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Política

Chanceler de Israel ironiza fake news de Lula sobre número de crianças mortas em Gaza

Presidente afirmou que 12,3 milhões morreram na Faixa de Gaza; região tem 2,3 milhões de habitantes

Lula discursou durante Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula discursou durante Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, ironizou a mais recente fake news divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta semana, o chefe do Executivo disse que 12,3 milhões de crianças morreram na Faixa de Gaza por causa das ações militares israelenses.

Em uma publicação no Twitter/X, Katz disse que “deveria haver uma lei que obrigasse toda a pessoa que deseja se tornar presidente a aprender a contar”. O chanceler marcou Lula ao fim da postagem.

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O ministro de Israel tem sido um forte crítico do presidente brasileiro desde que Lula comparou a retaliação israelense ao Hamas na Faixa de Gaza ao Holocausto, promovido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial. Lula classificou as ações militares como um “genocídio”.

A comparação de Lula gerou uma crise internacional, e o presidente foi declarado “persona non grata” em Israel. O termo é utilizado para dizer que determinado representante não é bem-vindo no país. 

Katz cobrou diversas vezes um pedido de desculpas da diplomacia brasileira. O diplomata Celso Amorim, assessor-chefe de Lula para assuntos internacionais, foi enfaticamente contra a retratação do Brasil.

Lula aumenta em mil vezes o número oficial de crianças mortas

Lula disse, na quarta-feira 3, que 12,3 milhões de crianças morreram em Gaza por causa da guerra do Hamas contra Israel. O presidente discursou na Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília. Na ocasião, ainda classificou os bombardeios no território palestino como uma “guerra insana contra a humanidade”.

“Às crianças, às quase 40 mil que morreram e ficaram órfãs de pai e mãe por causa da Covid”, disse Lula, durante evento. “São as crianças que, no Brasil, morrem de desnutrição porque ainda não recebem as calorias e as proteínas necessárias. Mas, sobretudo, é uma homenagem às quase 12 milhões e 300 mil crianças que morreram na Faixa de Gaza, em Israel, bombardeadas em uma guerra insana contra a humanidade.”

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De acordo com o censo realizado pelo Ministério do Interior de Gaza, órgão administrado pelo Hamas, a população da região no fim de 2022 era de 2,3 milhões de habitantes. O governo palestino informou que 47% dos moradores têm até 17 anos. 

Segundo levantamento de Oeste, a Faixa de Gaza tem 1,1 milhão de moradores menores de idade. Mais da metade dessas pessoas vive em Rafah — cidade que faz fronteira com o Egito. O número representa cerca de 9% do número de crianças mortas que Lula afirmou ter sido registrado na região.

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O Ministério de Saúde de Gaza, que também é controlado pelo grupo terrorista, informou que cerca de 12,4 mil crianças morreram entre as mais de 30 mil vítimas da guerra. Lula inflou o número oficial em mil vezes. Não há checagem independente da estatística.

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