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Política

Juventude do PT pede processo contra Quaquá por declarações sobre operação no Rio

Ala do Partido dos Trabalhadores afirma que discurso do parlamentar é incompatível com os princípios da sigla

Washington Quaquá Maricá PT
Filiado ao PT desde a adolescência, Washington Quaquá tem em seu histórico como prefeito de Maricá (RJ) por oito anos duas condenações por abuso de poder político e econômico. | Foto: Reprodução/Vídeo/@washington.quaqua.5

O comitê de ética do Partido dos Trabalhadores (PT) poderá analisar a conduta do vice-presidente da sigla, Washington Quaquá, depois de uma decisão tomada pelo congresso nacional da juventude do PT na sexta-feira 19. Quaquá, que também exerce o cargo de deputado federal, já acumula três solicitações para abertura de processos em razão de declarações favoráveis à megaoperação policial realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes, cinco delas de policiais, em outubro.

De acordo com a juventude do PT, há um histórico de discursos de Quaquá considerados incompatíveis com os princípios do partido. “Não é de hoje que Quaquá vem escalando no seu discurso fascista, que vai contra os preceitos partidários, sem que qualquer medida à altura das suas declarações sejam tomadas no âmbito das instâncias petistas”, afirmou o grupo petista.

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Reação de Quaquá às críticas internas no PT

Em resposta, Quaquá declarou estar disposto a apresentar sua defesa. “Um partido popular e de esquerda não pode ser polarizado por uma juventude de classe média alta, universitária, que não vive a realidade do povo e idealiza a bandidagem” declarou em nota divulgada pelo Poder360.

As falas do vice-presidente ocorreram durante um seminário do PT sobre segurança pública no Rio, entre 1º e 2 de dezembro. Na ocasião, Quaquá disse: “A gente entra nesses territórios para mudar a prática e a vida do território e libertar a vida do povo. Se a gente não faz isso, ninguém o fará. É óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: ‘Tem trabalhador aí?’. Não. Tudo bandido.”

O dirigente também rebateu as críticas durante o debate: “Você vai ouvir eu falar ou vai ficar berrando? Então, era tudo bandido. Eu ouço bobagens à vontade. Espero que na democracia se ouça as bobagens dos outros. Eu ouço a de vocês, valeu? E depois querem dizer que são de esquerda e democráticos, mas só ouvem a própria opinião”, disse Quaquá.

Logo depois da operação do dia 30 de outubro, Quaquá publicou em suas redes sociais que “ninguém enfrenta fuzil com beijinho”. “Se enfrenta fuzil dando tiro em quem tá com fuzil” e ainda declarou que, apesar de lamentar as mortes de policiais e inocentes, a “grande maioria” dos mortos seria “soldado do narcotráfico”.

Leia a íntegra da nota de Quaquá

“Os jovens, principalmente os pretos e pobres das favelas, são as maiores vítimas da violência no Brasil. Causa-me espanto e surpresa que, justamente, quem os representa no PT queira me punir por me posicionar contra bandidos que causam morte e dor nas comunidades do país.

Mas somos um partido democrático, e estou pronto para defender meus argumentos e posições, sempre ao lado dos que mais precisam de um Estado que liberte as favelas do domínio armado de facções e das milícias, que tanto mal fazem ao nosso povo.

Um partido popular e de esquerda não pode ser polarizado por uma juventude de classe média alta, universitária, que não vive a realidade do povo e idealiza a bandidagem. Aconselho esses meninos a viver a vida da favela, conhecer, de fato, o que existe lá e vir a Maricá ver o que fazemos pela juventude, para pararem de defender bandidos e serem coerentes com a defesa dos pobres, razão de ser e de construir nosso partido.”

Leia também: “A Farra do TST”, artigo de Rachel Díaz publicado na Edição 288 da Revista Oeste

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