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Política

As gafes presidenciais no exterior que entraram para o folclore nacional

O discurso de Bolsonaro na ONU contrasta com pronunciamentos atabalhoados e frases cômicas de seus antecessores

gafes presidenciais
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Democracia, defesa das vacinas, respeito à Constituição, agronegócio, preservação do meio ambiente e modernização da economia. Esses foram os principais tópicos abordados pelo presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Nossa moderna e sustentável agricultura de baixo carbono alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e utiliza apenas 8% do território nacional”, afirmou Bolsonaro, ao mencionar que povos indígenas têm 14% de terras e que 85% da Amazônia está intacta. Sobre o processo de desestatização, lembrou: “Até aqui, foram contratados US$ 100 bilhões de novos investimentos e arrecadados US$ 23 bilhões em outorgas.” O presidente ressaltou ainda a modernização do saneamento e das ferrovias — investimentos em infraestrutura podem chegar a R$ 238 bilhões até 2022. “Esse é um país não retratado pela mídia”, resumiu Bolsonaro.

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Apesar das informações verídicas e do tom mais moderado do presidente em comparação ao pronunciamento de 2019, a imprensa tradicional criticou – como criticaria qualquer que fosse o conteúdo. Algumas das manchetes: “A ONU e o mundo se ridicularizam diante de Bolsonaro”; “Bolsonaro vendeu na ONU Brasil irreal”; “Na ONU, Bolsonaro mente e fala sobre tratamento ineficaz contra o coronavírus”; “Bolsonaro esbanja negacionismo nos EUA e prega para convertidos”.

O discurso de Bolsonaro contrasta com pronunciamentos atabalhoados e frases cômicas de seus antecessores na ONU ou em viagens oficiais ao exterior. Confira:

Dilma Rousseff

Em 26 de setembro de 2015, Dilma ressaltou na ONU a importância de “se estocar vento” como forma de melhorar o setor energético brasileiro: “Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata em termos do que ela dura, da sua manutenção e pelo fato da água ser gratuita, e da gente poder estocar. O vento podia ser isso também. Mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento.”

Um mês depois, em um encontro com ministros de Estado e diplomatas, disse que o Brasil vivia um “golpe democrático à paraguaia”. À época, já se discutia a abertura de um impeachment contra a petista. Dilma quis se referir ao processo de impedimento que derrubou o então presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012, por suspeita de corrupção. A chancelaria daquele país chegou a convocar o embaixador brasileiro para se pronunciar sobre a fala.

Quando ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, Dilma já havia protagonizado uma gafe internacional. “O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”, disse, em 2009, durante a cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhagen, na Dinamarca. “Isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países”.

Lula

Num discurso de improviso ao lado do então presidente da Namíbia, Sam Nujoma, em Windhoek, Lula associou a África à pobreza e à feiura. Ele ainda manifestou o desalento pela imagem de um Brasil habitado por ”índios pobres”. ”Estou surpreso porque, quem chega a Windhoek, não parece que está num país africano”, disse, em 2003. ”Acho que poucas cidades do mundo são tão limpas e bonitas arquitetonicamente quanto esta cidade. E um povo extraordinário como tem.”

Em seguida, Lula fez uma analogia: “A visão que se tem da América do Sul é que nós somos todos índios pobres. A visão que se faz da África é a de que também é um continente só de pobres.”

Os deslizes também ocorreram durante uma viagem a Londres, em 2006. Lula participou de um banquete oferecido pela rainha Elizabeth 2ª e, chamado para discursar, elogiou a “contribuição do inglês Charles Miller ao futebol brasileiro. Miller era paulista, filho de um inglês com uma brasileira.

Michel Temer

Nem mesmo o polido e cauteloso Michel Temer escapou das gafes. Durante um encontro com a primeira-ministra norueguesa em 2017, Temer chamou Harald V, monarca norueguês, de “rei da Suécia”, país vizinho escandinavo, e se referiu ao “parlamento brasileiro”, em vez do norueguês. O discurso foi realizado numa declaração de despedida do encontro com Solberg. O presidente agradeceu a hospitalidade das autoridades e dos noruegueses.

“Embora voltando hoje (23.jun) ao Brasil, desde já, com a reunião que tivemos ontem com os empresários e da reunião que tivemos agora com Vossa Excelência e, mais adiante, com o parlamento brasileiro e, um pouco mais adiante, com sua majestade, o rei da Suécia, eu já tenho a mais firme convicção de que, embora muita rápida nossa visita, ela estreita cada vez mais os laços do Brasil com a Noruega”, disse Temer.

Exatamente um ano antes, o presidente chamara de “soviéticos” empresários russos. O termo caiu em desuso junto com o Muro de Berlim, em 1989.

FHC

Em 1994, ao saudar o então presidente da República Tcheca, o dramaturgo Václav Havel, FHC ressuscitou a velha Tchecoslováquia: “É uma grande satisfação estar na Tchecoslováquia”. A Tchecoslováquia, emblema da “cortina de ferro” e do comunismo, já não existia desde 1º de janeiro de 1993, quando a Eslováquia e a República Tcheca se separaram.

José Sarney

Em 11 de setembro de 1986, depois de falar por cerca de 20 minutos em português exaltando as democracias brasileira e norte-americana no Congresso dos EUA, Sarney finalizou o pronunciamento em péssimo sotaque inglês, lendo o trecho de um poema de Walt Whitman: “Welcome, Brazilian brother/ Thy ample place is ready; /A loving hand / A smile from the North /A sunny instant hail!” (“Bem-vindo, irmão brasileiro /teu amplo espaço está pronto; /Uma mão amorosa /um sorriso do norte /uma saudação instantânea ensolarada!” — em tradução livre).

Leia também: “Dilma merece ser vice de Lula”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 79 da Revista Oeste

11 comentários
  1. Hiroshi Tanimoto
    Hiroshi Tanimoto

    De longe, o Bolsonaro é o melhor Presidente e o único estadista, desses mandatários do Brasil pós governos militares !!!

  2. jose angelo baracho pires
    jose angelo baracho pires

    Como aprendemos a votar!!!
    E olha que não é fácil, com estas tvs 📺abertas ideologizadas, obedientes ao globalismo e ao crime organizado.

  3. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Excelente artigo para ser publicado no ESTADÃO por nosso mestre GUZZO que lá escreve, para esse tradicional jornal fornecer aos seus poucos leitores que ainda restam a verdadeira informação dos fatos. Vale lembrar que atualmente o Estadão tem somente J.R.GUZZO e CARLOS A. DI FRANCO como verdadeiros jornalistas.

  4. Roberto Fakir
    Roberto Fakir

    Mas a Dilma é o Lula superaram qualquer expectativa mais bisonha. A bizarrice da Dilma supera Lula. Me pergunto até hoje como Aécio conseguiu perder uma eleição para uma debilitada. Não sei se coloco a culpa no povo ou no Aécio.

    1. Antonio Carlos Neves
      Antonio Carlos Neves

      Roberto, nem no povo nem no Aécio, você se esqueceu da “transparência” das urnas eletrônicas tão contestada pelos tucanos em 2015? Atualmente o líder tucano CARLOS SAMPAIO votou contra o voto impresso na PEC da Bia Kicis e orientou o PSDB a votar contra essa PEC, mesmo assim 14 deputados votaram a favor e 12 contra. Confesso que tenho vergonha ter sido tucano desde a fundação do partido até 2019, ano que se revelaram os “mau caráter” DÓRIA , FHC e outras celebridades.

    2. Julio José Pinto Eira Velha
      Julio José Pinto Eira Velha

      Acho que devemos atribuir a culpa, as urnas do Barroso.

  5. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    O nosso atual Presidente está, em inteligência e conhecimento, há anos-luz de distância dos seus antecessores.

  6. Rodrigo Kairys
    Rodrigo Kairys

    Só uma correção na parte da gafe do Vampirão Michel Temer. A queda do muro de Berlim foi em 1989, não 1986. Abraços.

  7. jose angelo baracho pires
    jose angelo baracho pires

    Só animal!
    Com destaque para a Anta e o tucano, um poste e um comuna roxo.

  8. Alberto Torres
    Alberto Torres

    Quando vejo essa foto, vejo Temer saindo sem a carteira, Lula sem o relógio e Dilma sem mais um neurônio.

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