A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 30, um projeto que restringe a atuação de partidos políticos e entidades sindicais no Supremo Tribunal Federal (STF) em ações contra decisões do Congresso Nacional.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Receba nossas atualizações
O texto, de autoria do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), determina que apenas partidos com representação parlamentar e que cumpram a cláusula de barreira poderão apresentar ações de controle concentrado no STF. Se aprovado, ele restringe as regras atuais, que permitem esse direito a qualquer legenda.
Além dos partidos, a proposta impõe critérios mais rigorosos para sindicatos e entidades de classe acionarem o STF. Para recorrer à Corte, esses grupos precisarão ter associados ou integrantes em pelo menos 11 Estados, representar toda a categoria envolvida e comprovar autorização formal do órgão deliberativo máximo.
Leia também: “Um tribunal sem freios”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 289 da Revista Oeste
Com tramitação em caráter terminativo, o projeto pode seguir direto ao Senado. Contudo, partidos como Psol e Novo planejam apresentar recurso para haver análise da proposição no plenário da Câmara, atualmente presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB).
Principais mudanças propostas

Entre as principais mudanças, o projeto determina que toda decisão monocrática deve ser justificada e automaticamente encaminhada ao plenário do STF para julgamento na sessão seguinte. O relator do texto, deputado Alex Manente (Cidadania-SP), afirmou em seu parecer que decisões individuais só devem ocorrer em “casos excepcionais que justificam a concessão” e “sempre que identificados a extrema urgência, o perigo de lesão grave e o interesse social relevante”.
No debate da comissão, o parlamentar também defendeu o critério mais restrito para partidos apresentarem ações.
Leia também: “A crise veste toga”, artigo de Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha publicado na Edição 289 da Revista Oeste
“Vamos dar um passo significativo, a fim de harmonizar a relação entre os Poderes”, disse. “Vamos criar as condições adequadas para que o Supremo Tribunal Federal possa ser chamado a falar de temas que são pertinentes a uma Suprema Corte e diminuir o número de legitimados que não têm condições de representar, muitas vezes, as causas que são solicitadas por ação de controle de constitucionalidade, transformando isso num grande mercado. Essa é uma mudança que nós acreditamos ser muito importante.”
Repercussão entre parlamentares da Câmara
O texto recebeu apoio de parte do PT, e o deputado Rubens Pereira da Silva (PT-MA) elogiou a proposta. “Eu queria parabenizar o autor da matéria, deputado Marcos Pereira”, afirmou. “Eu queria também parabenizar o nosso relator, deputado Alex Manente. Trata-se de um projeto importantíssimo, afinal de contas, ele disciplina a tramitação dos processos constitucionais e, portanto, limita a forma de atuação do Poder Judiciário. E isso está sendo feito através de lei, que é o caminho adequado.”
Já a líder do Psol, Taliria Petroni (RJ), manifestou posição contrária. Ela argumentou que tais alterações não deveriam ocorrer por meio de projeto de lei.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.