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Política

Ex-juiz que condenou Beira-Mar vive ‘preso’ e à espera escolta policial

Magistrado se diz abandonado pelo Estado depois de décadas de enfrentamento ao crime organizado

O juiz aposentado Odilon de Oliveira: receio de estar na mira do crime organizado | Foto: Divulgação/Fenapef
O juiz aposentado Odilon de Oliveira: receio de estar na mira do crime organizado | Foto: Divulgação/Fenapef

O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, conhecido pelo rigor no combate às facções criminosas, vive hoje em Campo Grande (MS) sob uma rotina de isolamento. Responsável por sentenças que somam mais de 900 anos de prisão contra traficantes internacionais — entre eles Fernandinho Beira-Mar, uma das lideranças do Comando Vermelho —, o magistrado afirma sentir-se principalmente como um “prisioneiro em casa”.

Durante a sua carreira, Odilon determinou a apreensão de centenas de bens usados pelo crime organizado, incluindo aeronaves, caminhões, assim como imóveis de alto valor. Por duas décadas, contou com a proteção de escoltas da Polícia Federal. Essa segurança, contudo, foi retirada em 2018 por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As informações são do jornal Gazeta do Povo.

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Sob ameaças do PCC, afirma ex-juiz

Sem a proteção oficial, o magistrado relata sobretudo viver sob constante temor de retaliações do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras facções. Para tentar reverter a decisão, acionou tanto o CNJ quanto a Justiça Federal. Os processos, em segredo de Justiça, seguem sem definição. O CNJ declarou que não comenta casos em andamento.

Desde a aposentadoria, Odilon concorreu ao governo de Mato Grosso do Sul em 2018, quando chegou ao segundo turno. Naquele período, ainda dispunha de parte da escolta. Atualmente, trabalha como advogado, inclusive em causas de acusados de envolvimento com tráfico internacional de drogas.

Leia também: “Na contramão da segurança”, reportagem de Fábio Bouéri publicado na Edição 287 da Revista Oeste

Ele afirma não ver contradição em sua nova atuação. “Tudo segue as regras do devido processo legal”. Segundo o ex-magistrado, o trabalho a distância tem sido a única forma de manter a vida profissional em meio às restrições de segurança.

A trajetória de Odilon também ganhou espaço na cultura. Em 2016, o filme Em Nome da Lei, de Sérgio Rezende, trouxe Mateus Solano e Paolla Oliveira em papéis inspirados na história do juiz. Em 2020, o documentário Odilon – Réu de Si Mesmo, dirigido por Leandro Lima, foi lançado pela HBO Max.

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1 comentário
  1. Bruno Sotero do Nascimento
    Bruno Sotero do Nascimento

    Condenou dezenas de criminosos a centenas de anos de prisão, está com medo e pedindo escolta porque está com medo dos criminosos, atua como advogado defendendo criminosos. Se isso não é contradição eu não sei de mais nada!

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