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Política

Advogado põe Cid em xeque e afirma que não há provas contra Bolsonaro

Defesa do ex-presidente desmontou delação do tenente-coronel

jair bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro, durante um evento | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nesta quarta-feira, 3, o advogado Celso Sanchez Vilardi, que defende Jair Bolsonaro da acusação de suposta tentativa de golpe, afirmou não haver provas contra o ex-presidente da República.

Vilardi realiza sustentação oral, na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na ação penal que trata do que seria um plano de ruptura institucional. Bolsonaro e outros sete integrantes de seu governo são réus.

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Os crimes imputados ao ex-presidente podem render a ele, em eventual condenação, mais de 40 anos de cadeia.

Acesso às provas no processo de Bolsonaro

golpe bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro, durante sessão na 1ª Turma do STF — 10/6/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo

Conforme Vilardi, desde o começo do processo, a defesa não teve acesso à integralidade das provas. Isso porque o material disponibilizado pela Justiça, além de ser vasto, não revela se é um recorte ou a totalidade do que apurou a Polícia Federal (PF).

Além disso, de acordo com Vilardi, os advogados tiveram pouco tempo para analisar os documentos disponibilizados pela PF.

A queixa de Vilardi foi a mesma da defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

“Com 34 anos de advocacia, tenho de dizer que não conheço este processo, por não ter tido acesso integral a ele”, desabafou Vilardi. “São bilhões de documentos, em uma instrução de menos de 15 dias. Não pude nem sequer interpelar a cadeia de custódia.”

Delação nula

Vilardi ainda pôs em xeque a delação do tenente-coronel Mauro Cid, a espinha dorsal da acusação oferecida pela Procuradoria-Geral da República.

O advogado do ex-presidente lembrou ainda que Cid mentiu ao longo do processo, além de ter confessado suposta coação da PF. “Cid prestou depoimento 16 vezes e mudou sua versão diversas vezes”, observou Vilardi.

A revista Veja divulgou duas reportagens a respeito. Em uma delas, Cid sugere ter sido forçado a aderir a uma versão da PF, noutra, o tenente-coronel falta com a verdade com relação a um perfil no qual revelou o conteúdo de sua delação.

“Cid pôs em xeque a voluntariedade de sua colaboração”, constatou Vilardi, ao mencionar que a Meta comprovou que o militar criou um perfil no Instagram em nome de sua mulher, Gabriela. Por meio dessa conta, o tenente-coronel teria tido atitudes que quebrariam o acordo firmado com o STF. “Esse homem não é confiável, pois rompeu a delação formalmente, mentiu e pôs sua voluntariedade em xeque.”

Minuta

O advogado de Bolsonaro também afirmou que a “minuta do golpe” foi encontrada com Cid. Vilardi disse que o documento era apócrifo e não prova nada contra o ex-presidente.

“Bolsonaro autorizou a transição de poder e ajudou o recém-nomeado ministro da Defesa, José Mucio, a nomear os comandantes”, disse Vilardi.

Leia também: “A fraude exposta”, reportagem publicada na Edição 285 da Revista Oeste

2 comentários
  1. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Os advogados de defesa alegaram que não tiveram acesso completo as peças processuais. Alguém tem que fzer a pergunta diante de todos: qual ministro conseguiu ler e ver todas as peças do processo e quantas horas levaria para ver tudo, ou observar atentatamente todo o conjunto, desde a denúncia do Gonet até o depoimento das testemunhas de defesa, perícias, vídeos e outras diligências. Quem vai repassar esta mensagem aos advogados?

  2. Roberto Ferreira
    Roberto Ferreira

    Esse julgamento é um castelo erguido sobre areia movediça!

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