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Política

Magistrados denunciam 'muro de privilégios' no Judiciário

Carta aberta do Sindmagis critica tratamento dado à magistratura de carreira e pede maior transparência nas cúpulas dos tribunais

Posse ministro Edson Fachin no STF
Sindicato também critica eventos promovidos por institutos privados ligados a integrantes das Cortes superiores e patrocinados por grandes grupos econômicos | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A diretoria do Sindicato dos Magistrados do Brasil (Sindmagis) divulgou uma carta aberta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin. No documento, a entidade denuncia a existência de um “muro de privilégios” que separaria os tribunais superiores da magistratura de carreira.

Segundo o sindicato, o Judiciário brasileiro passou a operar sob regras diferentes para juízes de primeira instância e integrantes das Cortes Superiores. A entidade afirma que magistrados da base enfrentam fiscalização rigorosa, metas de produtividade e risco constante de punições, enquanto ministros estariam submetidos a padrões mais brandos.

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Leia também: “STF: Fachin cria grupo para dar transparência a pagamentos de juízes

Sindmagis fala em “duplo padrão”

A carta afirma que existe uma “doutrina do duplo padrão de moralidade” dentro do Judiciário e sustenta que os juízes de primeiro grau e os tribunais locais são submetidos a um controle rígido, considerado “injusto e implacável” pelo CNJ, enquanto as instâncias superiores, como o STF, estariam protegidas por barreiras de maior flexibilidade e menor fiscalização.

A entidade também critica eventos promovidos por institutos privados ligados a integrantes das Cortes Superiores e patrocinados por grandes grupos econômicos.

“Tornou-se rotina assistir a eventos suntuosos patrocinados por grandes grupos econômicos e financeiros, organizados por institutos privados ligados a membros das cúpulas”, afirma a carta.

A crítica ocorre em meio a questionamentos recentes sobre a relação de integrantes do Judiciário com grandes grupos privados. Nos últimos meses, vieram a tona ligações entre ministros do STF e o Banco Master, incluindo contratos de familiares, viagens e relações comerciais que passaram a ser alvo de debate público.

Segundo o sindicato, situações desse tipo geram indagações sobre conflitos de interesse e não recebem o mesmo tratamento dispensado aos magistrados de carreira.

Comparação com o Muro de Berlim

Para ilustrar a crítica, a Sindmagis cita o discurso do então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan diante do Muro de Berlim, em 1987.

“Olhamos para Brasília e enxergamos a edificação de um novo muro”, afirma o documento. “Uma barreira invisível, mas implacável, que cindiu o Poder Judiciário em dois mundos distintos: o das cúpulas e o dos juízes e juízas de carreira.”

A entidade também rejeita a ideia de que o silêncio da magistratura represente conformismo. “O arrepio que corre pela magistratura de carreira é de revolta silenciosa e de vergonha institucional”, afirma a carta.

Magistrados fazem apelo a Fachin

No trecho final, o sindicato pede mudanças na condução do Judiciário e cobra tratamento igual para todos os magistrados. A carta termina com um apelo direto ao presidente do STF e do CNJ:

“Que a Constituição seja honrada”, afirma o sindicato. “Senhor presidente, derrube este muro.”

Até o momento, o STF e o CNJ não se pronunciaram sobre o documento.

Veja a carta aberta na íntegra:

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