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Política

O chanceler alemão tem razão: Belém é vitrine da vergonha brasileira

'Na capital paraense, as condições de vida são ainda piores do que as de outras capitais brasileiras'

Belém ; Cop30 ; Pará ; favelas ;
Região de favelas em Belém (PA) | Foto: Donatas Dabravolskas/Shutterstock

Muitos brasileiros ficaram indignados com a fala do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, sobre a sua passagem por Belém, onde participou da abertura da COP30 e ouviu pedidos de mais bilhões para as “florestas”. Até chamaram o sujeito de “nazista”, porque, como se sabe, todo alemão só pode ser nazista.

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Em discurso a empresários do seu país presentes a um congresso de varejistas, o chanceler disse o seguinte:

“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos.”

Friedrich Merz deu uma bordoada no Brasil para valorizar, por contraste, as condições propícias aos negócios na Alemanha.

Precisava? Não precisava. É, no mínimo, indelicado um chefe de governo ou um chefe de Estado fazer comentários públicos desagradáveis sobre um país que visitou.

Dito isso, vamos ao que interessa: a referência do chanceler alemão condiz com a realidade de Belém? Condiz. Não é apenas Belém que é uma vergonha. O Brasil inteiro é.

“Capital mais favelizada do país”

Favelas em Belém (PA) | Foto: Maritime Art Blog/Shutterstock

Na capital paraense, porém, as condições de vida são ainda piores do que as de outras capitais brasileiras. Belém é a capital mais favelizada do país, de acordo com o IBGE. Quase 60% da população mora em favelas. Não tem nem sequer arremedo de esgoto.

Quando a miséria é dessa proporção, fica impossível esconder a realidade, como se faz em São Paulo e no Rio de Janeiro. Organizar uma conferência da ONU em uma cidade como Belém é, portanto, colocar a pobreza extrema, a ausência de infraestrutura, a sujeira, em vitrine mundial — e a coisa ganha ares de ironia perversa porque a conferência é ambiental.

A COP30 em Belém

Portal de acesso à Conferência do Clima, em Belém | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Portal de acesso à Conferência do Clima, em Belém | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A organização da COP30 é tão vexaminosa — e o vexame era anunciado pela falta de hotéis e a consequente necessidade de enfiar participantes da conferência para dormir em dois transatlânticos poluidores ancorados em um porto da cidade —, que até a ONU, em geral condescendente com países como o Brasil, aqueles em eterno desenvolvimento, reclamou.

“A COP30 reflete o estado geral de Belém e da nação: em maior ou menor grau, as nossas cidades são de uma precariedade vergonhosa”

Na primeira semana da COP30, o pessoal das Nações Unidas deu um ultimato aos organizadores para que providenciassem melhorias na segurança, na refrigeração das salas e nos banheiros sem água. Nunca se viu coisa igual, assim como jamais se viu piscina de Olimpíada ficar verde, como aconteceu no Rio de Janeiro, em 2016.

A COP30 reflete o estado geral de Belém e da nação: em maior ou menor grau, as nossas cidades são de uma precariedade vergonhosa, por causa da safadeza dos nossos governantes, e a nossa capacidade de organização é pedestre, bem de acordo com o QI médio de 87 pontos dos brasileiros e da falta de escola digna desse nome, outra legado dos safados que insistimos em eleger continuamente.

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Se você se ofendeu com a declaração do chanceler alemão sobre Belém e saiu por aí dizendo que o sujeito é xenófobo, deveria é tomar satisfação com os patifes que nos roubam e riem da nossa cara, em um arco que vai do patrimonialismo histórico à corrupção mais despudorada.

E antes que você repita, como faz o gado, que os que dão razão a Friedrich Merz sofrem de complexo de vira-lata, já respondo que vira-lata é aquele cachorro, coitado, que chafurda nas favelas imundas, violentas, desumanas, deste nosso belo Brasil.

Leia também: “O fiasco da COP30”, reportagem de Carlo Cauti e Sarah Peres publicada na Edição 296 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. Lucia campos
    Lucia campos

    Depois que trocaram farpas já estâo de bjos e abracos ! Berlim XBelém !

  2. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Culpa do bebado que insistiu em fazer a conferência na pio capital do em todos os aspectos e tbm desse governador incapaz que viu na conferência mais uma oportunidade de embolsar uma grana pesada

  3. Célio Antônio Carvalho
    Célio Antônio Carvalho

    É isso meu caro. Esse Brasil é precário, inseguro, sem infraestrutura básica para o cidadão.
    Cuidado: tem gado por aí que vale muito mais do que gente!

  4. JOSE A
    JOSE A

    Mas não isto que a Propaganda Estatal com nosso $$$ mostra… Mostra um Brasil perfeito! Precisa vir alguém de fora….
    Bem feito !

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