Em maio deste ano, a primeira-dama do regime, dona Janja da Silva, recebeu do descondenado-em-chefe, seu marido, a comenda da Ordem do Mérito Cultural. Ela foi condecorada na classe grão-cruz, a mais alta distinção da principal honraria cultural do Brasil.
+ Janja comete gafe em entrevista na COP30: “Somos atoras”
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Como se sabe, a entrega de comendas, títulos e honrarias a familiares e camaradas é uma tradição na cultura política comunista. Na Romênia de Ceaucescu, sua mulher, Elena, era uma funcionária medíocre e notoriamente incapaz em química — área na qual, por isso mesmo, “recebeu” diversos títulos. Por decreto, o ditador romeno transformou-a sucessivamente em “doutora honoris causa” de várias universidades, “cientista de renome mundial”, “heroína do trabalho socialista” e, por fim, “Mãe da Nação”.
O regime de Enver Hoxha, na Albânia, também converteu honrarias nacionais em patrimônio doméstico. A mulher de Hoxha, Nexhmije, recebeu títulos e postos culturais que a qualificavam como guardiã da revolução e intérprete superior da cultura socialista. Foi assim na Rússia, na Coreia do Norte, no Cambodja, em Cuba, na Venezuela e em todo lugar em que a corte comunista ascendeu ao poder. É assim também no Brasil do luloalexandrismo.
Pois bem. Na COP30 (evento maliciosamente apelidado de “FLOP30” pela extrema direita nacional-populista ultrabolsonarista carnívora, patriarcal, cisgênero e heteronormativa), a primeira-comendadora não deixou barato e fez questão de exibir ao público os excelsos talentos culturais que lhe granjearam a honraria. Em entrevista recente à CNN Brasil, a líder feminista foi questionada sobre o papel das mulheres na agenda climática global, ao que respondeu de bate-pronto:
“Eu tenho trabalhado muito, como enviada especial, para colocar as mulheres na centralidade da agenda climática. Mais do que participantes, nós somos atoras [sic] principais da mudança climática”.
Janja:
— Rubinho Nunes (@RubinhoNunes) November 21, 2025
• “Cidadões globais”
• “Abrido um caminho”
• “Salma de palmas”
E agora lançou: ATÔRAS PRINCIPAIS.
Desse jeito, não vai demorar pra ser eternizada na Academia Brasileira de Letras, com direito a aplauso em pé dos “imortais”. pic.twitter.com/l5ExtfNBzg
Sim. Ela disse “atoras”. Mas engana-se o leitor reacionário se imagina que a comendadora quis dizer “atrizes” e apenas tropeçou no idioma. Não, esse é o tipo de pensamento arcaico de quem ainda vive no tempo dos combustíveis fósseis, do machismo estrutural e do racismo climático. O pensamento de uma maioria de ignorantes que não reconhecem os evidentes méritos e inovações culturais da patroa do descondenado.
“Atoras” é, obviamente, um neologismo brilhante, uma composição por aglutinação que mistura os radicais “atriz” e “gestora”, sugerindo a centralidade do papel da mulher na gestão do clima (para não falar a dos coquetéis de vanguarda lamentavelmente incompreendidos). A comenda não foi entregue ao acaso. O regime julgou adequadamente os méritos que uma sociedade atrasada — além de ambientalmente misógina, estruturalmente racista e informacionalmente desordenada — não teria condições de reconhecer. Sendo assim, uma salva de palmas para a nossa atora principal!
Leia também: A primeira-dama esbanja, reportagem de Rachel Díaz publicada na Edição 292 da Revista Oeste





































Essa janja é tão ridículo que parece mais uma criança de 5 anos brincando com uma casinha de bonecas. Mulher de ladrão não tem nem um dia de perdão
Não é: “uma salva de palmas”, na novilíngua companheira é: “Uma Salma de Palmas” para a nossa atora principal.
Ainda me pergunto, como foi possível o Brasil cair tão baixo, colocando essa gente ignorante, desonesta e vulgar para dirigir o país.
O Governo que ai está é o reflexo do povo. Isso chegou a este estado de degradação devido a décadas de sucateamento da educação, dos valores familiares e da meritocracia, favorecendo o “jeitinho”, a “cultura do lixo” e a verdadeira “prostituição” da moral.
Como pide ima pessoa dessa ter cursado uma faculdade? Onde será que ela estudou? Que vergonha pra essa instituição!
Muito bom !! Sensacional !! Os artigos de Flavio Gordon são cada vez mais deliciosos.
Deveria receber um fardo de feno