questão é se José Eugênio Toffoli apenas emprestou o seu nome e o seu endereço em Marília para encobrir o verdadeiro proprietário do Resort Tayayá, sem o conhecimento da mulher (ou quem sabe até a sua própria revelia, que se dê a ele o benefício da dúvida). Nesse caso, José Eugênio seria um laranja dos mais banais.

Há outro irmão, o padre José Carlos Dias Toffoli, e um primo do ministro, Mario Umberto Degani, que constam como sócios do Tayayá. Seriam laranjas também?

De qualquer forma, fiquei com pena de Cássia, a cunhada de Dias Toffoli que foi até o portão da sua casa caindo aos pedaços para conversar com o repórter Pedro Augusto Figueiredo.

Ela me fez concluir que, no Brasil, subvertemos a célebre frase de abertura do romance Anna Kariênina, do russo Tolstói, segundo a qual todas as famílias felizes se parecem, ao passo que cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Aqui, as infelicidades familiares são bastante semelhantes umas às outras.

Leia também: Os tentáculos do Master, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 305 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Joaz Santana Praxedes
    Joaz Santana Praxedes

    Imagine ver os 11 ministros do Supremo reunidos numa sessão, se elogiando uns aos outros e usando termos como ‘eminente ministro’ e ‘Vossa Excelência’…É muita cara de pau! [Gargalhadas]

  2. Leony De O. Mansur Tozzi
    Leony De O. Mansur Tozzi

    Já viram a foto dela num evento no Tayayá!? Nao me pareceu triste e nem excluída da família de laranjas. É que eles nunca acreditam que a roubalheira será descoberta ou que serão expostos. No fundo toda a familia deve sofrer da mesma falta de valores e princípios.

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