publicidade
Política

Escalada da crise entre Brasil e Venezuela divide o PT internamente

Enquanto ala do partido condena ataques de Maduro e pede revisionismo, outra parte defende apoio ao regime do país vizinho

Deputado estadual de São Paulo Emídio de Souza e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann
Deputado estadual de São Paulo Emídio de Souza e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann | Foto: Sergio Silva/Agência PT

A crise diplomática recente entre Brasil e Venezuela intensificou divisões dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), de acordo com informações de bastidores do jornal O Estado de S. Paulo.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

A presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann, saiu em defesa do assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, depois de ele receber críticas do governo de Nicolás Maduro. Contudo, o PT não dá sinais de que vai revisar o reconhecimento da vitória de Maduro nas eleições de julho.

Nesta sexta-feira, 1º, o Itamaraty respondeu à acusação venezuelana de que Amorim agia como “mensageiro do imperialismo americano”. A reação teve motivação em uma postagem da Polícia Nacional Bolivariana, na qual contém uma imagem distorcida de Lula ao lado da bandeira brasileira, e a frase: “Quem mexe com a Venezuela se dá mal”.

Resposta do Itamaraty e posicionamento do PT

O assessor especial da presidência, Celso Amorim, ao lado de Lula | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Itamaraty afirmou que as autoridades venezuelanas têm adotado um “tom ofensivo” em relação ao Brasil, com ataques pessoais e retórica agressiva. Antes do comunicado, Gleisi condenou críticas a Amorim e defendeu diálogo com a Venezuela. A eleição para a nova liderança do PT está prevista para junho de 2025, mas Gleisi não pode disputá-la.

A Executiva Nacional do PT apoiou a decisão do Conselho Eleitoral da Venezuela, que declarou a vitória de Maduro, mesmo depois de denúncias de fraude. Em agosto, Lula afirmou que não reconheceria nem Maduro nem o opositor Edmundo González até a apresentação dos boletins de urna — o que não ocorreu, apesar de pedidos internacionais.

Leia também: “A cara do Brasil”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 241 da Revista Oeste

Na época, Gleisi apoiou a postura de Lula, mas afirmou haver diferença entre partido e governo. Em 22 de julho, a corte venezuelana, alinhada a Maduro, confirmou a vitória do ditador e proibiu a divulgação das atas eleitorais.

Mesmo com irregularidades evidentes, o Foro de São Paulo confirmou a reeleição de Maduro, em setembro. No documento, há a assinatura da dirigente do PT Mônica Valente, secretária da organização esquerdista.

Escalada da crise e opiniões divergentes

Governo Maduro provoca Lula: 'Não dependemos nem do Brasil nem de ninguém' | Foto: Reprodução/Redes sociais
Governo Maduro provoca Lula: ‘Não dependemos nem do Brasil nem de ninguém’ | Foto: Reprodução/Redes sociais

A crise entre Brasil e Venezuela se acentuou nos últimos dias. Na semana passada, o Brasil vetou a entrada da Venezuela no Brics, durante a cúpula em Kazan, na Rússia. Em resposta, Maduro chamou o embaixador venezuelano no Brasil para consultas, um gesto de repúdio diplomático.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) criticou a situação e pediu uma revisão das relações com a Venezuela. Ele sugeriu que o PT liderasse a criação de um fórum alternativo ao Foro de São Paulo, com foco no desenvolvimento social e econômico da América Latina.

Leia mais: “Lições da Venezuela”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 232 da Revista Oeste

Em resposta, o historiador Valter Pomar, do Diretório Nacional do PT, criticou Lopes por “assumir posições extremistas”. Pomar enfatizou que a nota de reconhecimento à reeleição de Maduro teve aprovação unânime dentro do PT e que a liderança do partido não foi desafiada sobre essa decisão.

Presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro), Carlos Siqueira classificou o regime venezuelano como ditatorial e criticou o governo Lula por não admitir a fraude eleitoral de imediato. Ele afirmou que, em ditaduras, não se pode esperar eleições livres e justas.

3 comentários
  1. R Fortes
    R Fortes

    Essa estória está mal contada. El Bigodón, o ditador sanguinário, com o comparsa Amorim, o pigmeu diplomático, desenvolveram essa trama infantil para descolar a imagem do “duende megalomaníaco” de Garanhuns do desastre Venezuelano. Mais uma mentira para tentar nos enganar em preparação para continuidade em 2026, do golpe de 2022 gestado por Dirceu e executado por Moraes e seus cúmplices.

    1. R Fortes
      R Fortes

      Onde está a Oposição para exercer a obstrução de pautas até que seja implantado o COMPROVANTE IMPRESSO DO VOTO e a LIBERTAÇÃO dos PRESOS POLÍTICOS de 08/01?

  2. Almicre Piovezan
    Almicre Piovezan

    Ainda bem que o nine e o Amorim estão indo para a cova.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.