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Política

Izalci, sobre Lupi na CPMI do INSS: ‘Vai ter que explicar o inexplicável’

O ex-ministro da Previdência presta depoimento à comissão na tarde desta segunda-feira, 8

Senador Izalci Lucas
Senador Izalci Lucas durante sessão de comissão | Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou nesta segunda-feira, 8, que o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi terá de responder a uma série de questionamentos durante o depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, marcado para esta tarde no Congresso. O colegiado investiga fraudes bilionárias que envolvem aposentadorias, pensões e benefícios sociais.

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“Ele vai ter que explicar, talvez, o inexplicável”, disse Izalci, sobre Lupi. “Foram tantos anos de roubalheira lá do INSS, dos aposentados e pensionistas, e não foi tomada nenhuma atitude. Mesmo sabendo, sendo alertado à reunião do Conselho em 2023, que estava acontecendo isso, não tomou nenhuma atitude. Depois a própria CGU também fez várias recomendações, nenhuma atitude. Então, ou é incompetência ou é conivência, ou realmente omissão.”

+ Defensora diz acreditar que Lupi tinha conhecimento das fraudes no INSS

Segundo o senador, a CPMI pode pedir a quebra de sigilos para rastrear o destino dos recursos: “É evidente que nós vamos já também pedir a quebra de sigilo, para a gente ver também, seguir o dinheiro”. “Para onde é que foi esse dinheiro? Porque foram bilhões e bilhões”, afirmou.

Lupi pode falar sobre irmão de Lula

Indagado por Oeste sobre a possibilidade de Lupi prestar esclarecimentos sobre o sindicato ligado a Frei Chico, irmão do presidente Lula, Izalci não descartou: “Sim, pode acontecer”.

+ Ex-presidente do INSS soube de fraudes em 2024 e não acatou orientações da CGU

“Até porque, o sindicato do Frei Chico nem poderia ter assinado acordo de cooperação com o INSS, porque existe uma lei de 2014 que proíbe qualquer parente, até segundo grau, de participar de qualquer entidade conveniada com o governo”, disse. “Então, sequer poderiam ter. E foram as duas entidades, Contag e Sindinap, responsáveis por 72% dos R$ 12,5 bilhões desviados de 2008 até agora.”

Esquema bilionário 

Segundo a CGU e a Polícia Federal, o esquema funcionava por meio de falsificação de autorizações de idosos para que o INSS realizasse descontos automáticos em folha em favor de associações. 

Os beneficiários acreditavam se tratar de contribuições voluntárias, mas o dinheiro era desviado. A estimativa é que, entre 2019 e 2024, o prejuízo aos segurados tenha alcançado R$ 6,3 bilhões, atingindo quase 7 milhões de aposentados e pensionistas.

+ CPMI do INSS: relator quer proteção policial a advogado que apurou fraude

Na semana passada, a diretora de Auditoria de Previdência da CGU, Eliane Viegas Mota, revelou à CPMI que a própria Controladoria havia alertado o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em 2024, para suspender os descontos. Mesmo assim, ele manteve os acordos com entidades e só interrompeu os repasses após a operação policial.

Além de auditores, a comissão já ouviu o advogado Eli Cohen, responsável por revelar detalhes do esquema. Cohen afirmou ter identificado em “dez minutos” a fraude e apontou Maurício Camisotti como o principal beneficiário, com repasses de até 27,5% das contribuições para o lobista “Careca do INSS”.

+ ‘Careca do INSS’ é alvo de rastreamento e pedido de intimação policial pela CPMI

Avanço da CPMI do INSS

Em meio à série de depoimentos, a CPMI amplia o cerco a sindicatos e associações, incluindo o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi), em que ocupa cargo de vice-presidente o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Chico.

+ Relator da CPMI do INSS pede prisão preventiva de principais acusados da fraude

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), têm reiterado que não haverá blindagem a autoridades nem entidades ligadas ao caso.

Na próxima quinta-feira, 11, a CPMI ouvirá outro ex-ministro da Previdência, José Carlos Oliveira, que comandou a pasta no governo Jair Bolsonaro (PL).

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