O faturamento de bancos com empréstimos consignados vinculados ao INSS avançou de forma intensa nos últimos cinco anos e alcançou R$ 466 bilhões no período. Um levantamento do portal Metrópoles, obtido pela Lei de Acesso à Informação, mostra que esse mercado se expandiu enquanto decisões judiciais e órgãos de fiscalização identificavam fraudes e cobranças irregulares contra aposentados.
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Os dados abrangem 87 instituições com acordos ativos ou encerrados com o INSS desde 2020. No início da série, o consignado movimentava cerca de R$ 4 bilhões por mês. Durante a pandemia, esse volume saltou para R$ 9 bilhões e deve encerrar 2024 em R$ 100,8 bilhões.
Mercado cresce e amplia pressão sobre o INSS
A carteira de contratos ativos subiu de 23 milhões para 35 milhões, uma expansão de 52%. O número de bancos credenciados também aumentou e passou de 52 para 87. Entre as instituições que mais cresceram estão C6 e Agibank, que alcançaram 3,36 milhões e 1,57 milhão de operações neste ano.
O avanço ocorre enquanto se acumulam relatos de consignados realizados sem aval dos segurados, tema que entrou no radar do Congresso depois da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, deflagrada em abril.
Conexões com a ‘farra’
A apuração do Metrópoles indica vínculos entre o mercado de consignados e o esquema das entidades que aplicavam descontos irregulares. Essas associações utilizavam os mesmos correspondentes que atuavam na captação de clientes para grandes bancos. Elas acessavam a folha do INSS apenas por meio de Acordos de Cooperação Técnica.
Os ex-diretores do INSS suspeitos de receber vantagens das entidades investigadas foram os responsáveis por validar os acordos com os bancos. A diferença entre os dois segmentos é que parte das associações envolvidas era formada por estruturas fictícias, controladas por ‘laranjas’ e sem prestação de serviços. Em diversos casos, todos os filiados eram vítimas do esquema.
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