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Política

Lula avalia quebra de patentes dos EUA; 'Seria pior ainda', diz ex-diplomata

Medida poderia resultar em sanções mais enérgicas do que as atuais

O presidente Lula, participa do Fórum Empresarial do Brics, no Pier Mauá | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O presidente Lula, participa do Fórum Empresarial do Brics, no Pier Mauá | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a suspensão de patentes norte-americanas no Brasil como uma possível resposta à tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos contra todas as exportações brasileiras.

A medida, revelada em carta enviada por Donald Trump nesta quarta-feira, 9, ainda não entrou em vigor — o prazo está previsto para 1º de agosto — mas já provocou reações e discussões internas sobre eventuais retaliações com base na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada neste ano.

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Entre as possibilidades em estudo estão a cassação de patentes de medicamentos, sementes agrícolas e produtos de tecnologia; a elevação de impostos sobre remessas de lucro de multinacionais norte-americanas; e a suspensão de royalties ligados a filmes, músicas e outros bens culturais.

O mapeamento dessas possibilidades foi feito pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob coordenação do vice-presidente Geraldo Alckmin. Entretanto, o próprio governo reconhece que muitas dessas ações poderiam prejudicar a indústria nacional.

Ex-diplomata avalia possível retaliação de Lula

Para o diplomata de carreira aposentado Régis Percy Arslanian, a medida seria contraproducente: “Isso aí vai ser pior ainda, porque eles poderão adotar medidas adicionais de sanções contra o Brasil, sobre a base da [norma] Special 301, que é específica para propriedade intelectual”, afirmou em entrevista a Oeste.

O ex-embaixador, que já chefiou negociações comerciais na Embaixada do Brasil em Washington, criticou qualquer proposta de enfrentamento na área de patentes: “A nossa indústria precisa de tecnologia”, afirmou. “Patentes garantem a inovação e os investimentos externos no Brasil.”

O diplomata aposentado Régis Arslanian | Foto: Ana Volpe/Agência Senado
O diplomata aposentado Régis Arslanian | Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Em sua visão, a reação ideal seria manter uma postura apaziguadora. “Não seria apropriado e nem corresponderia aos interesses nossos, nacionais, da nossa economia e da nossa situação política também enfrentar o presidente Trump”, alertou.

“O Brasil não é a China, não temos como enfrentar os EUA, precisamos deles”, afirmou Arslanian. “É interesse nacional apaziguar a situação, tentar ter uma atitude conciliatória com o governo norte-americano.”

Seção 301 autoriza investigação contra o Brasil

A Lei de Comércio dos EUA, sancionada em 1974, autoriza o Executivo norte-americano a investigar e aplicar medidas unilaterais quando identifica práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. A Seção 301, em particular, foi historicamente usada contra o Brasil durante os anos 1980 e 1990, em casos que envolviam o mercado de informática e de patentes farmacêuticas.

Hoje, segundo Arslanian, caso o Brasil decida quebrar as patentes, uma nova ofensiva tarifária norte-americana poderia se apoiar também na chamada “Special 301”, voltada exclusivamente a casos de violação de direitos de propriedade intelectual. “Estamos até hoje numa lista de observação da Special 301”, destacou o embaixador.

Donald Trump discursa durante evento com líderes cristãos | Foto: Casa Branca/Divulgação
Donald Trump discursa durante evento com líderes cristãos | Foto: Casa Branca/Divulgação

Com relação à possibilidade de o governo Lula judicializar o caso na Organização Mundial do Comércio (OMC), Arslanian foi cético e lembrou que o Órgão de Apelação da entidade está paralisado desde o primeiro mandato de Trump, por falta de indicação de árbitros pelos Estados Unidos. “A OMC devia ter dentes, mas hoje em dia não tem mais”, lamentou.

Leia também: “A América sempre reage”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste

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8 comentários
  1. Luciano Espinheira Fonseca Junior
    Luciano Espinheira Fonseca Junior

    Esse patife virou o palhaço do sul global!!! A propósito, o que é mesmo o sul global? Um puxadinho da China?! Importância zero!!!

  2. Fabian Berman
    Fabian Berman

    O Brasil não tem nem como se defender contra os EUA
    Somos um anao diplomático e não temos forças armadas dignas deste nome.
    É como um rato querendo enfrentar um leão.

  3. Daniel BG
    Daniel BG

    Se, nesse caso, “quebra de patente” for equivalente a “quebra de pescoço dele próprio”, então sim, é a solução.

  4. Doutor Adão
    Doutor Adão

    Lula e sua corja de vagabundos não se preocupam com o destino do nosso país e sim, com o projeto político do PT ! Dentro dessa ótica eles deixam o Brasil quebrar mas não farão acordo com os EUA .

  5. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Acredito que a besta de 9 dedos está certa !
    É o modo mais rápido de botar fogo no prostíbulo …

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