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Política

Aneel teve corte de 42% em verbas neste ano

Além de problemas orçamentários, agência perdeu 19 servidores e opera com déficit de 27% no efetivo

Aneel aprova consulta pública sobre transferência de controle da Amazonas Energia
Sede da Aneel em Brasília | Foto: Divulgação/Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) enfrenta sérios desafios em 2024 em decorrência de cortes no orçamento e falta de pessoal.

Inicialmente, a Aneel solicitou R$ 244 milhões ao governo Lula, mas recebeu apenas R$ 180 milhões, menos do que os R$ 187 milhões utilizados em 2023. Além disso, cortes adicionais ao longo do ano totalizaram R$ 38,6 milhões, reduzindo a verba em 42%.

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O quadro de pessoal também é problemático, com um déficit crônico de 27%. Nem o processo seletivo de 2010 nem o Enem dos Concursos de 2024 conseguiram preencher as vagas deixadas por aposentadorias e evasões.

Neste ano, a Aneel perdeu 19 servidores, o maior número desde sua fundação, agravando a situação de recursos humanos.

Diretoria da Aneel está desfalcada

A nota técnica estabelece metas para que as empresas cumpram os índices de duração e frequência das interrupções de energia | Foto: Reprodução/Aneel
Agência tem cerca de 205 vagas em aberto | Foto: Reprodução/Aneel

Atualmente, a Aneel opera com 560 profissionais, mas tem 205 vagas em aberto. Desde maio, a diretoria está desfalcada, funcionando com apenas três diretores e um diretor-geral, o que complica a tomada de decisões em casos de empate.

Esses problemas contribuem para situações como o apagão prolongado em São Paulo. Especialistas apontam falhas na política pública como um todo, destacando a falta de aprendizado e adaptação às mudanças climáticas.

Luis Eduardo Barata, da Frente Nacional de Consumidores de Energia, afirmou: “Estamos diante da absoluta ausência de aprendizado”, disse. “Ninguém entendeu que as mudanças climáticas exigem revisões da política pública, em todas as esferas, e não cumpre o papel que lhe cabe”.

Responsabilidades da União

A responsabilidade pela concessão de serviços de distribuição de energia é da União, através do MME. O governo Lula inicialmente criticou a Enel SP, mas depois decidiu dar uma nova chance à empresa.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu à Aneel que iniciasse um processo de avaliação, que poderia levar à caducidade, mas afirmou em coletiva que essa determinação não foi seguida.

Em junho, o presidente Lula se reuniu com o CEO mundial da Enel na Itália, indicando disposição para renovar o acordo com a empresa, desde que esta elevasse seus investimentos para R$ 20 bilhões nos próximos três anos.

A Presidência destacou que a proposta para aumentar investimentos e resolver problemas foi discutida em reunião com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O MME afirmou que a renovação de concessões seguirá prazos legais e dependerá do cumprimento de requisitos rigorosos, reforçando a importância de uma gestão eficiente.

Jerson Kelman, ex-diretor-geral da Aneel, sugeriu que, se o governo tem urgência, deve exercer seu papel de poder concedente.

“Como quem fiscaliza as distribuidoras é a Aneel, é natural que um processo de caducidade seja instruído por ela”, disse. “Agora, o governo, no limite, se está absolutamente convencido de que tem que declarar a caducidade, pode pedir informações à Aneel e fazer a instrução ele mesmo.”

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