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Política

CPMI do INSS vota convite a Galípolo e Campos Neto 

Parlamentares também decidem sobre o compartilhamento de dados da CPI do Crime Organizado do empresário Fabiano Campos Zettel, ex-pastor da Lagoinha

Galípolo e Campos Neto
CPMI do INSS querem ouvir Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central e Roberto Campos Neto, ex-dirigente da instituição | Foto: Divulgação/Senado/Agência Brasil

A CPMI do INSS deve votar, nesta quinta-feira, 19, uma nova rodada de requerimentos que amplia o alcance das investigações sobre fraudes em empréstimos consignados. Entre as medidas, estão os convites ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ao ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto.

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A CPMI também vai pedir o compartilhamento de informações sigilosas da CPI do Crime Organizado que envolvem o empresário Fabiano Campos Zettel, citado como operador financeiro ligado ao Banco Master. Ele também é ex-pastor da unidade de Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha.

Os requerimentos foram apresentados pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e miram diretamente a atuação das instituições financeiras e de seus órgãos de regulação no período em que o volume de consignados explodiu no país.

Galípolo e Campos Neto

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Gabriel Galípolo, presidente do BC indicado por Lula | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

No caso de Galípolo, o objetivo é esclarecer o papel do Banco Central diante de um cenário que já reúne indícios robustos de irregularidades. O próprio requerimento destaca que “mais de 250 mil contratos de crédito consignado apresentam indícios de irregularidade ou fraude, somando cerca de R$ 2 bilhões em crédito” .

O documento também citou uma sequência de medidas adotadas pelo INSS depois do alerta da Controladoria-Geral da União (CGU), incluindo a suspensão de operações de diversas instituições financeiras por práticas consideradas lesivas a aposentados e pensionistas. 

Para Viana, o comparecimento do presidente do Banco Central se mostra necessário “para esclarecimento dos fatos” diante da dimensão do problema.

Mandato de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central vai até o fim de 2024
Mandato de Roberto Campos Neto ficou na presidência do Banco Central até o fim de 2024 | Foto: Reprodução/Instagram

A CPMI também decidiu avançar sobre a gestão anterior da autoridade monetária. O convite ao ex-presidente do BC Roberto Campos Neto parte do entendimento de que as fraudes cresceram durante o período em que ele esteve à frente da instituição. 

Segundo o requerimento apresentado por Viana, os empréstimos consignados atingiram R$ 466 bilhões, acompanhados de um aumento expressivo de reclamações por descontos indevidos .

Auditorias da CGU reforçam o cenário de descontrole: cerca de 25% dos contratos firmados em 2024 apresentavam indícios de fraude ou irregularidades graves. Nesse contexto, a CPMI considera “de grande relevância” ouvir os dirigentes do Banco Central que atuaram no período em que as distorções se consolidaram.

CPMI do INSS quer compartilhamento de dados de Zettel

Zettel
Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/fabiano.zettel/Instagram

Além do eixo regulatório, a comissão também aprofundou o foco sobre personagens considerados centrais na engrenagem financeira investigada. Os parlamentares também votam o requerimento que pede o compartilhamento de dados sigilosos da CPI do Crime Organizado sobre Zettel.

No requerimento, Viana sinalizou que Zettel “seria uma espécie de operador financeiro” de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador revelou que o ex-pastor poderia ter atuado diretamente na movimentação de recursos ligados às operações sob suspeita.

O requerimento do presidente da CPMI prevê o acesso a informações fiscais, bancárias, telefônicas e telemáticas já coletadas em outra investigação parlamentar.

A CPMI sustenta que o cruzamento desses dados é essencial para compreender o funcionamento do sistema investigado, especialmente diante do crescimento exponencial das operações. De acordo com o próprio documento, os contratos ligados ao banco saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024 — um aumento superior a 2.500% em apenas dois anos .

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