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Política

'Complexo núcleo de operadores financeiros' e 'vultosas transações': os detalhes do pedido de afastamento do vice-governador do Maranhão

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado nordestino, Danilo José de Castro Ferreira, cita valores recebidos por familiares de Felipe Camarão (PT)

felipe camarão - pt - vice-governador do maranhão - na mira do mpma
Felipe Camarão chama notícia sobre pedido de seu afastamento como 'vazamento criminoso' | Foto: Reprodução/Instagram/@felipecostacamarao

O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), precisa ser afastado do cargo. É o que argumenta o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado nordestino (MPMA), Danilo José de Castro Ferreira, em requerimento encaminhado ao Poder Judiciário. Datado de 2 de março, o teor do documento só se tornou público nesta semana.

O pedido de Castro Ferreira foi direcionado ao desembargador Sebastião Bonfim, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Por ora, não há registros a respeito da decisão do magistrado.

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No requerimento que há semanas está em mãos do TJMA, o procurador-geral de Justiça do MPMA afirma que o afastamento de Camarão do cargo se faz necessário diante do que se define como “complexo núcleo de operadores financeiros”. Nesse sentido, Castro Ferreira fala em “vultosas transações” que beneficiariam diretamente parentes do vice-governador maranhense.

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“As provas revelam movimentações milionárias realizadas por terceiros, estruturadas em operações de fracionamento, dissimulação e ocultação que demandam a intervenção estatal imediata”, afirma o procurador, em trecho de sua solicitação entregue ao TJMA. “A competência do Tribunal de Justiça para processar e julgar o feito é evidente, pois os elementos coligidos apontam para o envolvimento do agente político detentor de prerrogativa de foro e o uso da máquina administrativa para a consecução dos crimes.”

De acordo com Castro Ferreira, “documentos revelam vultosas transações entre Felipe Costa Camarão e diversas pessoas de seu entorno”. Conforme ele, essas movimentações são “classificadas como atípicas pelas instituições financeiras devido à absoluta incompatibilidade entre os valores movimentados e as rendas lícitas formalmente declaradas pelos envolvidos”.

Alguns dos valores recebidos por familiares de Felipe Camarão

Ainda segundo o procurador-geral de Justiça do TJMA, “sobressai” ao menos 71 transações financeiras que beneficiaram familiares de Felipe Camarão. No requerimento, ele afirma que tais movimentações bancárias ocorreram no intervalo de um ano e meio e foram feitas pelo policial militar Thiago Brasil Arruda, lotado no Gabinete Militar do governo maranhense.

Ao todo, foram R$ 177 mil repassados por Brasil Arruda a quatro pessoas ligadas ao vice-governador do Maranhão. Ex-mulher de Camarão, Márcia Trajano Jorge recebeu o maior valor da lista: R$ 115 mil.

dinheiro para parentes de felipe camarão - petista vice-governador do maranhão
Tabela organizada pelo MPMA: dinheiro de policial para familiares do petista Felipe Camarão | Foto: Reprodução/MPMA
rede do mpma - felipe maranhão - dinheiro para parentes
MPMA insere o petista Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão, em rede de transações financeiras suspeitas | Foto: Reprodução/MPMA

Castro Ferreira também pede o afastamento de Brasil Arruda de sua função no Poder Executivo maranhense. A mesma solicitação foi feita em relação ao policial militar Alexandre Guimarães Nascimento, também lotado no Gabinete Militar no governo estadual.

Petista, que pediu para censurar jornalista, reclama de “suposto pedido de afastamento”

Diante da notícia do parecer do MPMA, que foi divulgada em primeira mão pelo site do jornalista Luís Pablo, Camarão reclamou do “vazamento criminoso”. “O que está em curso não é investigação legítima, mas vazamento direcionado com objetivo eleitoreiro”, reclamou o político, que falou em “suposto pedido de afastamento”. “À margem da legalidade.”

Antes de reclamar de “vazamento”, o petista havia pedido para a Justiça censurar Luís Pablo, que, nesta semana, registrou que um homem deixou uma “mochila misteriosa” nas dependências da vice-governadoria do Maranhão. A juíza Lívia Maria da Graça Costa Aguiar, do 10º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís, acatou a solicitação e determinou a exclusão da reportagem, sob pena de multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.

A censura não é o único problema recente enfrentado por Luís Pablo. Na última semana, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua casa, na capital do Maranhão, por, de acordo com a divisão da Polícia Federal no Estado, “perseguir” o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação contra o jornalista foi autorizada por Alexandre de Moraes, do STF, e foi publicamente criticada por veículos de comunicação e associações de jornalismo.

Os detalhes da operação contra o jornalista Luís Pablo são apresentados em “Liberdade de imprensa sob ataque”, reportagem publicada na Edição 314 da Revista Oeste. A íntegra da matéria está disponível à comunidade de assinantes da publicação digital (para assinar, clique aqui).

Leia também: “O Inquérito da Censura”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 314 da Revista Oeste

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