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A descoberta do ano

"Desde o primeiro caso de covid-19, boa parte dos políticos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal", afirmou J.R. Guzzo
O governador de São Paulo e promotor da CoronaVac, João Doria (PSDB) | Foto: Divulgação/GESP
O governador de São Paulo e promotor da CoronaVac, João Doria (PSDB) | Foto: Divulgação/GESP | governador joão doria e coronavac X anvisa

“Desde o primeiro caso de covid-19, boa parte dos políticos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal”, afirmou J.R. Guzzo

a descoberta do ano
O governador João Doria foi um dos primeiros a ver o potencial desta mina | Foto: Divulgação/GESP

(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 02 de novembro de 2020)

A covid-19 foi sem dúvida a descoberta do ano para os políticos brasileiros. Desde o primeiro caso de infecção, boa parte dos nossos homens públicos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal e “assumir posições” — calculadas para dar mais gás (ou o que eles acham que é mais gás) para as suas carreiras. Vivem falando que agem de acordo com a “ciência”. Mentira. Eles não sabem rigorosamente nada de ciência, mas acreditam saber tudo sobre os truques mais eficazes para utilizar em seu benefício uma tragédia — e o pânico trazido por ela.

O governador João Doria foi um dos primeiros a ver o potencial desta mina. Dez meses depois, continua achando que ainda há muita coisa a tirar daí.

No dia 13 de novembro, duas semanas antes do segundo turno das eleições municipais, o governador disse o seguinte, em praça pública: “Vim aqui para desmentir mais uma fake news”, disse Doria, àquela altura convencido de que manter em grau mais moderado seu sistema de repressão ao vírus, como vem ocorrendo nos últimos meses, era a postura mais rentável para dar votos ao seu candidato Bruno Covas. “Depois das eleições, nós não vamos endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle.” Afirmou, também, que as previsões de endurecimento eram “um golpezinho” de campanha eleitoral.

As urnas mal tinham sido fechadas quando o governador, que então já não precisava mais dos votos, mandou fazer exatamente o contrário do que havia acabado de prometer: depois de uma campanha eleitoral vivida dentro da “fase verde” das restrições, Doria votou a impor as exigências da “fase amarela”, mais extensas e rigorosas. Qual foi, nessa história, a notícia falsa: o anúncio do endurecimento que viria depois da eleição, ou o desmentido formal do governador?

A covid-19, ao ser utilizada como ferramenta política, transformou-se no triunfo da mentira. Essa malversação dos fatos, feita de forma sistemática e maciça, leva aos disparates que se repetem diariamente à vista de todos. Há a vacina “boa” (a estadual) e a vacina ruim (a federal), com o pormenor de que nenhuma das duas existe. Há a aglomeração “ruim”, quando é feita pelos adversários políticos, e a aglomeração “boa”, quando é feita nas sedes de partidos para comemorar as vitórias do segundo turno. Há os chiliques constantes das autoridades diante de “ameaças ao distanciamento social”, e a sua mais absoluta indiferença com os ônibus, trens e metrô que viajam lotados todos os dias.

A prefeitura de São Paulo é patentemente inepta para cuidar de tarefas elementares e essenciais, que o homem sabe executar há 5 mil anos, como manter os bueiros da cidade razoavelmente limpos — a causa direta das enchentes a qualquer chuva mais forte. É inepta para cortar árvores que ameaçam cair sobre a rua e matar gente, como acaba de acontecer na Vila Mariana — apesar de todos os pedidos de providências por parte dos moradores. É inepta para consertar os buracos de rua. Mas o prefeito e o governador são craques em usar máscaras pretas fashion, brincar de “cientista” e propor a “igualdade social”. É onde São Paulo veio parar.

Leia também: “Doria se contradiz sobre restrições no Estado de SP”

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17 comentários

    1. J.R.Guzzo, pra mim é o melhor jornalista do país. Só escreve a verdade nua e crua. E dessa vez ele acertou no alvo, desmascarando esse hipócrita Doria, desalmado, que em nenhum momento pensou no povo usando a Pandemia em prol da política e de seus objetivos. Num país sério, o lugar dele e de vários outros, seria atrás das grades. A Justiça dos homens pode falhar, mas a de Deus não.

  1. Que um político como Dória ou Covas cometam esses desvios de caráter republicano não é de se admirar, mas a imprensa não questionar é que me deixa estupefato, embora nossos grandes veículos de jornalismo deixaram a comunicação social há muito tempo enfiada no fundo do baú da cretinice e cinismo.

  2. Um mau-caráter mancomunado com Globo, Folha, Uol, STF, Alcolumbre e Maia, para a manutenção do martírio pelo povo de bem do país!

  3. Excelente texto! Parabéns. Hoje, Dória lidera com distância como político mais canalha, covarde e inescrupuloso do Brasil. A pergunta que fica para o povo de São Paulo é, como conseguiram um segundo turno entre Covas, explicitamente conhecido como poste do Dória, e o playboy enrustido de “mano” Boulos??

    1. Só se combate o COVID com anticorpos, e esses só ocorrem em reações internas à nosso corpo ao agente estrangeiro e alienígena, o COVID, o resto é historinha para boi dormir, vender jornal e procurar manter a população segregada induzindo as pessoas leigas à mais obscurantismos!

  4. Considero Guzzo, professor, mestre, e doutor em jornalismo, e iniciei lendo com satisfação o adequado comentário ao farsante Doria que foi meu ídolo até o inicio do governo Bolsonaro.
    Portanto, considero excelente o artigo até o penúltimo paragrafo, mas no final novamente surpreende-me que tanto o Guzzo como o Fiuza desqualifiquem Bruno Covas a ponto de equipara-lo a Boulos como fez Fiuza recentemente. Ai é demais, meus amigos jornalistas da revista oeste que considero a única imprensa legível na atualidade.
    Penso ainda que Guzzo erra também ao desqualificar esta prefeitura, quando ilustra que o homem sabe executar a limpeza de bueiros há 5000 anos, esquecendo-se que há 5000 anos não existiam “conterrâneos” que jogavam nas ruas, mascaras, garrafas, colchões, travesseiros, remédios, armários e outros objetos descartados, conduta esta apropriada de desqualificadas democracias, ou anarquias. Portugal por exemplo tem uma democracia mais “limpa e ordeira”.
    Entendo que o bom jornalismo da revista oeste, sempre pode nos proporcionar algo mais sobre a ‘VERDADE” dos fatos, que a tradicional imprensa como Estadão e Folha, omitem, distorcem e criam versões verdadeiras Fake News.
    Creio que a sociedade sabe interpretar essa verdade, porém fica em dúvida quando distorcida por autoridades dos diversos poderes da república e pela grande imprensa.
    Criticas são necessárias, mas tornar autoridades “farinha do mesmo saco”, não ajuda nosso desenvolvimento cultural, econômico e social.
    Vamos lembrar que 2.022 esta muito perto e ainda temos que fazer muitas reformas, mas a sociedade tem que acreditar em quem as esta fazendo, dai, não vamos engana-la.
    Forte abraço ao Guzzo e ao Fiuzza

    1. Tanto Doria como Covas são dois ineptos que infelizmente temos que suportar, porém felizmente deverão ser os dois últimos políticos do PSDB a governar a cidade e o estado.

  5. Irrevogável artigo! Acrescento que, no caso das árvores, é ÓBVIO que a prefeitura JAMAIS conseguirá fazer a manutenção preventiva, basta fazer CONTAS da equipe necessária para isso! (Nem vou demonstrar neste espaço) A lei que proíbe a poda pelos proprietários está engessando a ação! Muitas pessoas irão continuar “pagando” essa lei burra com as suas vidas!!

    1. O Dória é a versão pronta e acabada do que existe de mais mentiroso, calhorda e hipócrita na política brasileira de todos os tempos. Mas, uma pergunta que não cala: os paulistas não o conheciam adequadamente para rifá-lo quando da candidatura dele a governador do Estado? Mestre Guzzo: uma vez mais meus cumprimentos pelo artigo!

  6. São Paulo, estado e município, merecem esses governantes. A eleição foi direta e não me diga que não haviam candidatos a altura. Todos os adversários eram menos ruim que o Bruno Surfistinha. Quanto ao DoriANA, já conhecido pelas suas mentiras, estava na cara que ele mentia, como sempre mentiu.

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