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Política

Câmara do Rio prepara lei de 'Tolerância Zero' na cidade

Vereador Pedro Duarte (Novo) protocolou Pacote Anticriminalidade com base em projeto aprovado em São Paulo

Rio de Janeiro pacote Anticriminalidade Pedro Duarte (Novo)
Vereador diz que os cariocas chegaram ao seu limite em relação à falta de segurança no Rio | Foto: Reprodução/Unplash

A solução para os problemas da cidade do Rio de Janeiro passa pelas iniciativas no município, segundo o vereador Pedro Duarte (Novo). Com este pensamento, ele protocolou um Pacote Anticriminalidade na Câmara Municipal, que analisará, nos próximos meses, medidas para reduzir a quantidade de crimes na cidade.

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“Os cariocas já chegaram ao seu limite com relação à falta de segurança pública, e o município não pode continuar fugindo da sua responsabilidade”, afirmou Pedro a Oeste.

“Por isso, eu, como vereador, apresentei um projeto, um pacote anticrime, com várias iniciativas que buscam trazer mais ordem à nossa cidade.”

O vereador ressaltou que seguiu a Teoria das Janelas Quebradas, praticada em Nova York nos anos 1990, que se expandiu para cidades de vários países.

“Nessa teoria, pequenos delitos, pequenas bagunças, pequenas desordens vão minando a autoridade pública e atraindo o criminoso, a criminalidade, e por isso nós não podemos deixar que ela se crie na nossa cidade.”

O pacote reúne seis projetos com foco na segurança urbana e ordem pública. Entre as propostas estão a responsabilização por pichação, a aplicação de multa para invasões de propriedades públicas e privadas e a proibição de homenagens a pessoas condenadas por crimes hediondos.

A proposta no Rio segue a linha de medidas aprovadas recentemente na Câmara Municipal de São Paulo, de autoria da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil).

O pacote da vereadora paulistana, denominado Frente Nacional de Combate ao Crime Organizado, contém 15 projetos de lei voltados ao combate ao crime organizado e à criminalidade urbana.

A iniciativa em São Paulo contou com apoio do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e se tornou uma referência para parlamentares em outras capitais. Amanda e Pedro são integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL).

No caso do Rio, Pedro Duarte optou por protocolar apenas os projetos que considera mais pertinentes à realidade local.

O primeiro deles já tramita na Câmara desde fevereiro. Conhecido como Lei Anti-Oruam (PLC 16/2025), o projeto proíbe a administração pública de contratar shows e artistas que façam apologia do crime organizado.

Outros três projetos já foram protocolados e tiveram seus textos publicados no Diário Oficial da Câmara do Rio:

  1. PL 596/2025: proíbe a administração pública municipal de conceder qualquer forma de reconhecimento oficial a pessoas condenadas por crimes hediondos ou equiparados, incluindo títulos, honrarias, medalhas e homenagens.
  2. PL 597/2025: determina que o Poder Executivo adote medidas para combater a presença simbólica e a influência de organizações criminosas em espaços públicos, como a retirada de símbolos ligados a facções de estátuas ou fachadas.
  3. PL 598/2025: estabelece mecanismos de responsabilização por atos de pichação no município do Rio. A multa prevista é de R$ 5 mil, com possibilidade de aumento em caso de reincidência.

Dois outros projetos também foram protocolados, mas ainda não tiveram seus textos publicados oficialmente. Um prevê multa de R$ 10 mil para invasores de propriedades públicas ou privadas. O outro proíbe a atividade de guardadores de veículos em vias públicas, com multa a partir de R$ 5 mil.

“Esse pacote é importante, porque a segurança começa no básico, e não podemos mais ignorar isso”, ressaltou Pedro, que é presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio.

“Quando a cidade normaliza o vandalismo, acaba estimulando crimes mais graves. E mais: cuidar do ambiente urbano com estratégia de prevenção é importante, porque sabemos que a segurança começa a ruir justamente quando o espaço público deixa de comunicar cuidado e quando a presença do Estado se mostra distante.”

Nos dois primeiros meses de 2025, a cidade do Rio de Janeiro registrou uma alta significativa nos índices de violência, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

Houve crescimento em várias modalidades de crime, como roubos de carga, veículos e a pedestres. Também aumentou o número de crimes de letalidade violenta.

A pesquisa constatou ainda que o número de roubos de carga cresceu 58%, enquanto o de crimes de letalidade violenta aumentou 52% na comparação com o mesmo período de 2024. 

Tolerância Zero em NY reduziu crimes, e Rio quer repetir

A Teoria das Janelas Quebradas foi concebida em 1982 pelos criminologistas James Quinn Wilson (1931-2012) e George Lee Kelling (1935-2019). Sua aplicação prática ocorreu em Nova York a partir de 1990, sob a liderança de William Joseph Bratton (hoje com 77 anos), então comissário da Polícia do Transporte de Nova York.

Bratton implementou políticas com base nessa teoria. Entre as ações estavam o combate rigoroso à evasão de tarifas no metrô. A política resultou em uma redução de crimes no sistema de transporte público.

Leia mais: “Ricardo Nunes: ‘Com muito orgulho chamo GCM de Polícia Municipal'”

Com o sucesso da iniciativa, Bratton assumiu, em 1994, o cargo de comissário da Polícia de Nova York (NYPD) e expandiu a aplicação da Teoria das Janelas Quebradas para toda a cidade. O nome ganhou uma conotação ampliada: Iniciativa de Qualidade de Vida.

O objetivo era o mesmo: combater infrações como consumo público de álcool, pichação, prostituição de rua e lavagem de para-brisas não solicitada. Durante seu mandato, as taxas de crimes graves caíram quase 40%, e o número de homicídios foi reduzido pela metade.

O prefeito Rudy Giuliani, que assumiu o cargo em 1994, deu apoio a essa iniciativa. E a expandiu em forma de marketing, com o conhecido slogan de Tolerância Zero. A política se baseava na mensagem de que a repressão a crimes menores ajudaria a prevenir crimes mais graves.

A estratégia de marketing foi utilizada de maneira eficiente, sem ficar restrita apenas às aparências. Consagrou tal política como um fator importante na redução da criminalidade em Nova York durante o período.

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