A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 3, um projeto que cria 16 mil cargos no Ministério da Educação, outros 1,5 mil no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e autoriza a instalação do Instituto Federal do Sertão Paraibano. O texto também promove uma ampla reestruturação das carreiras do Executivo.
A proposta segue para análise do Senado. A votação na Câmara aconteceu no mesmo dia em que os deputados também aprovaram medidas que reestruturam carreiras do próprio Congresso, com aumento de vencimentos básicos e ampliação de gratificações de desempenho para servidores da Câmara e do Senado.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Com os benefícios, a remuneração básica pode até dobrar. No caso do Legislativo, o impacto financeiro não foi informado. A sessão teve forte atuação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que defendeu a expansão da educação profissional e celebrou a criação do novo instituto federal no sertão paraibano.

O projeto prevê o desmembramento do Instituto Federal da Paraíba, com sede da nova reitoria em Patos, base eleitoral de Motta. No município, seu pai, Nabor Wanderley, foi reeleito prefeito e é apontado como possível candidato ao Senado em 2026.
O texto altera a Lei dos Institutos Federais ao determinar que o presidente da República nomeie obrigatoriamente o candidato mais votado em consulta à comunidade acadêmica para o cargo de reitor, com peso igual para docentes, técnicos e estudantes. A mudança elimina a lista tríplice e reduz a margem de escolha política.
O projeto funciona como um “guarda-chuva” de pessoal e consolida acordos firmados pelo governo com diferentes categorias do funcionalismo. Entre os principais pontos estão os reajustes nas carreiras da Receita Federal e da Auditoria-Fiscal do Trabalho, além da recomposição para médicos e veterinários da educação.

O texto também cria a Carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, com estrutura própria de progressão e gratificação de desempenho vinculada a metas. Na educação, institui o Reconhecimento de Saberes e Competências para técnicos-administrativos, permitindo progressão baseada na experiência profissional, e não apenas em títulos formais.
O pacote ainda cria cargos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, reorganiza quadros em diversas áreas do Executivo e incorpora medidas de gestão classificadas pelo governo como de modernização administrativa, como perícia médica por telemedicina, novos regimes de jornada e ajustes nas regras de movimentação de pessoal.
O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) votou contra o projeto e criticou a criação da chamada licença compensatória para servidores do Legislativo. Em publicação nas redes sociais, afirmou não ser contrário a reajustes, desde que haja recursos e responsabilidade fiscal, mas alertou para o risco de remunerações acima do teto.
Pacote aprovado na Câmara custa mais de R$ 5 bilhões
Segundo o MGI, o projeto do Executivo pode gerar impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026. Desse total, R$ 1,08 bilhão referem-se à criação de 16 mil cargos nas instituições federais de ensino e às novas carreiras transversais do ministério, enquanto R$ 4,2 bilhões dizem respeito a remunerações, gratificações e criação de carreiras.
Apesar de os valores constarem no Orçamento, a execução dependerá da implantação dos institutos federais e da realização ou conclusão dos concursos. No MGI, são abertas 750 vagas de analista técnico de desenvolvimento socioeconômico e 750 de analista técnico de Justiça e defesa, carreiras de atuação transversal em políticas públicas.
Na área de educação, o texto cria 9.587 cargos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico, 4.286 de técnico em educação e 2.490 de analista em educação, voltados à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e às universidades federais.

O provimento dos cargos será gradual e condicionado à existência de estrutura física e dotação orçamentária. O parecer aprovado reconhece a existência de estimativas de impacto financeiro apresentadas pelo Executivo, mas não consolida o valor total da despesa adicional.
Em nota, conforme noticiado pelo jornal O Globo, o MGI afirmou que o projeto é resultado de propostas debatidas desde 2023 e que busca corrigir distorções salariais no Executivo, alcançando cerca de 200 mil servidores ativos e aposentados. Segundo a pasta, a implantação escalonada visa a garantir previsibilidade e sustentabilidade fiscal.
O maior impacto orçamentário concentra-se na recomposição salarial de carreiras já existentes, como Receita Federal, Auditoria Fiscal do Trabalho e médicos e veterinários do plano técnico-administrativo em educação. Esses reajustes têm efeito imediato, enquanto os custos da criação de novos cargos serão diluídos ao longo do tempo.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.