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Política

Antes de esconder dados de bets, Lula condenava o sigilo de 100 anos

O Ministério da Fazenda invocou o segredo centenário para trancar os arquivos que liberaram as casas de apostas eletrônicas no país

Presidente Lula faz sinal de positivo com as duas mãos
Uso do sigilo ocorre quando Lula ensaia discurso contrário à existência das casas de apostas | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à imposição do sigilo de cem anos para esconder os documentos que autorizaram o funcionamento de casas de apostas no Brasil. Decisão do Ministério da Fazenda tranca os arquivos que mostram os pareceres técnicos da Secretaria de Prêmios e Apostas, os problemas na papelada das empresas e a identidade dos donos das marcas que ganharam o aval do governo federal.

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A medida escancara a contradição da retórica governista. Em setembro de 2022, o então candidato do PT utilizou as redes sociais para atacar a falta de transparência da gestão anterior.

Na ocasião, Lula publicou que faria um decreto logo no primeiro dia de governo para acabar com o sigilo centenário, argumentando que “o povo deve ver o que estão escondendo”. Na prática, os ministérios atuais utilizam o mesmo artigo da Lei de Acesso à Informação (LAI) para blindar o mercado de jogos.

Governo nega acesso a dados de banca russa banida

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério da Fazenda negou um pedido feito por meio da LAI para abrir a íntegra do processo da 1xBet. A banca, de origem russa, proibida em vários países, operou ilegalmente no Brasil enquanto esperava a licença de Brasília. Além disso, processos judiciais comprovam que a companhia não funciona no endereço oficial que forneceu à Receita Federal nem ao próprio governo petista.

Para barrar o acesso público aos documentos, a equipe do então ministro Fernando Haddad alegou a necessidade de proteger a intimidade e os dados pessoais dos sócios das bets. A pasta rejeitou inclusive a entrega das cópias com as informações sensíveis borradas. A justificativa oficial foi que a triagem da papelada daria um “esforço desproporcional” diante da falta de funcionários no setor.

Números revelam ritmo similar de censura a arquivos

A blindagem dos dados das bets faz parte de uma rotina de manutenção dos segredos de Estado no terceiro mandato de Lula. Estatísticas da Controladoria-Geral da União (CGU) publicadas pelo jornal O Globo no ano passado mostram que a máquina petista mantém um alto patamar de recusas. Nos primeiros dois anos de cada governo, a administração anterior barrou 4 mil pedidos por dados pessoais, enquanto o governo atual rejeitou 3,2 mil solicitações com a mesma desculpa.

A CGU editou normas internas e prometeu enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional para acabar com o sigilo de cem anos fixado no artigo 31 da LAI. A proposta, contudo, segue travada na burocracia federal. Enquanto os arquivos continuam fechados, o governo também impede que os cidadãos conheçam o meio de pagamento das outorgas de R$ 30 milhões exigidas de cada empresa.

Discurso eleitoral foca o fim da jogatina regulada

O uso do sigilo centenário ocorre ao mesmo tempo em que Lula ensaia um discurso público contrário à existência das plataformas de apostas. O presidente declarou na TV Brasil que pretende colocar a extinção das bancas digitais como uma das principais pautas de sua campanha à reeleição. Ele afirmou que acabaria com todas as empresas do setor se isso dependesse apenas de um ato de ofício do Executivo.

O discurso do petista é confrontado pelas ações do próprio Palácio do Planalto, que desenhou toda a regulação, a taxação e a legalização do segmento no país. As associações que representam as bets criticaram a postura de Lula. As entidades afirmam que a proibição das marcas legalizadas não vai acabar com a demanda por jogos de azar, servindo apenas para empurrar milhões de apostadores de volta para o mercado clandestino.

Leia também: “Frota se oferece para pagar multa de jornalista processador por Carla Zambelli”

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2 comentários
  1. Augusto Nense
    Augusto Nense

    Hipocrisia.. com certeza tem trambiqueiro político envolvido. Se não, pq esconder…

  2. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    com certezas envolve toda a família do Lula até a quarta geração, pra fente e pra trás.

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