publicidade
Eleições 2022

Educar sem doutrinar: o desafio do Escola sem Partido

Movimento defende mudanças no modelo atual de ensino

Escola Sem Partido
Foto: Reprodução/Shutterstock

Criado em 2004, o Escola Sem Partido (ESP) chegou com o objetivo de ser uma iniciativa contra o uso de escolas e universidades como palanque de propaganda política, ideológica e partidária.

Ainda que o movimento tenha ganhado um fôlego extra em 2015, atingindo o ápice da visibilidade durante a campanha eleitoral de 2018 do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PL), que hoje é candidato à reeleição, o Escola Sem Partido não conseguiu decolar. Nem mesmo o apoio declarado de Bolsonaro ao movimento foi suficiente para o ESP conseguir avançar, nem no Congresso, onde tramitam propostas, nem no próprio governo federal, no Ministério da Educação.

Receba nossas atualizações

“A direita abandonou, porque Bolsonaro abandonou. O fim do ESP não teve nada a ver com a não aprovação dos projetos de lei”, afirmou a Oeste o advogado Miguel Nagib, idealizador do movimento.

A bússola do Escola Sem Partido gira em torno do que os idealizadores do movimento consideram como um modelo de educação escolar aparelhado no país, com “professores militantes e alunos amordaçados”. Nesse contexto, o movimento defende mudanças no modelo atual de ensino, com um projeto de lei (PL) que estabeleça os deveres e os direitos dos professores em sala de aula.

“A doutrinação nas escolas não apenas existe, como é um problema sistêmico na educação brasileira”, alega Miguel Nagib. “Ela está presente em praticamente 100% das instituições de ensino. Nas públicas e particulares; leigas e confessionais; educação infantil e superior.”

Escola Sem Partido não avança no Congresso

No Congresso Nacional, em que o governo federal tem uma ampla base, os projetos de lei que instituem o Escola Sem Partido não conseguiram avançar.

Confira alguns deveres do professor que o movimento propõe:

Na Câmara dos Deputados foram apresentados diversos projetos que se baseiam no ESP, entre eles, o Projeto 7180/14, que estava sendo debatido na Casa até 2018. De autoria do então deputado federal Erivelton Santana (PSC-BA), nele foram apensadas quase 25 propostas que tratam do mesmo assunto. O projeto, que ainda aguarda a comissão temporária para análise, desejava alterar o terceiro artigo da Lei de Diretrizes Bases da Educação (LDB), para incluir o princípio às convicções dos alunos e de seus pais e responsáveis.

Além disso, em 2016, foi apresentado um projeto de lei do Senado pelo então senador Magno Malta (PL-ES). A proposta também incluía o ESP nas diretrizes da LDB. O Senado realizou uma consulta pública no E-cidadania para entender a opinião da população sobre a proposta. Foram quase 200 mil votos a favor e 210 mil contra. Em 2017, Malta retirou seu PL de tramitação.

ESP ganhou relevância internacional

Ainda em 2016, o Ministério Público Federal encaminhou ao Congresso Nacional uma nota técnica declarando que um projeto que incluía na LDB o ESP era inconstitucional. “O projeto confunde a educação escolar com aquela fornecida pelos pais, impede o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, nega a liberdade de cátedra e a possibilidade ampla de aprendizagem e contraria o princípio da laicidade do Estado”, comunicou.

Um ano depois, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU enviou uma carta ao Estado brasileiro, recomendando que o governo tomasse as atitudes necessárias para conduzir uma revisão dos projetos de lei que tratavam do ESP. Segundo as relatorias, as autoridades brasileiras deveriam assegurar a conformidade desses projetos com a base dos direitos humanos internacionais e a Constituição Federal de 1988.

De acordo com o comunicado, por não definir o que é doutrinação política e ideológica, propaganda político-partidária e educação moral, a proposição permite “alegar que um professor está violando as regras pelo fato de autoridades ou pais subjetivamente considerarem a prática como propaganda político-partidária”. Além disso, que o ESP poderia retirar das salas de aula, “discussões de tópicos considerados controversos ou sensíveis, como discussões de diversidade e direitos da minorias”.

Na época, o Itamaraty afirmou que a análise do projeto caberia ao Congresso Nacional. E que estaria atento à tramitação, para que o processo democrático fosse cumprido. A ONU ainda havia afirmado que existia a influência de ideias “conservadoras” na definição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A motivação seria que, em abril de 2017, o Ministério da Educação retirou do texto final da BNCC o termo “orientação sexual“. Em nota, a pasta informou que a versão final passou por ajustes que identificaram redundâncias, por isso alguns termos foram excluídos.

Em março de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional uma lei do Estado de Alagoas inspirada no ESP. O projeto proibia a “prática de doutrinação política e ideológica” nas salas de aula. Além disso, também propunha que era um direito dos pais que os filhos recebessem uma educação moral livre de “doutrinação política, religiosa ou ideológica”. A decisão do STF serve como baliza para novos posicionamentos que venham a ser tomados pela Corte Superior.

 

Leia mais sobre:

4 comentários
  1. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Difícil condução da situação dada à todas variantes desfavoráveis que aconteceram nesse primeiro mantado de Bolsonaro, lembrando que tudo isso também aliado à quantidade e o nível de idiotizados multiplicadores da mentalidade do ensino freiriano em nossas escolas.
    Não é à toa que os seguidores de Gramsci e do jacobismo da Escola de Frankfurt, ao readaptarem o marxismo para doutrinação junto aos brasileiros, se iniciaram pelas camadas mais pobres e frágeis da população, via imprensa e academias, quando se acabou aparelhando toda a máquina pública e, principalmente, o MEC.
    Reputo esse como um dos assuntos mais sérios e relevantes a serem tratados tão logo que possível!

  2. José Luiz Almeida Costa
    José Luiz Almeida Costa

    O ensino ideológico começa nos cursos de Pedagogia com a praxis de Paulo Freire, que é um educador cuja pedagogia tem por objetivos explícitos incurtir no aluno o socialismo.

  3. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    Procedi uma “pesquisa” no centro de SAMPA com a escola Marina Cintra e Caetano de Campos com ex alunos….
    O ensino fundamental é excelente. Incrível a destreza, articulação de falas, sagacidade argumentativa e domínio da língua portuguesa com utilização palavras/frases que fogem do padrão para a idade de 13-14 anos. Ótima noção de matemática cotidiana…tem noções de proporcionalidade e estatística.
    MAS…….
    Quando entram no Colégio Público, no caso auferido foi o Caetano de Campos, REGRIDEM ASSOMBROSAMENTE…. não sei precisar se é por causa das amizades ou a Falta de psicólogos nessa fase de idade.
    FICA A DICA! Psicologia no colegial

    1. Marcelo DANTON Silva
      Marcelo DANTON Silva

      Isso tem 2-3 anos…a Direção desse Caetano de Campos Mudou e o diretor esta tentando construir uma escola melhor que o antigo destroçou …..era do Partido PCO

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.