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Política

As semelhanças entre os casos do sítio de Atibaia e do Resort Yayayá

Frequência de uso e controle informal por Lula e Toffoli aproximam dois imóveis que viraram símbolos de escândalo

Toffoli e Lula já tiveram relações amistosas | Foto: Reprodução/Redes sociais
Toffoli e Lula já tiveram relações amistosas | Foto: Reprodução/Redes sociais

À primeira vista, o Tayayá Resort parece só mais um refúgio de alto padrão no interior do Paraná. Diárias salgadas, acesso restrito e lazer completo às margens de uma represa. Mas, nos bastidores, o empreendimento virou personagem central de uma história que ultrapassa o turismo de luxo e encosta no coração do Judiciário brasileiro.

O nome no centro dessa trama é o do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Segundo apurações jornalísticas, Toffoli seria o “dono de fato” do Tayayá, embora o resort esteja formalmente registrado em nome de parentes. O dado mais chamativo: o ministro teria passado ali quase 170 dias entre 2022 e o começo de 2026, usando o local como extensão de sua vida privada, com direito a áreas exclusivas, eventos reservados e encontros com empresários influentes.

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A controvérsia não está só nos registros cartoriais. Como mostra a reportagem publicada por Rachel Díaz na Edição 307 da Revista Oeste, funcionários relatam que o magistrado é tratado como proprietário. Equipes de segurança pública o acompanham com frequência. Há registros de voos privados coincidindo com suas estadias. O custo dessa rotina, incluindo diárias de agentes, passa da casa das centenas de milhares de reais.

Tayayá Resort, no Paraná | Foto: Reprodução

O sítio de Atibaia

O roteiro lembra outro caso famoso da política brasileira: o sítio de Atibaia. Lá, a discussão girava em torno de quem mandava, usufruía e se beneficiava do imóvel. No Tayayá, a lógica parece semelhante. Mas há um detalhe irônico: foi o próprio Toffoli quem anulou, anos depois, as provas que sustentaram aquela investigação.

O episódio ganha ainda mais peso porque o ministro é relator do inquérito que envolve o Banco Master, instituição que aparece conectada, direta ou indiretamente, a personagens e operações ligadas ao resort. A coincidência de interesses elevou o desgaste dentro e fora do Supremo.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante transmissão de cargo para o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

No plano institucional, as reações são contraditórias. Há ministros que defendem o envio do caso à primeira instância. Outros minimizam as suspeitas. Órgãos de controle arquivaram pedidos de apuração por limites formais de competência. No Senado, parlamentares mantêm viva a pressão por um processo de impeachment. Nada disso produziu, até agora, um desfecho concreto. Toffoli segue na relatoria, o inquérito segue sob sigilo, e o Tayayá segue operando.

A reportagem mostra como um resort de luxo se transformou em símbolo da dificuldade crônica de separar poder público e interesses privados no topo da República. Os personagens são conhecidos, os indícios se acumulam, e o final ainda está longe de ser escrito.

Para entender os detalhes dessa história, basta acessar a reportagem publicada na Edição 307 da Revista Oeste. O conteúdo é exclusivo para assinantes.

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