O senador Cleitinho (Republicanos-MG) adotou um tom ambíguo sobre sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais nas eleições de outubro. Em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar fez duras críticas às principais lideranças do seu próprio partido, ironizou os rótulos ideológicos de esquerda e direita e revelou que seu verdadeiro desejo é trocar a vida pública pela televisão.
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O parlamentar foi eleito em 2022 com mais de 4 milhões de votos. O ex-deputado estadual e ex-vereador de Divinópolis (MG) afirmou que o mistério sobre o Palácio da Liberdade faz parte de uma estratégia de marketing.
Críticas diretas a Eduardo Cunha e Edir Macedo
O ponto de maior fricção na entrevista envolveu a total quebra de pontes com o Republicanos, legenda ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. Cleitinho criticou a articulação da sigla para trazer o ex-deputado federal Eduardo Cunha como puxador de votos para a Câmara dos Deputados em solo mineiro. O senador chamou Cunha de “vagabundo” e prometeu fazer campanha aberta contra ele.
As queixas também atingiram o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, e o fundador da Universal, bispo Edir Macedo.
“Ele [Marcos Pereira] garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou o senador. Sobre Edir Macedo, o parlamentar foi ainda mais taxativo: “Falso profeta, nem quero me aproximar”.
“Entrei na política para aparecer”, afirma Cleitinho
Ao ser provocado sobre o ceticismo de aliados do ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) e de deputados quanto à sua capacidade de gerir o Executivo estadual, Cleitinho minimizou a falta de formação acadêmica e comparou sua trajetória à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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“A classe política me subestima e parte da imprensa também. Eu gosto disso”, afirmou Cleitinho. “Não é porque tem mestrado e doutorado que vai ter voto. Se fosse assim, o Lula nunca teria chegado aonde chegou. Voto é emocional, é sentimento.”
Ele estipulou que as chances de concorrer ao governo hoje seriam “11”, mas que “amanhã pode ser um”. Sem rodeios, o congressista assumiu que buscou o poder por vaidade: “Entrei na política para aparecer, não sou hipócrita. Nunca nem tive título de eleitor, só queria ser famoso.”
O verdadeiro sonho: largar o Senado pelo entretenimento
Famoso nas redes sociais por vídeos em que exibe uma coleção de 1.581 camisas de times de futebol, Cleitinho defende pautas que confundem as divisões ideológicas tradicionais. Recentemente, manifestou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 — bandeira da esquerda — ao mesmo tempo em que aplaudiu o pedido da oposição para classificar facções criminosas como organizações terroristas.
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Apesar do capital político em Minas, ele deixou claro que não pretende envelhecer no Parlamento e que abandonaria o cargo imediatamente caso recebesse um convite para o mercado de comunicação.
“Na verdade, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, concluiu.





































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