publicidade
Política

Câmara aprova pacote que cria mais de 17 mil cargos no Executivo

Projeto amplia vagas na educação e na gestão pública, prevê impacto bilionário a partir de 2026 e segue para análise do Senado

Hugo Motta, presidente da Câmara, na sessão desta segunda-feira, 2/2/2026 | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Hugo Motta, presidente da Câmara, na sessão desta segunda-feira, 2/2/2026 | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 3, um projeto que cria 16 mil cargos no Ministério da Educação, outros 1,5 mil no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e autoriza a instalação do Instituto Federal do Sertão Paraibano. O texto também promove uma ampla reestruturação das carreiras do Executivo.

A proposta segue para análise do Senado. A votação na Câmara aconteceu no mesmo dia em que os deputados também aprovaram medidas que reestruturam carreiras do próprio Congresso, com aumento de vencimentos básicos e ampliação de gratificações de desempenho para servidores da Câmara e do Senado.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Com os benefícios, a remuneração básica pode até dobrar. No caso do Legislativo, o impacto financeiro não foi informado. A sessão teve forte atuação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que defendeu a expansão da educação profissional e celebrou a criação do novo instituto federal no sertão paraibano.

Rui Costa (esq.), Davi Alcolumbre (centro) e Hugo Motta (dir.)
Rui Costa (esq.), Davi Alcolumbre (centro) e Hugo Motta (dir.) durante sessão de abertura do Legislativo | Foto: Divulgação/Wagner Lopes/Casa Civil

O projeto prevê o desmembramento do Instituto Federal da Paraíba, com sede da nova reitoria em Patos, base eleitoral de Motta. No município, seu pai, Nabor Wanderley, foi reeleito prefeito e é apontado como possível candidato ao Senado em 2026.

O texto altera a Lei dos Institutos Federais ao determinar que o presidente da República nomeie obrigatoriamente o candidato mais votado em consulta à comunidade acadêmica para o cargo de reitor, com peso igual para docentes, técnicos e estudantes. A mudança elimina a lista tríplice e reduz a margem de escolha política.

O projeto funciona como um “guarda-chuva” de pessoal e consolida acordos firmados pelo governo com diferentes categorias do funcionalismo. Entre os principais pontos estão os reajustes nas carreiras da Receita Federal e da Auditoria-Fiscal do Trabalho, além da recomposição para médicos e veterinários da educação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com reitores de universidades federais e de institutos federais de ensino, no Palácio do Planalto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O texto também cria a Carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, com estrutura própria de progressão e gratificação de desempenho vinculada a metas. Na educação, institui o Reconhecimento de Saberes e Competências para técnicos-administrativos, permitindo progressão baseada na experiência profissional, e não apenas em títulos formais.

O pacote ainda cria cargos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, reorganiza quadros em diversas áreas do Executivo e incorpora medidas de gestão classificadas pelo governo como de modernização administrativa, como perícia médica por telemedicina, novos regimes de jornada e ajustes nas regras de movimentação de pessoal.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) votou contra o projeto e criticou a criação da chamada licença compensatória para servidores do Legislativo. Em publicação nas redes sociais, afirmou não ser contrário a reajustes, desde que haja recursos e responsabilidade fiscal, mas alertou para o risco de remunerações acima do teto.

Pacote aprovado na Câmara custa mais de R$ 5 bilhões

Segundo o MGI, o projeto do Executivo pode gerar impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026. Desse total, R$ 1,08 bilhão referem-se à criação de 16 mil cargos nas instituições federais de ensino e às novas carreiras transversais do ministério, enquanto R$ 4,2 bilhões dizem respeito a remunerações, gratificações e criação de carreiras.

Apesar de os valores constarem no Orçamento, a execução dependerá da implantação dos institutos federais e da realização ou conclusão dos concursos. No MGI, são abertas 750 vagas de analista técnico de desenvolvimento socioeconômico e 750 de analista técnico de Justiça e defesa, carreiras de atuação transversal em políticas públicas.

Na área de educação, o texto cria 9.587 cargos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico, 4.286 de técnico em educação e 2.490 de analista em educação, voltados à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e às universidades federais.

Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O provimento dos cargos será gradual e condicionado à existência de estrutura física e dotação orçamentária. O parecer aprovado reconhece a existência de estimativas de impacto financeiro apresentadas pelo Executivo, mas não consolida o valor total da despesa adicional.

Em nota, conforme noticiado pelo jornal O Globo, o MGI afirmou que o projeto é resultado de propostas debatidas desde 2023 e que busca corrigir distorções salariais no Executivo, alcançando cerca de 200 mil servidores ativos e aposentados. Segundo a pasta, a implantação escalonada visa a garantir previsibilidade e sustentabilidade fiscal.

O maior impacto orçamentário concentra-se na recomposição salarial de carreiras já existentes, como Receita Federal, Auditoria Fiscal do Trabalho e médicos e veterinários do plano técnico-administrativo em educação. Esses reajustes têm efeito imediato, enquanto os custos da criação de novos cargos serão diluídos ao longo do tempo.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade