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Política

Bolsonaro nega ter espionado adversários

Ex-presidente reage ao relatório da PF que o trata como destinatário de dados sigilosos da Abin

Ex-presidente afirma que nunca precisou saber onde estavam seus opositores durante o mandato | Foto: Reprodução/Flickr
Ex-presidente afirma que nunca precisou saber onde estavam seus opositores durante o mandato | Foto: Reprodução/Flickr

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter usado o sistema espião da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos durante seu mandato.

Neste sábado, 21, ao sair de um hospital em Brasília, Bolsonaro afirmou que nunca se interessou pela localização de opositores.

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“Para que usaria um equipamento desses?”, perguntou o ex-presidente. “Bota para fora quem usou isso e resolve. Criaram uma fantasia de que eu estava monitorando as pessoas. Para que iria querer saber onde está A, B ou C? Ninguém reclamou de monitoramento.”

Polícia Federal liga Bolsonaro a relatórios da Abin

As declarações de Bolsonaro ocorrem em meio à divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento alega que Bolsonaro recebeu informações clandestinas da Abin.

Segundo a PF, a agência produziu relatórios com dados sensíveis enquanto o deputado Alexandre Ramagem (PL-RS) dirigia o órgão. Os documentos, conforme os investigadores, chegaram diretamente ao gabinete do então presidente. A versão da PF agora é contrariada por Bolsonaro.

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Os agentes alegam que o conteúdo das investigações confirma o uso indevido da estrutura estatal. O inquérito da “Abin paralela” começou depois de uma reportagem do jornal O Globo. Em março de 2023, o veículo fez publicação sobre a compra do sistema espião pela Abin. O software permitia rastrear, em tempo real, a localização de alvos em qualquer lugar do país.

Pressão em Lula

Servidores da Abin se mobilizam para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a demitir o diretor-geral da instituição, Luiz Fernando Corrêa, indiciado pela PF por obstrução de Justiça.

No relatório final da investigação, os agentes da PF mostram que Luiz Fernando Corrêa, já na condição de diretor-geral, atuou diretamente para dificultar as apurações.

Diante do cenário de crise, os servidores marcaram uma assembleia geral extraordinária para este domingo, 22, na qual discutirão o assunto.

Entre as possibilidades em discussão estão a deflagração de uma greve e o ajuizamento de uma ação civil pública, com o objetivo de afastar Corrêa do cargo.

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