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Política

Governo Lula tira cargos do PSD e PP depois de derrota da MP do IOF

A decisão foi tomada em decorrência da atuação de Ciro Nogueira (PP-PI) e Gilberto Kassab (PSD-SP) na articulação contra a proposta

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois do fracasso da medida provisória que substituiria o IOF, o governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu remover aliados do PP, PSD, PL e MDB de funções estratégicas em órgãos como a Caixa Econômica Federal, Ministério da Agricultura e DNIT.

A decisão veio depois da atuação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e de Gilberto Kassab (PSD-SP), apontados como articuladores para a MP perder validade, segundo integrantes do governo.

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Entre as exonerações está José Trabulo Júnior, ex-consultor da presidência da Caixa, ligado ao senador Ciro Nogueira. A saída dele teria sido solicitada pelo Ministério da Secretaria de Relações Institucionais, comandado por Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do governo.

“Os deputados optaram por ficar contra o governo em uma votação muito importante”, afirmou Gleisi. “Quem está contra o governo não tem porque permanecer com indicações no governo. Acho que eles já sabiam disso e fizeram opção por sair. Isso atinge todos os partidos.”

Mudanças no governo Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, 3 de junho de 2025 | Foto: Adriano Machado/Reuters

Outra mudança ocorreu na vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital da Caixa, antes ocupada por Rodrigo Lemos, cuja indicação era atribuída ao PL.

Jean Rodrigues Benevides, diretor-executivo do setor, assumiu o posto interinamente. As nomeações de cargos na Caixa envolviam negociações políticas lideradas por Arthur Lira (PP-AL), que consultou partidos aliados para as vice-presidências.

No Ministério da Agricultura, quatro superintendências estaduais também passaram por trocas, afetando indicações de deputados do PSD, especialmente depois da bancada do partido no Paraná e no Maranhão votar contra a MP.

Situação semelhante ocorreu no Pará e em Minas Gerais, onde o PSD se dividiu entre apoiar e rejeitar o governo. No DNIT, a superintendência de Roraima foi substituída após a deputada Helena Lima (MDB-RR) votar contrária à proposta.

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Segundo fontes do governo, novas mudanças em cargos com indicações políticas devem ser anunciadas. O Ministério da Secretaria de Relações Institucionais analisa as indicações dos deputados que votaram contra a MP, e há expectativa de mudanças em quase todas as vice-presidências da Caixa ocupadas por indicação partidária.

Apesar das alterações, o governo pretende manter Carlos Vieira como presidente da Caixa, já que sua escolha foi referendada por Arthur Lira, que não participou da votação da MP. O Executivo também descarta retaliações ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), considerado colaborativo na tramitação da medida.

Bastidores da articulação política e estratégias partidárias

Líderes partidários avaliam que Ciro Nogueira e Gilberto Kassab atuaram em sintonia com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para inviabilizar a MP, considerada essencial pela equipe econômica para a meta fiscal.

Tarcísio nega envolvimento. Nogueira defende a candidatura presidencial de Tarcísio, enquanto Kassab negocia uma união da direita e ocupa cargo no governo paulista.

Segundo relatos de deputados, Ciro Nogueira teria feito contato direto com parlamentares para barrar a MP. Kassab, por sua vez, orientou o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), a liberar exceções para alguns aliados governistas, como nos Estados da Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, mas pressionou para que a maioria votasse contra a proposta.

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