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Política

Como funcionava a suposta 'justiça paralela' de Moraes no 8 de janeiro

Investigação combinava imagens dos protestos com publicações nas redes

Alexandre de Moraes, durante sessão no STF - 28/05/2025
O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão no STF - 28/05/2025 | Foto: Antonio Augusto/STF

Documentos publicados pelos jornalistas David Ágape e Eli Vieira nesta segunda-feira, 4, revelam o funcionamento de uma força-tarefa coordenada diretamente pelo ministro Alexandre de Moraes, que teria atuado de maneira paralela ao sistema judicial tradicional depois dos eventos de 8 de janeiro de 2023.

A operação combinava recursos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para identificar, manter presos e processar manifestantes, com base em registros digitais, redes sociais e dados biométricos.

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Como funcionava a força-tarefa de Moraes

A força-tarefa foi criada informalmente por meio de um grupo de WhatsApp denominado “Audiências de Custódia”. A coordenação ficou a cargo de Cristina Yukiko Kusahara, chefe de gabinete de Moraes no STF. Embora sem cargo formal no TSE, ela passou a dar ordens diretas aos funcionários do tribunal, como revelou uma fonte: “Ela basicamente dizia aos juízes o que fazer”.

Kusahara fornecia modelos de documentos, estabelecia prazos e decidia quais detidos deveriam permanecer presos. Segundo os registros, ela afirmava que “o objetivo era separar as ‘hipóteses’ — para determinar quem deveria permanecer na prisão e quem poderia ser libertado”.

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O processo de triagem era conduzido pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, coordenada por Eduardo Tagliaferro. A equipe acessava bases de dados como o bCPF, o Registro Nacional de Condutores Habilitados e o sistema biométrico GestBio — este último, originalmente criado para evitar duplicidade no cadastro eleitoral.

Depois de encontrar uma foto recente do detido, os servidores vasculhavam redes sociais em busca de postagens classificadas como “antidemocráticas”. Segundo os documentos, conteúdos que levavam à classificação como “positivo” incluíam: seguir perfis de direita, usar as cores verde e amarela, criticar Lula ou o STF, ou simplesmente participar de grupos do gênero.

Força-tarefa elaborava “certidões”

As classificações geradas pela equipe — conhecidas como “certidões positivas” — não tinham valor legal formal. Mesmo assim, foram utilizadas como critério para manutenção da prisão dos detidos. Nenhuma certidão positiva foi compartilhada com a defesa, tampouco com o Ministério Público.

Entre os casos exemplificados, está o de Claudiomiro da Rosa Soares, caminhoneiro, que foi mantido preso por 11 meses por comentários feitos no Facebook, como: “Segundo o cabeça de ovo (Moraes), ninguém pode questionar nada?”.

manifestações PF
Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Outro caso envolveu Ademir Domingos Pinto da Silva, ambulante, que não participou dos atos, mas foi detido por postagens feitas em 2018 que criticavam o Partido dos Trabalhadores e seus líderes.

Certidão positiva do TSE indicava que investigado fez manifestação crítica a Lula em postagem pretérita | Foto: Reprodução/X
Certidão positiva do TSE indicava que investigado fez manifestação crítica a Lula em postagem pretérita | Foto: Reprodução/X

A reportagem revela a simples existência de uma certidão positiva foi suficiente para impedir a liberdade dos envolvidos, ainda que não houvesse qualquer prova de ato violento. Mesmo entre os detidos classificados como “negativos”, 68% permaneceram presos.

Decisões eram centralizadas no gabinete de Moraes

As decisões sobre manutenção da prisão, segundo os documentos, estavam centralizadas no gabinete de Moraes. Em mensagem interna de fevereiro de 2023, Kusahara afirma: “A PGR pediu a LP [liberdade provisória] deles, mas o ministro não quer soltar sem antes a gente ver nas redes se tem alguma coisa”.

As audiências de custódia ocorreram com prazos irregulares, algumas até 22 dias depois da prisão, em desrespeito ao prazo de 24 horas previsto em lei. Os juízes responsáveis por essas audiências não tinham autonomia para conceder liberdade, apenas para verificar a legalidade formal da prisão.

eduardo tagliaferro - ex-assessor de alexandre de moraes no tse
Eduardo Tagliaferro é ex-assessor no TSE | Foto: Reprodução/X

O juiz Airton Vieira, assessor de Moraes que conduziu algumas dessas audiências, encerrou sua participação com uma mensagem de despedida no grupo de WhatsApp: “Que nas audiências de custódia possamos dar a cada um o que lhe é de direito: a prisão!”.

A força-tarefa contou com colaboração de agentes externos, como jornalistas, acadêmicos e instituições como a FGV e a UFRJ. Esses parceiros ajudaram na coleta de dados em grupos privados de WhatsApp e Telegram.

Juristas contestam legalidade da medida

Diversos especialistas apresentam possíveis ilegalidades no procedimento. O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello afirmou: “Somente a polícia judiciária e o Ministério Público têm autoridade para investigar crimes”, disse. “Quando o TSE assume esse papel, ele ultrapassa sua jurisdição.”

Já o advogado Hugo Freitas declarou que o Judiciário é usado “para fins políticos”, o que “é inconstitucional”. Ele ainda afirma: “O Estado não pode assumir poderes além dos que a lei permite”.

O jurista André Marsiglia foi categórico: “O órgão responsável pelo julgamento não pode ser o mesmo que produz as provas”. Para ele, houve “usurpação inconstitucional das funções do Ministério Público”.

A documentação revela que a força-tarefa liderada por Moraes utilizou uma combinação de recursos do STF e do TSE para executar um processo de triagem informal com base em critérios políticos. O mecanismo se baseava na análise de redes sociais, na classificação de opiniões como prova de culpa e no uso de dados sensíveis fora de seu escopo legal.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

12 comentários
  1. Denis R.
    Denis R.

    E não é que o tal Gabinete do Ódio era mesmo uma realidade! Só esqueceram, ou propositalmente se furtaram, de nos dizer que o JB não tinha nada a ver com isso. Sem uma ampla reforma do nosso judiciário estamos todos (todos mesmo) perdidos.

  2. Amaury G Feitosa
    Amaury G Feitosa

    NA GUERRA ENTRE O MAR E A ROCHA A VÍTIMA É O CARAMUJO …..na insana e criminosa guerra ideológica entre duas ideologias assassinas ultrapassadas somos as vítimas da pior politicalha de nossa negra estória onde três pôdres poderes acoluatdios violam e TUTELAM o Estado, massacram e em draconiana CURATELA escravizam a manezada tupi ignorante e submissa faminta e deseducada a gerar mais amebas legado de gerações à nação rumando no caos e rumando ao lixo … ou freiam o ditador psicopata ou o pior que vem a cavalo chegará antes da eleição.

  3. ROBERTO MIGUEL
    ROBERTO MIGUEL

    com um participante de destaque confessando a força tarefa contra os brasileiros de direita a imprensa inclusive a Revista Oeste escreve suposta, a conversa fiada de Abin Paralela em voga a mais de 3 anos sem nenhuma prova é escrita como verdadeira.

  4. Yohann Carelli Parenti
    Yohann Carelli Parenti

    Acredito q só uma guerra civil para nos libertar dessa tirania.

    1. Amaury G Feitosa
      Amaury G Feitosa

      … que vem a cavalo mas que já se desenha com clareza impar e se esta advier não cometerão os erros do passado e as ditaduras havidas no mundo mostram isto com clareza cruel … o desejável seria o Senado que tem poder legal de pacificar a nação agir utilizando os instrumentos de defesa institucional do Estado mas a cada dia o canal mais se estreita e farão o serviço mais bem feito e não como um “adélio mané” executor do assassinato de Bolsonaro incompetente fabricado esquizofrênico e enterrado vivo para sempre … e estejam certos … quem sobreviver chorará sangue !!!

  5. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Se os covardes do Senado não agirem , corremos o risco de uma guerra civil .

    1. Amaury G Feitosa
      Amaury G Feitosa

      .. de bolsos e rabo cheios a politicalha a roubar a nação desbragada e descaradamente esta pode sre fatal e inevitável e khru de mané vai arder, o meu arde faz tempo.

  6. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    E daí Magno Malta, vamos ou não pra guerra civil? Estou aqui, sempre. E a sorte do Moraes? Vc vai agir ou não?

  7. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    A justiça em si, pode até ser cega, MAIS, OPA! COMO É QUE É XANDÃO? MAASSS OS QUE NELA LABUTAM, ATUALMENTE,COMO DITADORES, SÃO UNS BANDIDOS.

  8. Refletindo internamente
    Refletindo internamente

    A justiça do Crime organizado sempre foi assim, so que agora ta dificil esconder pois todo mundo ta vendo.

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