Kajuru, sobre impeachment de Moraes: ‘O parlamentar que votar contra pode ter vários ‘nãos’ nas urnas’

Em entrevista a Oeste, senador também fala sobre cenário eleitoral de 2022 e diz que Jair Bolsonaro seria favorito se a eleição fosse hoje, mas precisa 'esquecer a imprensa' e mostrar mais resultados
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O senador Jorge Kajuru, do Cidadania-GO, apresentou pedido de <i>impeachment</i> de Alexandre de Moraes, do STF, e abaixo-assinado com quase 3 milhões de assinaturas
O senador Jorge Kajuru, do Cidadania-GO, apresentou pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, do STF, e abaixo-assinado com quase 3 milhões de assinaturas | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Os parlamentares que votarem contra o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderão ser punidos pelo eleitor brasileiro nas urnas, em 2022. A avaliação é do senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), que entregou na sexta-feira 26 ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o pedido formal de afastamento do magistrado, além de um abaixo-assinado que já conta com quase 3 milhões de assinaturas. “Nunca um pedido de impeachment foi apresentado com um abaixo-assinado. O parlamentar que votar contra o impeachment dele poderá ter vários ‘nãos’ nas urnas”, afirmou Kajuru em entrevista a Oeste.

O senador — que contrariou a posição de seu próprio partido ao defender o impeachment de Moraes — também fala sobre as eleições presidenciais de 2022 e o retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tabuleiro político. Kajuru faz uma avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro — que, segundo ele, seria favorito “se a eleição fosse hoje”. “O presidente tem que calar a boca da imprensa mostrando um trabalho reconhecido por todo o Brasil. Esse trabalho ele ainda não mostrou. Por isso, ele ainda não calou a imprensa. Em vez de brigar com a imprensa, o melhor é calar a imprensa com atitudes.”

Oeste fez cinco perguntas para Jorge Kajuru. Leia a entrevista:

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1 — Há clima no Senado para a tramitação de um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes?

A única dúvida é esta, se há clima na Casa. Se os senadores vão entender que a gente faria a história pela primeira vez no Brasil aprovando o impeachment de alguém tão desrespeitado pela sociedade brasileira e que essa decisão tomada daria ao Senado uma outra imagem perante o Brasil. Daria o que o Senado não tem até hoje: credibilidade. E, principalmente, passaria a ter o Supremo Tribunal Federal mais respeito com os senadores. Tem senadores investigados injustamente, que já sofreram injustamente, como o senador Acir [Gurgacz, do PDT], lá de Rondônia [condenado em fevereiro de 2018, pela Primeira Turma do STF, por supostos crimes contra o sistema financeiro]. Então, até os investigados precisam entender que eles deveriam aprovar o impeachment. A partir daí, o STF iria olhar diferente para o Senado. Hoje, o STF olha para o Senado e vê os 81 senadores como medrosos, como se todos tivessem rabo preso. Essa é a chance que o Senado tem. Está na mão deles. A única dúvida é se há clima ou não. Por parte do presidente Rodrigo Pacheco, o que eu percebi é que ele quer mostrar para a opinião pública a independência dele, que ele não entrou para ser office boy de ninguém. Ele coloca na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], coloca no plenário e deixa a decisão na mão dos senadores.

2 — Em que se baseia o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes?

São tantos motivos… Vão desde o trabalho dele aí em São Paulo, na Secretaria de Segurança Pública, passando pelo Ministério da Justiça do [ex-presidente Michel] Temer, até chegar, com a arrogância que ele chegou, ao Supremo Tribunal Federal. Com julgamentos que revoltaram o Brasil, sendo os votos dele, sempre semelhantes aos de Gilmar Mendes. A postura de Deus… Ele [Moraes] não se acha Deus, ele tem certeza. Achar que ele poderia fechar veículos de comunicação, como ele tentou fechar. E desrespeitar a Constituição como ele desrespeitou. Primeiro, ao votar pela reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado, como ele votou, e depois desrespeitou o artigo 53, que é o direito inviolável à liberdade de expressão dos parlamentares. Por mais que o deputado Daniel Silveira tenha extrapolado, ele não merecia ser preso. Ele merecia ser julgado e punido pela Câmara Federal, lá no Conselho de Ética. Você prender um deputado, aí fica difícil. Tem o corporativismo do Supremo, daqueles que são iguais a ele, não de todos. Porque o Supremo é formado por pássaros e porcos. Há tanta passagem dele pelo Supremo suficiente para o impeachment há muito tempo, e não agora. Agora é porque se criou um clima favorável no Brasil. Nunca um pedido de impeachment foi apresentado com um abaixo-assinado. E isso também incomoda os parlamentares, de certa forma. O parlamentar que votar contra o impeachment dele poderá ter vários ‘nãos’ nas urnas.

3 — Seu partido, o Cidadania, se manifestou, em nota, de forma contrária ao pedido de impeachment de Moraes. O texto diz que a legenda “desautoriza, neste momento, qualquer ação em nome do partido que proponha o impeachment de ministros do STF, ainda mais do ministro Alexandre de Moraes, que atua de forma firme contra os extremistas produtores e divulgadores de fake news para destruir reputações de pessoas e instituições” e que “atacar o STF é se alinhar às forças reacionárias e obscurantistas que atentam contra as instituições republicanas e contra a própria democracia”. Você se sentiu desautorizado?

Não. Desautorizado, não. Ninguém me desautoriza. Quem me desautorizava era só a minha mãe. O partido foi muito educado comigo. O presidente Roberto Freire me ligou, dizendo que respeitava a minha opinião. Que o partido era contra por achar que o presidente [Jair Bolsonaro] vai colocar mais um Kássio Nunes [Marques] no lugar do Alexandre, que não vai adiantar nada… O partido é contra, mas me respeita. Tanto que eu continuo no partido com a mesma liberdade que eu sempre tive. A Executiva Nacional deu a opinião dela. Me desautorizar? Não existe isso.

4 — Você disse, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, que Jair Bolsonaro é favorito para 2022. Como avalia o cenário eleitoral e a possível entrada de Lula na disputa?

Eu falei: “Se a eleição fosse hoje”. A eleição é como nuvem. Tem muito tempo ainda, não é hora de falar em eleição. E o povo não está preocupado com eleição. Agora, se tivesse eleição hoje, o favorito é o Bolsonaro porque não tem adversário. Tem um p… adversário preparado como o Ciro Gomes, que para mim é o mais preparado de todos, mas ele tem mais rejeição do que o Bolsonaro. O Bolsonaro ainda tem um fanatismo enorme dos bolsonaristas, o que ainda, na minha opinião, seria suficiente para ele ganhar a eleição. Até mesmo do Lula. O Lula ainda não tem aceitação total. O Lula tem que reconstruir a situação dele para voltar a ter aqueles 30% garantidos que ele tinha. Hoje não tem mais do que 20%. Ele ainda tem que provar que é honesto para muita gente no Brasil que era apaixonada por ele e que mudou de opinião. O partido dele vai mal. Em termos de credibilidade, o partido dele hoje está lá na zona do rebaixamento.

5 — Qual é a sua avaliação sobre o governo Bolsonaro até aqui?

Passou o período mais difícil, que foi o fato de não saber enfrentar essa pandemia, de ter brincado com ela, literalmente. Ter brincado até em palavras, que se tomar vacina virava jacaré, que era uma febrinha, e não tinha nenhum respeito por máscara… Então, passou esse período que foi sombrio, realmente, foi deplorável. Pessoas próximas dele devem ter mostrado a ele que havia um grande erro ali. E que esse erro o levaria ao enterro político, e ele pensou bem. Viu que era melhor recuar. Um homem, na vida, seja ele burro ou não, tem que saber entender que ele não pode ter compromisso com o erro. Errou, volta atrás. O presidente voltou atrás. E pode se recuperar se for cumprida a promessa do ministro [da Saúde, Marcelo Queiroga] que, a partir de 1º de abril, 1 milhão de pessoas serão vacinadas por dia. As pessoas vão ter a lembrança otimista, vão esquecer e vão continuar apenas preocupadas com os outros pontos do governo Bolsonaro que precisam melhorar: educação, em especial, que é prioridade, o meio ambiente, a comunicação do governo… A partir daí, quando se resolver a vacinação, com 1 milhão de vacinas por dia, com as outras reclamações e opiniões de pessoas independentes, que não são Bolsonaro nem Lula, o presidente tem que refletir sobre isso. Esquecer a imprensa. O presidente tem que calar a boca da imprensa mostrando um trabalho reconhecido por todo o Brasil. Esse trabalho ele ainda não mostrou. Por isso, ele ainda não calou a imprensa. Em vez de brigar com a imprensa, o melhor é calar a imprensa com atitudes.

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8 comentários Ver comentários

  1. “Kajuru” é apenas um boneco que adora abrir a boca para dizer asneiras; na hora de agir, nada. Sua resposta à última pergunta foi emblemática; o tal senador ignorou completamente as várias reformas que, sem o esforço do Executivo, NUNCA teriam sido propostas ou aprovadas; fora o fato de que, até agora, NENHUM escândalo de corrupção irrompeu no governo federal.

  2. Kajuru é muita pólvora e pouco chumbo! Pouquíssimo conteúdo. Mas tem coragem, inclusive pra dizer que Ciro Koroné é o mais preparado de todos. Fica difícil levar a sério.

  3. Como calar a imprensa sem recursos? Nenhum grande ato do governo é divulgado pela imprensa sem gastos enormes com publicidade, recursos esses tão necessários a saúde. Que imprensa tradicional é essa que destila ódio do começo ao fim de suas edições até com editoriais infantis e desonestos, verdadeiras fakes não punidas pelo STF, como o saudoso Estadão?
    Recentemente publicou artigo do ministro da defesa Fernando Azevedo relatando que sob diretriz do presidente muitas ações foram executadas pelas Forças Armadas na operação COVID19 para salvar vidas.
    Por que esses trabalhos não são extensas matérias desse importante jornal? Atualmente no Estadão somente jornalistas como Carlos A. Di Franco e J.R.Guzzo, produzem informação imparcial e honesta, verdadeiras aulas de jornalismo e por vezes o ilustre jurista prof. Ives Gandra Martins com seus racionais artigos e bastante preocupado com as decisões do STF.
    O resto é resto mesmo. Ódio e desinformação.

  4. O impeachment TEM que ser aprovado, claro! Ao tirarmos do tribunalzinho um excremento como o sujeitinho em questão, os outros dejetos vão pensar n vezes antes de aprontarem das suas. E não vai ser por sabedoria não, vai ser por extinto de sobrevivência mesmo, já que não valem nada desde do berço!

  5. COM AQUELA IMPRENSA COMPROMETIDA EM DESACREDITAR O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, QUALQUER OBRA QUE ELE FIZER SERÁ ATACADA!!! O MELHOR A FAZER É PASSAR A CARAVANA E DEIXAR OS CÃES LATIREM.

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